Contestação à greve da SATA continua a subir de tom

sata2Continua a subir de tom a contestação popular à greve da SATA anunciada pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), para a altura do Rally Açores e das Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres.
Francisco Coelho, director do Rally, disse mesmo à Antena 1 que “os açorianos têm de dar uma resposta muito forte a este tipo de situações”, enquanto que o Padre Weber Raposo, em artigo de opinião no Correio dos Açores, fala em “chamar a atenção para a necessidade de uma maior sensibilidade dos proponentes destas greves face as enormes necessidades primárias com que se defrontam muitos açorianos e aos grandes prejuízos que a sua concretização acarreta, parece-me ser um dever de todos aqueles que acreditam que promover o bem comum é também uma forma de realização pessoal”.
No Facebook foi criado um movimento intitulado “Exigimos o Cancelamento da Greve da SATA” que rapidamente congregou mais de 100 dos cibernautas mais activos naquela rede social. O mote dessa página é que “dada a crise do sector do turismo nos Açores e a situação de emergência social na Região e em Portugal, consideramos uma absoluta irresponsabilidade e egoísmo a greve convocada pelos sindicatos da SATA”.
As opiniões começam a ser cada vez mais agressivas, havendo mesmo quem questione a “açorianidade” dos trabalhadores que aderiram à greve. Há já quem defenda que a SATA “deve ser privatizada” e outros que entendem ser a prova que a empresa já não serve os açorianos e que por isso a opção pelos Low Cost apresenta-se como a mais correcta. A SATA recebeu em 2012 cerca de 26 milhões de euros de indemnizações compensatórias para as rotas inter-ilhas.
Os prejuízos já são enormes e tudo indica que a contestação destina-se sobretudo a ter um carácter punitivo desta medida! Segundo a Agência Lusa, Nelly Pedro, que organiza e promove excursões aos Açores a partir do Canadá, admitiu que “os voos estão cheios entre Toronto e Ponta Delgada,  não só por emigrantes açorianos, como por pessoas que visitam pela primeira vez os Açores numa viagem de âmbito religioso e que engloba as comemorações de Fátima. É muito triste que os passageiros da emigração e da diáspora não só estejam a sofrer com isso, porque pensam se vão lá chegar a tempo e a horas. Já pagaram a sua viagem, já fizeram os seus planos, nós temos jantares confirmados, almoços, transportes e fica tudo em dúvida se realmente vai haver voo ou não”, admitiu Nelly Pedro.
E Afonso Costa, da Sagres Travel, em Boston, também admitiu à Antena 1 que “as pessoas estão preocupadas e reclamam. As pessoas cada vez se preocupam mais porque pouco a pouco há greves, se não é na SATA é da TAP, se não é da TAP é dos pilotos ou dos trabalhadores do aeroporto, e claro isto é uma confusão do inferno para o qual as pessoas que vivem neste país não têm paciência”, afirmou, indignado.
A SATA é a única companhia que faz a ligação directa entre Toronto e Ponta Delgada.
O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), que representa os tripulantes, anunciou na sexta-feira que foi convocada uma greve na SATA por um período de seis dias, em 23, 24 e 25 de Abril e 2, 3 e 4 de Maio. A paralisação foi aprovada em assembleia geral do sindicato, devendo estender-se a outros trabalhadores da companhia açoriana, como os pilotos e os técnicos de manutenção. Está em causa o facto de a SATA não ter ainda adoptado o acordo alcançado na TAP em meados de Março, que permite eliminar o impacto dos cortes salariais previstos no Orçamento do Estado para este ano (cerca de 5% do vencimento).