Presidente da Junta de Freguesia da Ponta Garça defende mais policiamento e coimas para os prevaricadores

josé eduardo costa - pta garça

Ponta Garça é a freguesia do Concelho de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, com mais casos positivos activos de covid-19. Ao todo, o concelho registava, à data de ontem, 153 casos, sendo que destes, 105 são em Ponta Garça.

Números que estão a deixar a população local receosa, como disse ao Diário dos Açores o Presidente da Junta de Freguesia. José Eduardo Costa revelou que se nota “que as pessoas estão receosas e com algum medo”. 

Por outro lado, advertiu, “também se verifica que existem algumas pessoas que estão a ignorar e que não cumprem as medidas que são impostas e que estão em vigor e que entendem que esse vírus não é com eles e que não lhes afecta”. Contudo, assegurou, “a maioria da população na Ponta Garça está apreensiva com o que se está a passar na freguesia. Temos muitos casos positivos activos, há muita cadeia de transmissão com muitas famílias contaminadas, com, inclusive, dois casos de pessoas que estão internadas” no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, frisou.

Uma situação que também já está a prejudicar a economia local. O autarca revelou, a propósito, que ao nível do comércio essencial as repercussões ainda não são de maior, todavia, adiantou, “os cafés, restaurantes e restante comércio não essencial estão a ressentir-se bastante, vão-se mantendo em actividade mas com algumas dificuldades”, garante, revelando que “as pessoas estão com medo e estão a ficar em casa porque têm receio de ficar contaminadas ao frequentarem estes estabelecimentos. Tudo isso está a deixar os empresários muito apreensivos quanto ao futuro e aos seus negócios”, advertiu, recordando que as empresas “já passaram uma fase complicada durante o primeiro confinamento e agora estão novamente a passar pelo mesmo, sendo que, ao que tudo indica, será para fechar tudo uma vez mais. Estes empresários não vão aguentar muito mais tempo se a situação continuar como está”, alerta.

Perante o cenário pandémico, José Eduardo Costa assegura que a Junta de Freguesia tem estado disponível para ajudar a população. “Estamos a recorrer muito às plataformas digitais ao nosso dispor e temos dado apoio a vários níveis, como por exemplo, ir à farmácia”, comenta, recordando que também a Câmara Municipal disponibilizou uma linha de apoio em parceria com as Juntas de Freguesia do Concelho para ajudar no que a população precisar, nomeadamente ao nível alimentar. 

O autarca assegura que todas as instituições estão atentas “às necessidades da comunidade e posso garantir que as pessoas não estão desprotegidas. Temos ido fazer algumas compras, temos ido buscar cabazes alimentares, tudo o que esteja ao nosso alcance estamos a fazer, bem como a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo”.

Contudo, garante, “não estamos a registar casos de dificuldades de maior. As pessoas ainda estão calmas e não temos tido pedidos em número excessivo. É uma situação que poderá vir a agravar-se, caso o número de casos positivos não diminua. Neste momento, temos famílias inteiras contaminadas e pode ser que no final do mês estes pedidos de ajuda tanto à Junta de Freguesia, como à Câmara Municipal ou ao Governo dos Açores possam aumentar, mas neste momento posso dizer que a situação ainda está controlada”, garantiu.

Ainda assim José Eduardo Costa não esconde a sua preocupação com o evoluir da pandemia. “Todos os dias fico mais preocupado depois de tomar conhecimento dos novos casos positivos. Estou muito receoso quanto ao futuro e à economia local, regional e do país. Estou ainda mais preocupado no que concerne ao sector da saúde. Se o número de casos continuar a aumentar e se houver mais pessoas a terem que recorrer aos hospitais isso é uma preocupação acrescida. As capacidades dos nossos hospitais são finitas e vai chegar uma altura de ruptura”, assevera. 

O autarca considera que “as pessoas têm que ter mais responsabilidade e compreensão”. Como diz, “é preciso cumprir as regras e entender que os meios são finitos e que a área da saúde está a ser muito solicitada. As pessoas têm que compreender isso e perceber que os profissionais de saúde, por quem tenho muita consideração, também estão a passar por uma fase muito complicada. As pessoas têm que compreender que é preciso ficar em casa, principalmente se estiverem contaminadas, e é muito importante cumprir com todas as regras da etiqueta respiratória, distanciamento social e o uso de máscara”, alerta.

 

Mais policiamento na Ponta Garça

 

Apesar de considerar que uma cerca sanitária seria uma opção para a Freguesia de Ponta Garça, José Eduardo Costa não vê que esta medida poderá ter a eficácia pretendida uma vez que “as pessoas vão continuar a sair de casa, como sejam os trabalhadores de construção civil, os da agro-pecuária e lavoura e de mais alguns serviços”. No entender do autarca, “o ideal seria a existência de mais policiamento nas ruas, sensibilizando, numa primeira fase, as pessoas para só saírem de casa para o estritamente necessário. Penso que essa seria mais uma medida adicional que poderia ajudar, sendo que depois de sensibilizar e se as pessoas continuarem a não cumprir, a polícia deveria recorrer a coimas. Acho que esta solução seria melhor que uma cerca sanitária”, refere, adiantando que “se for para fechar a freguesia apenas com uma cerca sanitária, acredito que não terá tanto efeito como o que se pretende porque vai haver sempre quem continue a sair de casa pelos mais variados motivos e podem ser portadores do vírus para dentro da freguesia”.

José Eduardo Costa volta a advertir que “as pessoas têm que compreender que esta doença entrou no mundo, chegou à nossa freguesia, mas não é só dos outros, é de todos e é nossa também e está cá”, finalizou.

 

Por Olivéria Santos