Ana Silva equaciona várias hipóteses entre elas encerrar o negócio

ana silva

Localizado na Rua do Contador, nº 10, em Ponta Delgada, o gabinete de estética, Atelier 10, não tem vivido dias fáceis desde o início da pandemia. Isso mesmo revelou ao Diário dos Açores a proprietária, Ana Silva, que diz temer quanto ao futuro do seu negócio. 

À semelhança dos restantes empresários, a Ana Silva comenta que “no início, aquando do confinamento, foi tudo uma surpresa. Fiz o que era recomendado pelas Autoridades Regionais e fechei as portas do meu estabelecimento e fui para casa durante três meses. Mas são três meses que nunca mais recupero, e que afectaram muito o meu negócio aquela paragem forçada”, frisa.

Apesar de reconhecer que a vida continua, a empresária refere que “todos os dias continuam a ser uma surpresa. De manhã não faço ideia como vai correr o dia, se vou ter clientes, ou não, ou se irão surgir mais normas para seguir”.

Depois da paragem forçada, “nada nunca mais foi o mesmo que era antes da pandemia”, avança Ana Silva que confessa que o regresso ao trabalho, em Junho, “foi com alguns receios tanto da minha parte como do lado dos meus clientes”, revelando que está sempre atenta a todas as informações que são transmitidas bem como a todas as orientações emanadas da Autoridade de Saúde Regional “de forma a poder fazer um bom trabalho e em segurança para todos e para poder lutar contra esta pandemia que afectou todos os sectores de actividade. Isto é tudo uma novidade, o que torna o processo ainda mais complicado”, adverte.

Referindo-se às quebras, Ana Silva dá conta que até ao momento teve uma quebra muito grande, de mais de 50%, acreditando que, ao que tudo indica, ainda vai piorar. “Não estou optimista quanto ao futuro. Já estou a pensar em outras alternativas, a tentar ver o que posso fazer, mas sem grandes respostas ainda porque isto não está fácil. Já equacionei inclusive a hipótese de fechar o Atelier 10”, admite.

Apesar da área da estética ser considerada, actualmente, por muitos como uma necessidade, Ana Silva explica que apesar das clientes não deixarem de fazer a depilação, “algumas reduziram as idas ao gabinete por vários motivos, ora porque estão em casa em teletrabalho, ora porque têm receio de ficarem infectadas, ora porque ficaram desempregadas, etc.”. Para além disso, avança, “houve uma série de outros serviços que deixaram de ser procurados porque não há motivos. Por exemplo, era comum pelo Halloween as clientes virem fazer manicure ou maquilhagens, mas isso não aconteceu. Sem falar no Verão que foi um desastre com todas as festas canceladas; casamentos, baptizados e outras festas típicas. O facto de também as viagens terem sido adiadas fez com que as pessoas deixassem de vir ao Atelier 10. Até me ressenti com a quebra no turismo porque também atendia muitos turistas. Se não há festas ou eventos, as pessoas não precisam de se maquilhar ou ir ao cabeleireiro, lamenta.

Com a chegada da época natalícia, a empresária acredita na possibilidade de haver clientes a procurarem os seus serviços, confessando, por outro lado, que o mesmo já não pensa quanto à passagem de ano e o carnaval “que eram alturas muito fortes, mas com todas as festas canceladas, não me parece que vá ter muito trabalho”, admite.

Com as dificuldades a aumentarem e com o fraco movimento no Atelier 10, Ana Silva revela que se viu obrigada a reduzir no número de colaboradores até porque, adianta, “os apoios que existem são insuficientes e não dão para respirar de alívio. Tenho tido muitas dificuldades em cumprir com os meus compromissos financeiros”, frisa.

A viver actualmente um dia de cada vez, Ana Silva diz que “só voltaremos à normalidade quando deixar de existir covid, essa é a única certeza que tenho… nota-se o medo na cara das pessoas. De resto, não tenho a certeza de mais nada. Só sei que dificilmente voltaremos a esta tão desejada normalidade”, conclui.

 

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