Açores sob sequestro

sata-internacional1O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) entregou à administração da SATA o pré-aviso de greve que confirma a paralisação em seis dias de abril e maio, anunciou a estrutura sindical. Deste pré-aviso consta também “a garantia de que os serviços mínimos e os voos de emergência serão assegurados” durante a greve, agendada para os dias 23, 24 e 25 e abril e 02, 03 e 04 de maio.
Mas isso realmente de pouco vale: as datas foram escolhidas para prejudicarem sobretudo as Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, que se realizam de 2 a 9 de Maio, e o Sata Rally Açores, que decorre entre 25 e 27 de Abril.
Algo ironicamente, o comunicado refere que “não queremos prejudicar ninguém, muito menos os açorianos. Procuramos apenas a igualdade de direitos entre os trabalhadores do continente e os insulares. Estão garantidos os serviços que consideramos serem os mínimos e indispensáveis para evitar qualquer tipo de isolamento, mas temos de vincar a nossa posição”, diz Bruno Fialho, diretor do SNPVAC. “Só é pena que, ao contrário de nós, a administração do Grupo SATA não tenha pensado mais nos seus passageiros em geral e, sobretudo, nos açorianos em particular”, acrescenta Bruno Fialho.
O sindicato já havia anunciado no início deste mês a decisão dos tripulantes de cabine de avançarem para a greve na transportadora aérea açoriana SATA, tendo os pilotos anunciado depois a sua adesão. “Não houve quaisquer desenvolvimentos desde a semana passada. A administração mantém-se intransigente e sem qualquer abertura em relação às propostas apresentadas, por isso não nos resta outra alternativa a não ser avançar para a greve. Queremos ver regularizada a situação de todos os trabalhadores do Grupo SATA e, desta forma, esperamos obter alguma reac ção dos responsáveis”. O sindicato sublinha que a medida surge como “resposta à relutância dos responsáveis da companhia aérea insular em aplicar na SATA Air Açores e SATA Internacional o memorando de entendimento celebrado com o Governo da República”, que evita cortes salariais médios de 5%. A posição do Governo Regional fora que “não vai dar nenhuma indicação ao conselho de administração da SATA para cometer uma ilegalidade” e assim evitar greves na companhia aérea”.

Agentes de viagens desesperados

A Associação de Agências de Viagens (APAVT) considerou de imediato “ilegítima” e “egoísta” a greve anunciada por coincidir com os “dois dos poucos eventos que os Açores têm para atenuar a sua sazonalidade”.
“Os Açores acabaram de ser sequestrados pelos sindicatos e todos nós temos que pedir o fim deste sequestro”, disse à Lusa o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, realçando que “a acção é perfeitamente ilegítima por mais legítimos que sejam os interesses defendidos pelos sindicatos que anunciam esta greve”.
O porta-voz das agências de viagem realçou que os efeitos da greve dos trabalhadores da SATA serão “mais desagradáveis” do que a paralisação convocada na TAP para Março, que entretanto foi desconvocada, devido à “grave insularidade e sazonalidade” do arquipélago.
“É preciso pensar que os Açores têm um problema grave de insularidade e de sazonalidade, enfrentando ocupações médias na hotelaria de cerca de 30%. Neste momento, a ocupação estará abaixo dos 20%, em alguns casos abaixo dos 15%”, declarou.
Pedro Costa Ferreira explicou que a greve foi marcada para “uma altura em que acontecem dos poucos eventos – o Rally dos Açores e a festas do senhor Santo Cristo, em São Miguel, – e um egoísmo face à população açoriana”.
“Não devemos esquecer que a SATA é um dos poucos instrumentos de atenuação do desenvolvimento dos Açores e contribuir para o enfraquecimento da SATA é contribuir para o isolamento do arquipélago mais do que ele já está”.
Assim, a APAVT apelou à rápida desconvocação da greve, que “foi tão inconscientemente anunciada”, pedindo que “não comecem com reuniões para as próximas semanas para chegarem a um entendimento na véspera da greve”, o que seria catastrófico para o turismo dos Açores.