O Convento da Esperança

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DSC 0256O Mosteiro de Nossa Senhora da Esperança foi o primeiro convento de frei­ras que se erigiu em Ponta Delgada. A sua construção foi iniciada em vida do seu fundador, o Capitão Donatário Rui Gonçalves da Câmara que, depois do terramoto de 20 de Outubro de 1522, que arrasou Vila Franca do Campo, passou a residir em Ponta Delgada que já era vila, desde 1499.
Sua mulher, D. Filipa Coutinho, coadjuvada por vários fidalgos, conseguiu concluir as obras, interrompidas ao tempo da morte do fundador, ocorrida em 20 de outubro de 1535.
Foi em 23 de abril de 1540, que as freiras deixaram o convento da Caloura, trazendo a Imagem do Senhor Santo Cristo, e vieram habitar o Mosteiro da Esperança.
Na segunda metade do século XVII, o Convento da Esperança começou a beneficiar de grandes melhoramentos: os célebres azulejos que ainda hoje, se encontram no coro baixo, são da autoria de António de Oliveira Bernar­des; a talha da capela do coro baixo é atribuída a Miguel Romeiro que, em sonhos, a idealizara; a decoração do teto da igreja e da primitiva talha da capela-mor e dos altares laterais foi realizada, em 1658, pelo pintor micae­lense Manuel Pinheiro Moreira, Irmão da Ordem Terceira de São Francisco, em Ponta Delgada, e professor de pintura de suas próprias filhas.
No ano de 1723, havia no Convento da Esperança, 102 freiras e 57 noviças, pupilas e servas. Em 1821, a população do mosteiro era de 108 senhoras: 42 freiras professas, 36 seculares, sem dispensa, e 30 fâmulas. Em 1865, havia 72 senhoras, sendo nove religiosas da Esperança, 11 do Convento da Conceição, uma do Convento de S. João, uma do Convento do Bom Jesus da Ribeira Grande, uma do Convento de Santo André de Vila Franca, 16 meninas que serviam no coro, uma secular, duas senhoras que não faziam serviço, vinte e uma servas da comunidade e onze servas particulares.
As Religiosas de Maria Imaculada foram o quarto instituto a ocupar o Con­vento da Esperança. A última religiosa clarissa, a Madre Abadessa Maria Vicência Cabral, faleceu em dezembro de 1894. Já então, haviam recolhidas que vestiam hábito e continuavam os usos conventuais, não obstante os reparos da imprensa periódica, ainda presa aos decretos anti monásticos de maio de 1832.
Com o Bispo D. António Meireles, na terceira década do século passado, vieram as Visitandinas, a que sucedeu a Congregação de São José de Cluny. Constituído o seu colégio, conforme risco do arquiteto micaelense João Re­belo, na rua Agostinho Pacheco, em Ponta Delgada, coube às religiosas de Maria Imaculada ocupar o convento, em cuja recuperação trabalharam como operárias.
Tinham as Clunicenses confiado à Madre Maria do Carmo o cuidado da Capela do Santo Cristo, dizendo a sua superiora que ninguém melhor do que uma açoriana saberia ocupar-se daquele recinto. A Madre Maria do Carmo era micaelense, sobrinha de Mariano Victor Cabral, notável redator do “Diário dos Açores”.
As religiosas de Maria Imaculada, que ocupam, atualmente, o lugar das antigas Clarissas, ali presentes de 1541 a 1894, têm sido, extremamente, atentas ao significado espiritual do convento e têm dado aos reitores do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres uma excelente cooperação.

Em abril de 1959, o então Bispo de Angra, D. Manuel Afonso de Carvalho, declarou Santuário Diocesano a Igreja do Santo Cristo.

Abaixo se transcreve um extrato do decreto episcopal:

“Dom Manuel Afonso de Carvalho, por mercê de Deus e da Santa Sé Apos­tólica, Bispo de Angra:
(...) Para que este culto de Jesus Cristo Rei não esmoreça e a Paixão do Senhor absorva plenamente as almas, sem que surja qualquer vislumbre de prática ou ato menos conforme com o espírito e orientação da Santa Igreja, havemos por bem:
1) Declarar a Igreja do Santo Cristo dos Milagres Santuário Diocesano e confiar a sua administração a um sacerdote especialmente designado por Nós;
2) Recomendar a todos os reverendos Párocos e Sacerdotes que incutem nos fiéis o verdadeiro espírito de piedade e fervor para com o Santo Cristo, prevenindo-os dos perigos por ocasião da festa anual, a fim de que todas as suas ações sejam para a maior glória do Senhor;
3) Exortar todos os Açorianos, de qualquer categoria que sejam, a que, nas horas de tribulação como nas de bonança, invoquem, com verdadeiro es­pírito de fé, o Senhor Santo Cristo e Lhe peçam que lhes conserve a pureza do coração, a resignação nos infortúnios e, dum modo especial, a graça para levarem uma vida conforme com a vontade do mesmo Senhor, a fim de um dia O poderem aclamar no seu Reino de glória.
Dado em Angra e Paço Episcopal, aos 22 de abril de 1959.”
O Convento da Esperança