Censo aos milhafres envolveu 900 voluntários em seis anos

milhafreAs edições do Censo de Milhafres, nos Açores, que decorrem desde 2006, contaram com o envolvimento de cerca de 900 voluntários, que recolheram dados que permitem avaliar o estado da população desta ave, a mais emblemática do arquipélago.
“Ao longo dos anos tem sido possível envolver centenas de voluntários. Já estamos com o esforço de cerca de 900 voluntários nestas edições”, disse à Lusa Carla Veríssimo, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), que promove a iniciativa desde 2006.
No Sábado e no Domingo, a SPEA realiza, pela oitava vez, um censo desta espécie, em sete das nove ilhas dos Açores, à excepção das Flores e do Corvo, onde não existem milhafres. Uma contagem que se realiza também no arquipélago da Madeira, onde a ave é conhecida como Manta.
Carla Veríssimo sublinhou que o projecto tem permitido constatar que “a população daquela espécie está estável”, desde 2006 até à actualidade, “a nível de aves por quilómetro” e a ideia será “continuar a obter mais dados” para “continuar a desenvolver este gráfico de estimativas”.
Segundo a SPEA, “em 2012, nos Açores, com o esforço de 169 voluntários, foi possível avistar 552 milhafres nos cerca de 1.800 quilómetros percorridos”, enquanto na Madeira os “36 voluntários percorreram cerca de 420 quilómetros e registaram 32 mantas”.
Além de envolver a população, “quem de facto acaba por conhecer melhor certos comportamentos e habitats preferidos pela espécie”, Carla Veríssimo disse que o projeto científico permite também “uma base de dados com resultados que só são possíveis devido à participação e ao contributo destes voluntários” e assim “estimar um número para a população de milhafres, pouco estudada no arquipélago”.
“É a Cidadania na Ciência (Citizen Science), que permite a participação de qualquer pessoa em projectos de ciência mesmo que não tenham conhecimentos específicos”, sublinhou, frisando que no caso concreto do censo aos milhafres um participante “basicamente só precisa de saber distinguir” esta ave de rapina e preencher posteriormente uma ficha com os quilómetros percorridos e cada quilómetro onde é feita a observação.
Carla Veríssimo referiu que o objectivo é tentar fazer a observação “nos mais variados locais”, porque “o não observar milhafres no dia do censo é também resultado”, lembrando que a espécie pode ser avistada em zonas florestais, áreas costeiras, de pastagens e até mesmo zona urbanas, pelo que a participação dos voluntários “é fundamental”.
Conhecido nos Açores como Milhafre ou Queimado (Buteo buteo rothschildi) e na Madeira como Manta (Buteo buteo harterti), esta espécie possui um estatuto de conservação pouco preocupante.
No entanto, desempenha um papel ecológico fundamental, nomeadamente no controlo de certas pragas (ratos e coelhos). Até ao momento foram já definidas mais de 20 rotas pelos voluntários, sendo São Miguel e Terceira as ilhas com maior número de voluntários já inscritos.
Nas ilhas de maior dimensão como São Jorge e o Pico tem sido mais complicado obter uma boa cobertura de todo o território pelo que apelamos a todos os interessados que se juntem a nós nestas contagens.
Nas ilhas onde a espécie ocorre (grupos central e oriental) são muitas as áreas onde ainda não existem equipas para o censo. A colaboração do máximo de voluntários é essencial para obter dados robustos sobre o estado desta espécie nos Açores. Estes censos para além de serem importantes para obter informação sobre esta espécie, são ainda uma forma divertida de aprender e de passar algum tempo com amigos e família.