“Os balcões nos Açores estão nos limites, não admitimos mais rescisões”

afonso quental 2Afonso Quental, coordenador da Secção Regional de Ponta Delgada do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, afirmou ao Diário dos Açores que os balcões bancários na Região “estão mais do que espremidos em termos de recursos humanos, não se justificando mais reduções de pessoal”.

Afonso Quental comentava, assim, a decisão do Santander Totta, que está a propor rescisões por mútuo acordo a parte dos seus trabalhadores.

O Santander Totta é o maior banco a operar nos Açores e a decisão está a causar alguma apreensão, apesar de, segundo o dirigente sindical ao nosso jornal, desconhecer-se ainda quantos trabalhadores nos Açores serão abrangidos por esta medida.

“Sabemos que a medida deverá abranger cerca de 1.200 trabalhadores, num universo de cerca de 6 mil a nível nacional, pelo que vamos aguardar a ver o que poderá caber aos balcões dos Açores”, acrescenta Afonso Quental.

O dirigente sindical açoriano apela aos colegas abrangidos por aquela decisão para não assinarem nenhum compromisso com a empresa, sem antes contactarem os serviços do Sindicato.

“Os balcões açorianos estão nos limites e não admitimos mais rescisões”, alerta Afonso Quental.

Muitos trabalhadores do Banco Santander Totta estão a ser convocados para uma reunião com os recursos humanos, na qual está também presente um consultor externo. 

O objectivo, segundo fonte sindical, é apresentar-lhes uma proposta de rescisão por mútuo acordo, tendo como contrapartida uma indemnização.

O Santander, um dos mais discretos na realização deste tipo de processos, tem um dos maiores quadros de pessoal no sector bancário, depois das integrações do Popular, em 2017, e de parte dos trabalhadores do Banif, dois anos antes. 

Em Junho, o banco contava com 6.119 funcionários, número que representava já uma descida de 150 profissionais no espaço de um ano. 

No final de 2017, o número superava os 6.700 colaboradores. 

Só que mesmo antes disso já havia vários bancos na origem, que trazem um histórico diferente aos seus trabalhadores: Crédito Predial Português, Banco Totta & Açores e Banco Santander de Negócios.

O banco não revelou quantos trabalhadores são visados neste processo, ripostando que está a contratar funcionários (para áreas onde está mais desfalcado numa altura de transformação digital). 

O corte de custos é um objetivo dos bancos, para alinhar com as receitas esmagadas ditadas por juros em mínimos, bem como há também um fecho de balcões com a migração de muitos clientes para o canal digital.