Autoridade de Saúde volta a rever definição de caso suspeito na Região

11Tiago Lopes 3 de Junho

A Autoridade de Saúde Regional revelou ontem que a definição de caso suspeito actualmente em vigor nos Açores vai ser revista, voltando a ser introduzido o critério epidemiológico, ou seja, a proveniência ou não de uma área de transmissão local activa.

“Vamos emitir uma nova circular normativa que redefine o caso suspeito de possível infecção pelo novo coronavírus na região. Vamos introduzir novamente o critério epidemiológico, atendendo à situação epidemiológica dentro e fora da região”, disse Tiago Lopes.

A informação foi avançada esta terça-feira em conferência de imprensa, naquele que foi o décimo quinto dia sem novos casos de infecção pelo novo coronavírus na região. Existem actualmente apenas dois casos positivos activos na ilha de São Miguel e 63 pessoas em vigilância activa.

Segundo o ponto de situação ontem divulgado, até às 00h00 de terça-feira existiam no arquipélago 576 pessoas a aguardar recolha ou resultado de análise, das quais apenas duas eram consideradas casos suspeitos. 

Segundo explicou o responsável, estes últimos casos suspeitos que têm surgido “não estão relacionados com passageiros provenientes do exterior da região”, mas sim “com a definição actual de caso suspeito, que retira o critério epidemiológico, ou seja a proveniência de alguma área de transmissão local activa, e considera como único critério a apresentação de sintomatologia do foro respiratório”. 

Com a reintrodução do critério epidemiológico, recuar-se-á à definição de caso suspeito que esteve em vigor no mês de Março, início do surto nos Açores. A medida permitirá, assim, “diferenciar aqueles que provenham de áreas de transmissão local e que possam fazer soar os sinais de alarme”.

Mas, para já, o actual cenário é positivo: “Atendendo àquilo que é o contexto epidemiológico neste momento na Região, em que não identificámos casos positivos nas últimas semanas, apesar dos rastreios que temos vindo a realizar – mais de 24 mil análises processadas na região -, nada nos leva a crer que possa haver casos que possam provocar algum surto inesperado na Região”, salientou o responsável da Autoridade de Saúde. 

Sobre a redução drástica no número de vigilâncias activas, Tiago Lopes justificou a situação com o a diminuição do número de casos suspeitos e, paralelamente, com o fim dos períodos de quarentena dos cidadãos que chegam à Região.

Questionado sobre a realização de testes serológicos à população, Tiago Lopes recordou que os Açores estão a participar num inquérito do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e os testes já começaram em território continental. O responsável adiantou que “muito em breve” serão iniciados também na região, “de forma a termos uma maior percepção sobre a imunidade ou não da população portuguesa à infecção pelo novo coronavírus”. 

 

Creches aguardam resultados de testes

 

As creches na ilha de São Miguel já podem estar abertas, mas há estabelecimentos que optaram por continuar encerrados até que serem conhecidos os testes de despiste realizados aos funcionários. Tiago Lopes salientou que “dentro de muito tempo” poderão reabrir portas.

“Nós tivemos cerca de 4700 pessoas da comunidade escolar identificadas, que iriam retomar as actividades lectivas. Isso provocou um maior número de colheitas e análises processadas”, explicou, referindo que a situação irá “regressar à normalidade e estas instituições irão, dentro de muito pouco tempo, reabrir as suas portas”.

 

Região “mais bem preparada” para uma segunda vaga

 

Na conferência de imprensa, o responsável deu nota positiva à capacidade de adaptação e ao comportamento da população açoriana na adopção das orientações da Autoridade de Saúde durante a pandemia, mas alertou para a imprevisibilidade do futuro: “Não podemos afirmar com toda a certeza que não haverá uma segunda vaga pior do que a que já passámos, mas penso que, a acontecer um novo pico do surto, estaremos mais bem preparados para dar resposta”.

Desde o início do surto nos Açores, foram detectados um total de 146 casos de infecção, verificando-se 128 já recuperados, 16 óbitos e dois casos positivos activos. As últimas 272 análises realizadas nos dois laboratórios de referência da Região voltaram a não revelar novos casos de Covid-19.

 

Por Alexandra Narciso