Empresas açorianas com crédito 30% superior à média nacional

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notasNo 1º trimestre de 2013 o montante de crédito concedido às empresas açorianas caiu 1,66% para um total de 2.374 milhões de euros. À primeira vista, a Região segue a tendência nacional, com um montante de dívida às empresas que é de 2,22% do total nacional, o que ainda fica ligeiramente abaixo do peso das empresas, que é de 2,31% do total do país. O problema é que em termos de volume de negócios, as empresas dos Açores apenas facturam 1,55% do total nacional (dados de 2011 do INE)...
No país, a média de empréstimos por empresa devedora é de 470 mil euros, com um total de devedores que corresponde a 20,4% do total de empresas em actividade. O Banco de Portugal não tem o indicador do “número de empresas devedoras” desagregado ao nível da Região, mas caso a percentagem de empresas devedoras seja a mesma do país, a média de empréstimos é de 454 mil euros por empresa nos Açores. Ou seja, menos cerca de 3,3% da média das empresas nacionais.
O problema é mesmo a baixa facturação nos Açores. Se em vez do número de empresas se tiver em conta a facturação – que é o indicador mais preciso para avaliar a saúde da economia –, as empresas açorianas apenas deveriam ter um montante de crédito de 1.651 milhões de euros, ou seja, menos cerca de 30% do volume actual. Por outras palavras, tendo em conta a economia real, as empresas açorianas têm um esforço de crédito 30% acima das nacionais...
Era essa a relação que existia até ao ano de 2004, mas desde então o endividamento empresarial disparou. Em 2004, as empresas açorianas eram responsáveis por 1,3% do volume de negócios do país e 1,6% do crédito. Era um desequilíbrio bastante inferior ao actual: de 2004 até 2013, o volume de negócios das empresas cresceu 39% mas o crédito aumentou 122%.
E não parece haver maneira de parar: desde o 4º trimestre de 2010, o crédito às empresas no país baixou em todos os trimestres, enquanto que neste período apenas caiu 4 trimestres nos Açores em  10 possíveis. Obviamente, o peso do crédito regional foi sempre aumentando.
É verdade que o volume de crédito também reflecte o dinamismo da economia e por esse prisma percebe-se a redução da actividade económica no país. Mas será que se percebe essa dinâmica na economia regional? Dificilmente, uma vez que o volume de negócios não tem acompanhado esse aumento – e o crescimento significativo do desemprego é prova inequívoca do contrário.
É provável que as sucessivas linhas de apoio lançadas pelo Governo tenham a sua quota parte de responsabilidade na manutenção do  nível de crédito. Eventualmente até podem ser responsáveis pela manutenção de postos de trabalho por evitarem no imediato uma contracção mais radical por parte das empresas.
Essa influência pode ser também responsável pelo comportamento do crédito mal parado, que neste momento está-se a manter bem melhor que a nível nacional: “apenas” 7,2% de incumprimento nos Açores, enquanto que no país já vai em 11%. A realidade, no entanto, é que essa disparidade nunca aconteceu no passado. Em geral este indicador seguia a tendência nacional com uma variação muito ténue, em geral abaixo de 1 ponto percentual de diferença. A partir do 1º trimestre de 2012 as diferenças passaram para 2 pontos, e no 1º trimestre de 2013 atinge mesmo os 3,8 pontos percentuais.
Não pode ser considerado negativo que a intervenção governamental possa estar a contribuir para uma certa acalmia no crédito vencido ou mesmo na manutenção do crédito concedido. Mas a conta final poderá ser muito penalizadora para as empresas regionais, que neste momento estão claramente mais endividadas que as suas homólogas nacionais, sem que se vislumbre qualquer crescimento da actividade económica que possa colmatar esse aumento do peso da dívida.