Turismo mais afectado nos Açores do que no resto do país

cama hotel

O sector do turismo nos Açores está a ser mais afectado do que no resto do país.

Enquanto no arquipélago, de Janeiro a Junho, regista-se uma quebra de 73,5% nas dormidas, no país a quebra é de 65,9%.

Neste primeiro semestre os estabelecimentos hoteleiros açorianos já perderam mais de 33 milhões de euros nos proveitos totais, uma vez que totalizaram este ano apenas 10 milhões de euros (uma quebra de 76%), quando no mesmo período do ano passado tinham arrecadado 43 milhões de euros.

O mês de Junho é significativo, com resultados nos proveitos da ordem de apenas 535 mil euros, quando em Junho do ano passado tinham registado 12 milhões de euros.

O ano tinha começado bem, com Janeiro a registar proveitos na ordem dos 3,2 milhões de euros (2,9 milhões em 2019), Fevereiro manteve a subida, de 3,4 para 3,9 milhões de euros, mas depois, nos meses do início da pandemia, a quebra foi acentuada: de 5,2 para 2,4 milhões de euros em Março, não havendo registos em Abril e Maio devido ao encerramento dos hotéis.

Os custos com pessoal na hotelaria reflectem, igualmente, a profunda crise que se vive no sector, que vinha aumentando de Janeiro a Março devido à contratação de mais pessoal, mas depois verifica-se a queda abrupta.

  Em Janeiro os custos com pessoal representavam 2,7 milhões de euros, quando no mesmo mês do ano passado tinham sido 2,3 milhões.

Fevereiro seguiu a tendência, passando de 2,3 para 2,6 milhões de euros e Março ainda conseguiu registar um ligeiro aumento de custos, de 2,5 para 2,7 milhões de euros.

No mês de Junho foi o afundanço, passando dos 3 milhões do ano passado para apenas 1 milhão este ano, reflectindo a diminuição de pessoal ao serviço, que foi em Junho de apenas 762 pessoas, quando em 2019 tinham ao serviço 2.467 pessoas.

Em Janeiro deste ano havia 2.272 pessoas aos serviço da hotelaria, mais do que as 2.073 do ano passado, o mesmo acontecendo em Fevereiro (2.315 este ano e 2.096 no ano passado), com redução drástica em Abril (de 2.268 para apenas 27) e também em Maio (de 2.470 para apenas 30).

 

Açores são a região do país 

com mais cancelamentos 

de reservas

 

Mais de 60% dos alojamentos turísticos no país reportam cancelamentos de reservas para os meses de Junho a Outubro devido à pandemia, sobretudo por parte de hóspedes nacionais, seguidos dos espanhóis, britânicos, franceses e alemães, informou o INE. 

   De acordo com um questionário efectuado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para avaliar o impacto da pandemia de Covid-19 nas unidades turísticas em Portugal, e que obteve cerca de 4.300 respostas válidas, 62,5% dos estabelecimentos respondentes (representativos de 79,0% da respectiva capacidade da oferta) assinalaram que a pandemia motivou o cancelamento de reservas agendadas para o período de Junho a Outubro de 2020.

   A Região Autónoma dos Açores foi a que apresentou maior peso de estabelecimentos com cancelamentos de reservas (94,3% dos estabelecimentos e 91,8% da capacidade oferecida), seguindo-se o Algarve (78,9% e 89,6%, respectivamente), a Área Metropolitana de Lisboa (74,0% e 84,7%, pela mesma ordem) e a Madeira (71,6% e 87,3%, respectivamente).

    No segmento da hotelaria, 79,4% do total de estabelecimentos (86,2% da capacidade oferecida) reportaram cancelamentos de reservas devido à pandemia, tendo esta percentagem ascendido a 60,3% dos estabelecimentos de alojamento local (62,5% da capacidade oferecida) e a 51,0% do total no turismo no espaço rural e de habitação (54,7% da capacidade).

   Segundo nota o INE, entre os estabelecimentos com cancelamentos de reservas neste período, “a proporção de estabelecimentos reportando cancelamentos parciais ou totais de reservas diminui ao longo dos meses”.

  De acordo com a informação agora recolhida, 92,0% destes estabelecimentos reportaram cancelamentos para Junho, 89,2% para Julho, 78,5% para Agosto e 69,9% para Setembro.

