“Sector do Turismo está à beira de uma situação catastrófica”

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A Câmara do Comércio e Indústria dos Açores alertou ontem, em comunicado, que “o sector do turismo, que inclui hotéis, ALs, restaurantes, rent-a-car, agências de viagens e uma série de outros pequenos negócios, está à beira de uma situação catastrófica com implicações muito sérias para o emprego nos Açores”.

As três Câmaras do Comércio estiveram reunidas para analisar a actual situação na região, tendo concluído que “o processo de controlo da propagação do coronavírus tem vindo a registar progressos muito significativos em toda a Europa e em Portugal que já entrou, em pleno, na fase de desconfinamento nacional total e de abertura de todas as actividades. Nos Açores, o processo de controlo do coronavírus evolui em ritmo acelerado para a eliminação total das cadeias e dos casos identificados. A ausência de casos na testagem alargada no sistema de ensino é sintomática da inexistência de quaisquer cadeias ativas ou mesmo casos isolados”.

“Se a incerteza do passado e a falta de preparação do sistema de saúde aconselhava a tomada de decisões para longos períodos de confinamento, a aprendizagem entretanto conseguida permite decisões mais céleres e o recurso a meios técnicos muito melhorados. O sistema de saúde já está consideravelmente melhorado na sua capacidade de tratamento e na sua capacidade de testagem”, concluem os empresários açorianos.

E alertam: “A retoma da economia passa a ser uma prioridade que se segue para que sejam minorados os prejuízos elevados no sistema económico, com reflexos inevitáveis na capacidade de produção e de prestação de serviços e as consequentes implicações para os empregos de mais de uma dezena de milhar de trabalhadores que podem chegar ao ponto de deixar de poder viver nos Açores, por falta de oportunidades, como aconteceu na última crise com o colapso da construção civil”.

Depois de alertarem, também, para a situação do sector do turismo, aublinham que “este sector, directa e indirectamente, segura cerca de 20.000 postos de trabalho, e mais de 12% de toda a riqueza gerada. A poupança de muitas famílias dos Açores está também ameaçada numa multiplicidade de empreendimentos de AL, de restauração e de diversas outras atividades. Não haverá crédito suficiente para amparar, sem perdas avultadas, um efeito da quebra de 60 a 80% do negócio deste setor”.

“Obtido o conforto necessário relativamente à questão da saúde e perspetivada a reabertura das atividades ilha a ilha, torna-se agora imprescindível a programação, com a devida antecedência e em horizonte curto, da reabertura total. Primeiro das viagens inter-ilhas, de barco numa fase e de avião noutra, segundo do mercado nacional (em termos de procedimentos de controlo, porque este, de facto, nunca fechou) e terceiro do mercado internacional”, lê-se no documento enviado ao nosso jornal.

E acrescentam: “Nas viagens a programação com antecedência é fundamental dado o planeamento que é necessário fazer para assegurar o transporte aéreo e o alojamento. A ausência de aberturas planeadas lança as actividades na incerteza total. Hotéis, ALs, rent-a-car e muitas outras actividades só funcionam com reservas antecipadas, geralmente com vários meses de antecedência”.

“Outras regiões e muitos países já se encaminham de forma programada para abertura ao exterior, utilizando todo o conhecimento já acumulado do vírus e protocolos de testagem adequados. Já há soluções razoáveis que equilibram as preocupações de saúde pública com a abertura das comunidades, num contexto de reconhecida presença do vírus, mas de gestão correcta de procedimentos e comportamentos. A espera em confinamento total pelo dia em que haverá uma vacina eficaz e disponível é incerta, seguramente longa e certamente inviável quer em termos económicos quer em termos sociais”, conclui a nota dos empresários dos Açores.