Hospital de Ponta Delgada fez menos 91% de cirurgias em plena pandemia

cirurgias no hdes graficoOs blocos operatórios do Hospital de Ponta Delgada estiveram praticamente paralisados no mês de Abril, em plena pandemia.

Foram realizados, no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), apenas 31 procedimentos cirúrgicos, representando uma diminuição de 86,2% (193 cirurgias) em relação a Março de 2020 e, na comparação homóloga, ou seja comparando com o mesmo mês do ano passado, verificou-se também uma variação negativa de 91%, a que correspondem menos 312 cirurgias realizadas. 

No final de Abril, o HDES contava com um total de 9.057 doentes em lista de espera para cirurgia, correspondendo isto a um aumento de 0,3% (26 propostas cirúrgicas) face a Março de 2020. 

Na comparação com o mês de Abril de 2019, verificou-se um decréscimo de 1,9%, a que correspondem menos 178 propostas cirúrgicas. 

As três especialidades cirúrgicas com maior expressão em lista de espera do HDES são Oftalmologia (2129), Cirurgia Geral (1499) e Otorrinolaringologia (1474).

  O tempo médio de espera da lista no HDES cifrou-se, em Abril de 2020, em 541 dias, o que traduz um aumento de 5,5% (28 dias). 

Na comparação homóloga verificou-se também uma variação positiva de 6,5% (33 dias).  

  O HDES realizou 131 procedimentos cirúrgicos em regime de urgência no decurso do mês de Abril, o que traduz uma variação negativa nas comparações com o mês anterior e homóloga, de 22,9% no primeiro caso e de 13,8% no segundo caso.  

 

Voltam as visitas aos doentes 

no HDES

 

O Hospital do Divino Espírito Santo já retomou o regime de visitas aos doentes internados, a partir de segunda-feira, anunciou o seu conselho de administração.

As visitas ao HDES estiveram encerradas no âmbito do combate à pandemia da covid-19.

Segundo uma nota de imprensa, os pacientes podem receber visitas das 18 às 20h, ”mediante marcação prévia junto da equipa de enfermagem”, mas existem serviços que, “pela situação clínica do doente e contexto de internamento, têm um horário específico”.

Neste caso, deverá o visitante, junto dos profissionais de saúde, combinar e agendar com a devida antecedência o dia da visita.

No Hospital do Divino Espírito Santo, cada quarto poderá ter uma visita por dia, sendo que deverá ser sempre a mesma semanalmente, e o tempo de permanência é de 15 minutos.

 

Bolieiro insiste num plano 

de retoma das 

actividades médicas

 

O líder do PSD/Açores, José Manuel Bolieiro, voltou a insistir na necessidade de ser criado um plano de retoma das actividades médicas para doentes “não-covid”, que foram adiadas na região devido à pandemia.

No final de uma reunião com o Conselho de Administração do Hospital da Horta, na ilha do Faial, o dirigente social-democrata deixou um apelo ao Governo Regional, liderado pelo socialista Vasco Cordeiro, para que “não deixe os restantes doentes para trás”.

“Renovamos essa recomendação, da urgência de um plano de retoma dos serviços prestados pelo Serviço Regional de Saúde”, insistiu José Manuel Bolieiro, recordando que “as outras doenças não pararam por causa da covid-19”, apesar de a pandemia ter adiado consultas, exames, análises e cirurgias.

No seu entender, se o Governo Regional não fizer caso dessa importante retoma das actividades clínicas, “poderão surgir novas e mais graves doenças” no arquipélago.

O líder do PSD/Açores recorda que este plano de recuperação de assistência a doentes “não-covid”, foi aprovado, por unanimidade, no plenário de maio da Assembleia Legislativa Regional, mas até agora não foi posto em prática.

O dirigente social-democrata defendeu, por outro lado, a necessidade de se potenciar e valorizar a capacidade instalada no Hospital da Horta (o mais pequeno da região), que ainda assim serve os habitantes de quatro ilhas (Faial, Pico, Flores e Corvo).

“Precisamos de garantir que as especialidades e a capacidade instalada neste hospital possam ter os recursos humanos necessários para prestar o seu serviço”, sublinhou José Manuel Bolieiro, adiantando que é também preciso que o Hospital da Horta possa assegurar a deslocação de especialistas às ilhas sem hospital.