Mais 259 “ocupados” do que há um ano

pessoas em Ponta Delgada1O número de trabalhadores em programas ocupacionais aumentou em Setembro deste ano em mais 259 desempregados do que há um ano.

De acordo com os dados consultados pelo Diário dos Açores junto do Instituto de Emprego e Formação Profissional, no final de Setembro último existiam 4.057 desempregados colocados em programas ocupacionais, enquanto que no período homólogo havia 3.788 pessoas.

Dos 4.057 de Setembro último, 1.944 são homens e os restantes 2.113 são mulheres.

De acordo com os números fornecidos por aquele Instituto, existem nos Açores 4.725 desempregados inscritos há menos de 1 ano e 2.217 com mais de 1 ano.

Entre as profissões que estão no desemprego, o maior número é de trabalhadores de limpeza, com 1.049 pessoas, seguindo-se 793 trabalhadores de resíduos e de outros serviços elementares e em terceiro lugar 668 vendedores.

No desemprego registado (novo emprego) por actividade económica, os Açores registam em Setembro 4.857 pessoas desempregadas nos Serviços, 1.271 na Indústria, Energia e Construção, e 279 na Agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca.

Nos Serviços, o maior número de desempregados regista-se na Administração Pública, Educação, Actividades e Saúde e Apoio Social.

Seguem-se 1.031 desempregados no Alojamento, Restauração e similares.

A Construção regista 870 pessoas no desemprego e 238 nas indústrias alimentares das bebidas e do tabaco. 

Jovens são as primeiras vítimas 

da crise

 

A Comissão Europeia considerou ontem que o aumento do desemprego juvenil na União Europeia (UE), devido à crise gerada pela pandemia de covid-19, é “dramático”, falando em 5,4 milhões de jovens desempregados ou fora do mercado de trabalho. 

”Perdemos 4,1 milhões de contratos temporários e isto mostra inclusive quem são as primeiras vítimas desta crise: são os jovens, que estão precisamente com contratos temporários”, disse o comissário europeu do Emprego, Nicolas Schmit.

Falando em conferência de imprensa, em Bruxelas, na apresentação de um relatório sobre o impacto da pandemia de covid-19 no mercado de trabalho, Nicolas Schmit precisou que “o desemprego juvenil (entre os 15 e os 24 anos) aumentou muito mais rapidamente do que o desemprego em geral porque aumentou de 14,9% para 17,1%”, isto entre março e setembro deste ano.

“Estes são dados dramáticos porque temos 5,4 milhões de jovens desempregados, à procura de trabalho, ou simplesmente fora do mercado de trabalho”, destacou o responsável.

Segundo o comissário europeu, o aumento do desemprego em geral tem sido mais “moderado”, ao se ter registado uma subida de 6,4% em março para 7,5% em setembro, dados que têm em conta a adoção de regimes de tempo de trabalho reduzido e de outras medidas semelhantes.

Ainda assim, “estamos à espera de maiores impactos nos próximos meses”, admitiu Nicolas Schmit, sustentando que, “devido à situação do mercado laboral e às circunstâncias da pandemia, as pessoas não vão à procura de trabalho, o que acarreta tremendas consequências em termos de rendimentos e pobreza”.

Aludindo aos dados do relatório, o comissário europeu do Emprego concluiu que “a pandemia atingiu especialmente funcionários em situações não convencionais de emprego e mais do que tudo trabalhadores temporários e com menos qualificações”.

 

Portugal é o 9º pior

 

Ainda no que toca ao desemprego juvenil, o relatório ontem divulgado no âmbito do pacote de outono do Semestre Europeu refere que Portugal é o nono pior país da UE com uma taxa mais elevada, que se fixou em 25,3% no final do terceiro trimestre deste ano após 19,3% no final do primeiro trimestre.

Os países com pior taxa de desemprego juvenil são Espanha, Grécia, Itália, Suécia e Croácia.

No relatório, a Comissão Europeia alerta ainda que, “devido à covid-19, os Estados-membros podem estar a enfrentar uma possível crise prolongada de emprego juvenil que exige novas respostas políticas”.

“A experiência da crise económica anterior cria motivos de preocupação”, alerta ainda o executivo comunitário.

Para que os Estados-membros possam apoiar as suas economias face à crise gerada pela ovid-19, a Comissão Europeia propôs uma suspensão inédita das regras de disciplina orçamental, através de uma activação da cláusula geral de salvaguarda, aprovada pelos ministros das Finanças da UE, e que vigorará pelo menos até final de 2021.