Arranca hoje o maior concurso de vacas leiteiras dos Açores

vacas2Arranca hoje o conhecido Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia (que já vai na 12ª edição), promovido pela Associação Agrícola de São Miguel, apresentando, uma vez mais,  um cartaz festivo, com provas de carne, barraquinhas, animação infantil e música das nossas ilhas.
São três dias de festa, que terminam no domingo, cujo principal objectivo, segundo Jorge Rita, presidente da Associação Agrícola, “é promover a qualidade do sector agrícola e dar a conhecer a todos a excelência dos animais da raça Holstein Frísia que existem em São Miguel que podem ser equiparados aos melhores do mundo”, afirma, salientando que “todos os que nos visitam podem, não só admirar a qualidade dos animais presentes, mas também experimentar e provar a qualidade dos nossos produtos, além da muita animação que está preparada para os visitantes”.
Em declarações ao nosso jornal, Jorge Rita explica que a qualidade do que é “açoriano” tem de ser realçada, por isso, “a componente lúdica assenta num programa de cariz regional, através de grupos regionais, grupo folclórico, humor regional e cantigas ao desafio e velhas da Terceira, além das barraquinhas típicas com petiscos regionais”.  A par destas actividades, a associação criou, para a edição deste ano,  um programa especial para as crianças.
O dirigente associativo sublinhou a importância que esse concurso tem para os nossos agricultores e nossa lavoura, mencionado que serve de “estímulo e incentivo para todos, não só para os que trazem os animais, mas também para os restantes, já que nestes eventos podemos verificar o trabalho extraordinário, o entusiasmo, a grande vontade e convicção que os lavradores têm em relação ao concurso, sabendo que pode ser uma mais-valia para a sua exploração, que ao aproveitar esta montra, podem valorizar os seus animais, e daí poderem tirar algum rendimento na venda de genética da sua própria exploração”.
Jorge Rita destacou, de igual modo,  o facto de os próprios passadores dos animais terem tido “uma grande evolução nos últimos anos, inclusivé a equipa portuguesa participante no confronto europeu realizado em Itália em 2012 que foi constituída por elementos da Associação Agrícola de São Miguel, e que obtiveram classificações honrosas e dignificaram a região”, fruto do trabalho e formação que a associação tem desenvolvido.
Indicando que existem na região entre 95 a 100 mil vacas (São Miguel tem 60 mil), este ano o concurso pecuário terá cerca de 240 animais em competição, respeitantes a 80 explorações agro-pecuárias, oriundas de todos os concelhos da ilha de São Miguel.
Para os animais serem premiados, “devem ser sujeitos a um conjunto alargado de etapas, que passam pela tosquia de diferentes regiões anatómicas do animal, pelo desfile em pista, pelo tipo de alimentação a fornecer aos animais antes e durante o concurso e pelo cálculo do número de horas de leite que deve ter um animal antes de entrar em pista, de forma a conseguir um úbere bem inserido e equilibrado”, explica.
Além destas vertentes, “existe um tratamento adequado que os animais devem ter nas explorações de forma a poderem potenciar a suas características”.
Jorge Rita revela ainda a sua ambição deste festival se tornar internacional, mas reconhece que não é fácil a sua concretização: “este é um concurso já devidamente reconhecido tanto a nível nacional como a nível internacional, em função da qualidade dos animais em prova, que poderiam competir em concursos internacionais em condições paritárias, já que o esforço que tem sido feito pelos produtores regionais na melhoria dos animais, tem permitido a excelência nas explorações agro-pecuárias. Este é também o resultado da aposta genética nas manadas e do aperfeiçoamento do maneio alimentar que se tem verificado nos últimos anos e décadas, por isso, a ambição de ser um concurso internacional é legítima e justificada, embora saibamos que não é fácil a sua concretização”.
O principal entrave “é claramente logístico”, prossegue, pois “é muito complicado trazer animais de vários pontos da Europa. Sabemos que vivemos em ilhas e isso tem um custo. Essa é a razão principal. Não é pela qualidade dos nossos animais nem pelo espaço porque o Parque de Exposições terá no futuro todas as condições para se fazer um concurso europeu”, sublinha.  
Apesar de as infra-estruturas serem “limitadas” devido às obras do Parque de Exposições, Jorge Rita espera que “as pessoas nos visitem neste espaço que continua a ser agradável e único  e que não venham só pela animação que está programada, mas venham essencialmente pelo contacto com os animais e pelas vacas”.
Uma das grandes atracções do evento é o concurso juvenil que decorre hoje, estando reservado para a noite o concerto da Banda Lado Lunar.
Amanhã decorrerá o concurso de vitelas e novilhas, estando previsto o tributo aos ABBA. O domingo será o dia com mais actividades, com o concurso de vacas leiteiras, a entrega dos prémios do concurso bovino, e as actuações do Grupo Folclórico de Santa Bárbara, Tia Maria de Nordeste e Cantigas ao desafio e velhas da Terceira.
Serão atribuídos prémios monetários para os três primeiros lugares de cada secção, cujos valores ainda não estão quantificados.
Os animais serão avaliados por um júri canadiano.