    Quando questionados sobre os principais mercados com cancelamentos de reservas (podendo cada estabelecimento identificar até três mercados), o mercado nacional foi o mais referido, tendo sido identificado por 48,9% dos estabelecimentos de alojamento turístico.

   O mercado espanhol surgiu a seguir (47,0% dos estabelecimentos), seguindo-se os mercados britânico (37,4%), francês (33,1%) e alemão (24,9%).

   Analisando os mercados identificados como um dos três com maior número de cancelamentos de reservas em cada região, observa-se que, no norte, o mercado espanhol foi identificado por 57,3% dos estabelecimentos, seguindo-se o mercado nacional, referido por 48,5%.

   Já no centro, o mercado nacional foi mencionado por 69,6% dos estabelecimentos, seguindo-se o mercado espanhol (48,6% dos estabelecimentos), enquanto na Área Metropolitana de Lisboa o mercado espanhol foi referido por 51,8% das unidades turísticas, no Alentejo o mercado nacional foi identificado por 61,4% dos estabelecimentos e no Algarve 72,7% dos estabelecimentos referiram o mercado britânico.

  Nos Açores, verifica-se que o mercado nacional foi identificado por 68,2% dos estabelecimentos, seguindo-se o mercado alemão (45,5% dos estabelecimentos), enquanto na Madeira este foi identificado por 64,0% dos estabelecimentos, seguindo-se o mercado francês (45,0% dos estabelecimentos) e o britânico (39,6% dos estabelecimentos).

  O INE reporta que, na hotelaria, o mercado nacional foi mencionado como um dos três mercados com maior número de cancelamentos por 58,1% dos estabelecimentos, seguindo-se os mercados espanhol (57,1%) e britânico (42,3%)

   Já nos estabelecimentos de alojamento local, o mercado espanhol foi identificado por 45,7% dos estabelecimentos, seguindo-se os mercados britânico (38,0%) e nacional (37,6%), e nos estabelecimentos de turismo no espaço rural e de habitação o mercado nacional foi mencionado por 56,3% dos estabelecimentos.

   A maioria dos estabelecimentos que planeava estar em actividade entre Junho e Outubro previa registar taxas de ocupação inferiores a 50% em cada um desses meses.

   Segundo o INE, “é nos meses em que tradicionalmente a solicitação de serviços de alojamento turístico é mais intensa que se verifica uma maior proporção de estabelecimentos que esperam taxas de ocupação mais elevadas”: Em agosto, cerca de 41,0% dos estabelecimentos que responderam planear estar abertos neste mês prevêem taxas de ocupação superiores a 50%, proporção que se reduz para 30,7% dos estabelecimentos em Julho e 22,0% em Setembro.

   A maioria dos estabelecimentos inquiridos (56,8%) não prevê alterar os preços praticados face ao ano anterior, enquanto cerca de um terço (35,3%) admite diminuir os preços e apenas 7,9% pondera aumentar os preços durante estes meses.

   Na Área Metropolitana de Lisboa e no Algarve predominam os estabelecimentos que admitem vir a reduzir os preços (58,4% e 55,8% dos estabelecimentos, respectivamente).

   Na hotelaria, em 44,6% dos estabelecimentos os preços deverão manter-se, enquanto em 44,9% se deverá registar uma diminuição, sendo que nos estabelecimentos de alojamento local e no turismo no espaço rural e de habitação a maioria dos estabelecimentos não prevê alterações de preços (52,5% e 73,2%, pela mesma ordem).

     Na sequência da aplicação de medidas necessárias de distanciamento social, higiene e limpeza dos estabelecimentos, 48,8% referiram que a capacidade oferecida iria ser reduzida.

   Na hotelaria, 57,4% dos estabelecimentos admitiram que estas medidas implicaram a redução da capacidade oferecida, enquanto no alojamento local e no turismo no espaço rural e de habitação esta proporção foi de 46,7% e 44,5%, respectivamente.

   Quando questionados sobre as principais medidas adoptadas, o aumento do intervalo de tempo entre o “check-out” e o “check-in” dos hóspedes, que impossibilite o ‘check-in’ no mesmo dia, foi a medida mais referida, indicada por 56,0% dos estabelecimentos, seguindo-se a redução do número de quartos (49,1%).