Associação dos Revendedores admite rotura de fornecimento de gás e gasolina

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A Associação de Revendedores de Combustíveis dos Açores admitiu ontem uma rotura de fornecimento de combustíveis líquidos e gás “a partir do próximo fim de semana”, alegando que não aceita “continuar a assumir os prejuízos impostos” pelo Governo Regional.

O Governo Regional anunciou que a gasolina 95 vai descer 7,5 cêntimos por litro a partir de segunda-feira (feriado regional) nos Açores e os gasóleos rodoviário, colorido e marcado consumido na agricultura e nas pescas descem 7,8 cêntimos e o fuelóleo industrial 1,5 cêntimos.

O executivo informou ainda que, “tendo em conta o contexto actual, proceder-se-á ainda a uma descida de cinco cêntimos no gás”.

 

Vender abaixo do preço do custo

 

Em comunicado, a Associação Regional de Revendedores de Combustíveis dos Açores (ARRCA) sustenta que a “descida dos preços máximos de venda ao público – que tem por base a circunstância de as margens concedidas aos revendedores serem manifestamente inferiores ao valor das descidas – tem levado a que, durante esta crise”, as empresas deste sector sejam forçadas, “por imposição legal e administrativa, a vender o produto abaixo do preço de custo”, o que “configura uma prática manifestamente ilegal, violadora de regimes imperativos, nacionais e europeus”.

Este “cenário de rotura será rapidamente ultrapassável se o Governo Regional determinar uma alteração de preços na primeira quarta-feira do mês, que seria o único cenário aceitável tendo em conta que é nesse dia da semana que é determinado o preço de venda ao público máximo”, diz a associação.

Sónia Borges de Sousa, da associação com sede na ilha de São Miguel, explica que “já no mês passado” se verificou aquele cenário aquando da descida dos combustíveis, com os revendedores “a perderem dinheiro”.

A descida nos combustíveis nos Açores agora anunciada acontece na segunda-feira, feriado regional, tendo Sónia Borges de Sousa frisado que “desta vez nenhum dos associados irá adquirir produto além das necessidades”, nem combustível líquido, nem gás.

 

Comprar em Maio para vender em Junho

 

“Nenhum dos associados irá adquirir produto aos preços de Maio para vender aos novos preços de Junho, uma vez que iriam perder dinheiro”, sustentou, referindo que o sector “continuou a trabalhar” durante a pandemia e “foi um dos mais sacrificados, já que teve de assegurar o fornecimento de gasóleo e gasolina a quem se encontrava, e se encontra, a trabalhar, mas também teve de assegurar a entrega do gás às famílias açorianas”.

Sónia Borges de Sousa sustentou ainda que os revendedores tiveram de “suportar os custos” para a compra de meios de protecção que “eram escassos e extremamente caros, reduzindo drasticamente as margens, que, já de si eram, como continuam a ser, injustificadamente baixas”.

 

Revendedores não aceitam assumir prejuízos

 

“Assim sendo, a ARRCA informa que os seus associados não aceitarão continuar a assumir os prejuízos que lhes têm sido impostos pelo Governo Regional - impostos de uma forma absolutamente ilegal e ilegítima -, como sucedeu no passado mês, o que significa que ficará desde já em aberto a rotura de fornecimento, quer de combustíveis ditos líquidos, quer do gás, com efeitos já no próximo fim de semana”, lê-se no comunicado da associação.

A entidade diz ainda que o Governo Regional, “mais uma vez, não só se esqueceu, como sempre tem acontecido, deste sector - considerado fundamental em épocas de crise -, como revelou, também mais uma vez, a sua postura olímpica de total e absoluto desprezo por todos quantos trabalham” na área.

“Não pode o Governo Regional dos Açores, que tem uma margem no negócio do gás superior à dos revendedores – através das receitas resultantes, também, da aplicação do FU (factor de uniformização) -, destruir este sector de atividade, sacrificando mais uma vez aqueles que menos ganham e que mais se têm sacrificado ao longo de mais de 20 anos”, aponta.

Sónia Borges de Sousa disse ainda que “há mais de um ano que este sector aguarda uma resposta do presidente do Governo Regional”, num sector que “envolve mais de mil pessoas, que se encontram em risco de perder os seus postos de trabalho”.

“Como resposta às interpelações que têm sido feitos por esta Associação, o Governo Regional dos Açores, através de simples comunicado, teve o topete e a ousadia de qualificar como falsas as declarações proferidas pela direcção desta associação, insulto esse que teve como resposta a única que deve ser dada num Estado de Direito, a saber, a queixa-crime”, relembra a associação em comunicado.

 

Os novos preços a partir de segunda-feira

 

A gasolina 95 vai descer 7,5 cêntimos por litro a partir de segunda-feira nos Açores e vários tipos de gásoleo vão também ver os seus preços baixar. 

Os gasóleos rodoviário, colorido e marcado consumido na agricultura e nas pescas descem 7,8 cêntimos e o fuelóleo industrial 1,5 cêntimos, adiantou ontem o Governo dos Açores.

Numa nota enviada às redacções, o executivo acrescenta que, “tendo em conta o contexto atual, proceder-se-á ainda a uma descida de cinco cêntimos no gás”.

Assim, o litro da gasolina passa a custar 1,213 euros, o do gasóleo rodoviário 1,043 euros, enquanto o gasóleo colorido e marcado consumido na agricultura passa a custar 0,561 euros por litro e o gasóleo consumido na pesca 0,371 euros por litro.

O quilo do gás no estabelecimento do revendedor passa a custar 1,43 euros.

O fuelóleo industrial passa a custar 0,287 euros por quilo.

O Governo açoriano explica que “no último mês verificou-se uma descida dos preços dos combustíveis no mercado europeu que serve de referência para a definição dos preços nos Açores, correspondente à média dos preços de venda ao público de 14 países naquele espaço”.

A incidência fiscal nos Açores, diz ainda a nota, “é inferior à do continente português em 12% na Gasolina 95 octanas, em 23% no gasóleo rodoviário, em 73% no gasóleo colorido e marcado consumido na agricultura e nas pescas, em 44% no gás butano e em 58% no fuelóleo industrial”.

Os novos preços entram em vigor às 00:00 de segunda-feira.