Empresas de media perderam entre 60 e 80% das suas receitas

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Um terço das empresas de media em Portugal (31,6%) registou perdas entre 61% e 80% nas suas receitas, sobretudo devido à diminuição das verbas arrecadas com publicidade, revelam os dados da Entidade Reguladora para a Comunicação Social publicados esta semana.

Porém, a redução foi sentida também em grande parte na organização ou promoção de eventos (55 referências por parte dos inquiridos) e as assinaturas (54 referências), uma vez que ambas constituem fontes de receitas relevantes para os meios de comunicação social portugueses.

Como tal, mais de um quinto dos inquiridos (21,3%) referiu ter aderido ao regime de lay-off simplificado criado pelo Governo no âmbito destas medidas excepcionais, tanto na modalidade de suspensão do contrato de trabalho como de redução do horário de trabalho.

Em relação à televisão comercial, a maioria (60%) dos operadores de reportou diminuições das receitas globais entre 41% e 60%. 

“Observa-se também que esta crise foi especialmente profunda para os media locais e regionais, considerando tratar-se de estruturas mais pequenas e com menos recursos: 27% dos detentores de imprensa local e regional e 44% dos operadores de rádio local comunicaram perdas de receitas entre 61 e 80%”, refere o relatório da ERC.

Já na imprensa, um quarto da amostra indicou quebras na venda de exemplares entre 1 e 20%, ainda que algumas empresas tenham tido “fontes de receitas preocupantemente afectadas com quebras homólogas na ordem dos 100%, incluindo as vendas de exemplares”, segundo o regulador dos media.

Para a ERC, “as consequências desta crise dentro da crise no funcionamento das organizações de media perdurarão por muito tempo, forçando decisões estratégicas e reorganizações”, pelo que a entidade garante que “continuará a acompanhar esta evolução e definirá a sua intervenção regulatória em função da avaliação dos riscos para a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social”.

A ERC destacou ainda, neste documento, as publicações que disponibilizaram online as suas edições em papel, como aconteceu com o “Jornal Económico”, “Jornal de Leiria”, “A Voz de Trás-os-Montes” ou o “Diário de Notícias da Madeira”. 

Já a “Time Out” passou temporariamente a “Time In”, numa edição digital gratuita, e a “AutoFoco” suspendeu o formato impresso semanal devido à estagnação da indústria automóvel.