Ribeira Grande quer do Governo Regional “igual tratamento em relação a outros concelhos”

Gaudêncio - 39º aniversário RGO presidente da Câmara da Ribeira Grande, Alexandre Gaudêncio, reivindicou esta segunda-feira uma maior atenção por parte do governo regional dos Açores para com a Ribeira Grande.

“Deverá haver um compromisso dos vários agentes que definem as políticas públicas para alcançarmos os nossos objectivos. Temos que exigir, principalmente ao governo regional, que a Ribeira Grande seja tratada como merece, ou seja, como uma verdadeira cidade e como um dos locais com maior potencial da região, a todos os níveis”, afirmou o autarca, que discursava na sessão solene comemorativa do 39.º aniversário de elevação da Ribeira Grande a cidade.

Na ocasião, Gaudêncio apontou que durante a história de cidade, “vimos ser relegado para segundo plano diversos investimentos regionais no nosso concelho, como por exemplo a frente marítima, o porto de Santa Iria ou a requalificação do caminho das Caldeiras”. 

“Enquanto que, por cá, foram os vários executivos camarários que investiram dos seus orçamentos municipais na obra do então Passeio Atlântico, noutras localidades esse investimento foi regional”, apontou, acrescentando que “já é tempo de dizermos que não aceitamos esse tratamento e que tudo faremos para reivindicar igual tratamento em relação a outros concelhos”.

A propósito da pandemia de covid-19, o presidente da autarquia defendeu que “este é o momento em que todos devemos estar unidos e dar o exemplo aos outros de como podemos sair da grave crise que se avizinha”.

“Esta não é altura para guerrilhas políticas nem para atropelos à democracia, tão pouco é tempo de privilegiar uma ou outra entidade”, afirmou, defendendo para a concretização destes propósitos, o estabelecimento de “um pacto, um género de agenda 2020-2030, que deverá ter o contributo de todos para que possamos traçar objectivos e um caminho que nos orientará em equipa.”

O autarca sublinhou que “as pessoas deverão estar sempre em primeiro lugar”, acrescentando que “não vale a pena falarmos da sociedade sem o que o principal agente sejam as pessoas”, e acrescentou que “questões como a formação, o direito à habitação, o emprego e a melhoria da qualidade de vida deverão ser prioridades.”

Na sessão solene, Alexandre Gaudêncio recordou que a edilidade a que preside já tem trabalho feito em relação a estes aspectos. “Temos investido em cursos de formação profissional como forma de qualificar as nossas gentes e estamos a terminar a estratégia local de habitação que vai permitir colocar à disposição das pessoas ferramentas para terem direito a habitações condignas”, apontou.

O edil deixou claro que “o compromisso do governo regional na agenda 2020-2030 é fundamental para que a nossa cidade não se sinta discriminada em relação a outras”, chamando à intervenção as juntas de freguesia. “Neste aspecto, as juntas de freguesia têm um papel fundamental para alcançarmos esse objectivo de fazermos políticas públicas a pensar nas nossas gentes e nas nossas localidades”. 

Trinta e nove anos após a elevação da Ribeira Grande a cidade, esta foi a primeira celebração em tons cinzentos. “Se nada tivesse acontecido, a esta hora estaríamos a ouvir os sinos dos cavalos e a ver o colorido tão característico dos cavaleiros que se dirigiam para a concentração das Cavalhadas de São Pedro no Solar da Mafoma, na Ribeira Seca”, recordou.

Ao contrário de outros anos, as comemorações obedeceram a um programa com base nas recomendações das autoridades de saúde no que ao número máximo de convidados diz respeito, bem como ao distanciamento social. E nesse aspecto, Alexandre Gaudêncio valorizou o papel de todos os agentes envolvidos no trabalho de prevenção do contágio pelo novo coronavírus na Ribeira Grande.