
O Conselho Económico e Social (CES) dos Açores manifestou preocupação com vários sectores de actividade da Região, afectados pela crise causada pela pandemia de Covid-19, considerando que as linhas de Crédito Covid-19 pelas empresas dos Açores ficaram “aquém” do expectável.
Segundo o CES, que reuniu no último dia 15 de Maio, por videoconferência, as linhas de Crédito Covid-19 pelas empresas dos Açores, de responsabilidade nacional, “estão muito aquém do esperado e necessário, em consequência de dificuldades de operacionalização e por algumas destas linhas terem esgotado o seu plafond”.
Já as medidas em relação à defesa da saúde pública tomadas pelas autoridades da saúde e pelo Governo “têm sido adequadas”, apontou a organização, havendo contudo preocupação sobre a “necessidade de defesa do emprego”.
O CES considerou também como “fundamental a retoma da actividade económica, ainda que de uma forma gradual e com todos os cuidados em matéria de defesa da saúde de todos os intervenientes”. Neste contexto, defendeu a realização de testes à Covid-19 “de uma forma contínua e abrangente”.
Para o CES, presidido por Gualter Furtado, as actividades ligadas directa ou indirectamente ao turismo estão entre as que mais preocupam.
“A situação económica que se vive nos Açores, não obstante as medidas positivas de âmbito regional já tomadas, é preocupante, já que atingiu gravemente a actividade do turismo, um sector que nos Açores tem um peso muito relevante, com efeitos multiplicadores sobre particamente todos os outros sectores da nossa economia”, lê-se em comunicado.
Para a organização, “sectores como o da produção agrícola, do leite e lacticínios, do peixe, da construção civil, do imobiliário, dos transportes e de muitos outros, estão a ter uma procura cada vez mais reduzida, o que equivale a menos receitas e menos rendimentos. Acresce que alguns destes sectores e produtos estão também a ser fortemente penalizados com a quebra da procura externa, resultante da quebra das exportações”.
Na reunião, os parceiros sociais que integram o conselho apontaram ainda a demora dos apoios europeus: “a resposta da União Europeia a todas as dificuldades já referidas tarda em chegar”, refere o CES.
Por outro lado, o Conselho Económico e Social destaca pela positiva as moratórias aprovadas e disponibilizadas pelos Bancos às empresas e às famílias”, mas apontou para a “necessidade dos prazos destas moratórias serem prorrogados para além de Setembro próximo, já que não é credível que as empresas e as famílias que recorreram a estas moratórias vejam a sua situação de retoma resolvida até aquela altura”.
O conselho quer ainda que seja revisto o Plano e Orçamento dos Açores para 2020, “por forma a adequá-los à nova realidade que estamos a viver”. Alertou ainda para o agravamento da “pobreza envergonhada” nos Açores.
Do plenário ficou ainda o “consenso alargado de que o combate à Covid-19 nos Açores requer a participação activa de todos os Parceiros Sociais, e que todos estão convocados para a retoma progressiva da normalidade e da economia, pois só em parceria podemos fazer ferente a esta crise que começou pela saúde e se prolonga pela economia”.
Na reunião do CES, além da análise à situação económica e social da pandemia nos Açores, foi ainda aprovado por unanimidade um voto de pesar expressando os sentimentos e solidariedade para com todas as famílias das falecidas vítimas da Covid-19 na região e aprovado, também por unanimidade, um voto de louvor e reconhecimento a “todos os profissionais de saúde e demais profissionais e instituições que com grande profissionalismo e solidariedade humana, tem colocado as suas profissões e vidas ao serviço do combate à Covid-19 nos Açores”.
“Estão também incluídos neste voto todos os serviços, instituições e trabalhadores que continuam abertos e a trabalhar, por forma a assegurar respostas às necessidades básicas das populações. De reconhecer ainda o comportamento exemplar da população açoriana no cumprimento das recomendações das autoridades de saúde, mesmo quando em alguns casos isto representou perda de rendimento e outros sacrifícios”, sublinha o CES, em comunicado.