“Adoraria fazer uma tour pelas nove ilhas dos Açores”

  • Imprimir

hugo gomes

Hugo Gomes, de 24 anos de idade, é natural do concelho de Vila Franca do Campo e faz da música a sua vida. A viver na capital, Lisboa, onde estuda Produção Musical, formou a banda “The Sleepwalkers”, que já pisou palcos de Portugal Continental, Espanha e Açores. No próximo ano, o grupo prevê lançar o seu álbum de estreia, mas já lançou dois ‘singles’, “Summer Regrets” e o mais recente “Here comes the rain again”.

Ao Diário dos Açores, o jovem açoriano fala sobre a origem do grupo e conta que a ideia para criar o projecto musical surgiu há cerca de dois anos. “A ideia surgiu em 2018. Estava no continente a frequentar o segundo ano de curso, quando decidi criar uma banda, pois tinha algumas músicas ‘dentro da gaveta’. Publiquei um anúncio num fórum de músicos à procura de um baterista e apareceu a Inês, a nossa actual baterista. Mais tarde, chamei o Chico e o Guilherme, que andaram comigo na escola, para baixista e guitarrista. E assim surgiram os The Sleepwalkers”, conta o músico. 

As principais influências do grupo provêm de uma mistura da sonoridade dos anos 60 e do Indie e Pop Rock contemporâneos. Hugo Gomes,  que é vocalista e guitarrista da banda salienta que inspiração para a criação dos temas vem da experiência do dia-a-dia. “Inspirámo-nos na nossa vida, nas nossas vivências, naquilo que sentimos, vemos, naquilo que ouvimos”, destaca.

Isso mesmo aconteceu com o último single que lançaram, “Here comes da rain again”, explica: “a ideia para esta música surgiu, naturalmente, num dia de chuva. Eu estava em casa, começou a chover e fiquei muito introspectivo, a pensar em muitas coisas. Isso inspirou-me a acabei a escrever”.

O novo ‘single’ apresenta-se com guitarra acústica e piano acústico, com “uma batida suave e uma atmosfera calma e reconfortante”. “Transporta-nos para a altura do ano em que a chuva volta a bater no asfalto e nos refugiamos no conforto das nossas casas, criando um ambiente propício para uma espécie de introspecção meio melancólica”. Uma instrospecção que “é feita com uma certa ansiedade, onde não se sabe bem o que fazer, com “as escolhas na parede e as respostas no chão””, refere a banda, no comunicado de divulgação do ‘single’. “O chegar da chuva lembra-nos que já passou mais um ano e o poema reflecte sobre coisas que passaram, que já não importam, que simplesmente deixámos para trás e só nos apercebemos disso nesse momento”, lê-se aidna.

the sleepwalkers“The Sleepwalkers” têm apenas dois anos de existência, mas já venceram quatro concursos de Música Moderna em 2019 e um em 2020. Pelo meio dos concertos na Península Ibérica e na ilha de São Miguel, o grupo já teve oportunidade de fazer a primeira parte de um espectáculo da banda portuguesa The Gift, nas festas do concelho de Belmonte.

Agora, em tempo de pandemia, Hugo Gomes lamenta que as actuações ao vivo tenham cessado, mas garante que a banda não parou. Foi altura de aproveitar para criar e preparar 2021. 

“Nos últimos meses tocámos apenas uma vez ao vivo… De resto, temos estado mais na sala de ensaios, a preparar novo material e criar coisas novas. Nestes meses, o trabalho da banda tem sido basicamente criativo, estamos dedicados à composição musical e à preparação dos singles que estão a sair”, relata o músico, que lembrou como 2019 foi um ano positivo.

“Antes da pandemia, tivemos um ano muito agitado, que gostaríamos de ter repetido este ano, mas infelizmente não foi possível. Foi muito bom, 2019, demos bastantes concertos, dois em Espanha, muitos em Portugal e fomos também aos Açores, tocamos no Raiz Club e no bar Baía dos Anjos”, recorda, garantindo que estes concertos em São Miguel foram “dos melhores”.

E para quando mais concertos nas ilhas? Hugo Gomes responde que está “sem dúvida” nos planos da banda. “Adoraria voltar aos Açores e, quem sabe, fazer uma tour por todo o arquipélago. Nove concertos em nove ilhas, era mesmo algo que gostava de fazer”, confessa. 

A sua paixão pela música, conta, surgiu muito cedo. “Eu era muito novo, criança ainda. O meu pai tinha muitos discos e eu ouvia também. Tinha cerca de 7 ou 8 anos quando, no meu aniversário, tive uma bateria de oferta e comecei por aí. Tive aulas de bateria e depois fui aprendendo cada vez mais”, relata, recordando que, antes de ir estudar para Lisboa, pertenceu a outras bandas em São Miguel. “Fiz parte de vários projectos de covers e costumávamos tocar pela ilha e em alguns bares de Ponta Delgada”.

Quanto ao futuro no mundo da música, Hugo Gomes recusa criar expectativas. “Os Sleepwalkers, com a nossa personalidade como um todo e individual – pois acabamos todos por trazer a nossa personalidade individual para o grupo –, somos assim: sem expectativas”, adianta.

O importante, frisa, “é fazermos aquilo que gostamos, com toda a dedicação possível, é trabalhar no presente. Claro que pensamos em ter um futuro melhor, mas sem colocar pressão no nosso trabalho. Temos de ser fiéis a nós próprios e o futuro acontecerá”, defende o jovem músico.

Em 2021, até ao terceiro trimestre, Hugo Gomes e a banda vai lançar o álbum completo, intitulado “Summer regrets”, que inclui o tema com o mesmo nome e “Here comes the rain again”. Mas no que toca à previsão de concertos, tudo dependerá da evolução da pandemia.

“Gostava imenso de apresentar o álbum ao vivo. Espero que, na altura, já seja possível. Queremos fazer uma tour e tocar o máximo possível… Esperamos que a situação de pandemia melhore, para passarmos 2021 a tocar e a promover o nosso disco. Quem sabe até criar novos trabalhos”, admite.