Família acredita que homem encontrado na Povoação é o de Santo António

joao machadinhoApesar de não ser possível identificar o corpo pelo seu estado físico, o irmão de João Guilherme, que desapareceu há cerca de um mês na freguesia da costa Norte  de São Miguel, garante que é ele, devido à roupa e ao calçado do mesmo...

 

O corpo  encontrado na passada quinta-feira junto à costa da Povoação pode ser o João Guilherme Machado que desapareceu a 30 de Maio na freguesia de Santo António.
Segundo o irmão do desaparecido, André Machado, a família recebeu um telefonema da Polícia Judiciária  descrevendo que o corpo recolhido no mar calçava umas botas número 40, o que corresponde  ao número de calçado de João Guilherme.
Contudo, dado o estado avançado de putrefacção, não é possível identificar o homem pelo físico,  mas a família da costa Norte de São Miguel desespera por não poder ver o corpo:  “Queríamos vê-lo, mas não nos deixam. Não percebo porquê porque por aquilo que nos disseram, a roupa e as botas indicam que seja ele. Ele estava com calças de ganga, botas de couro castanhas e calçava o número 40, tal como o corpo que foi encontrado na Povoação”, acentua.
Além disso, prossegue, “temos um amigo nosso que trabalha no hospital de Ponta Delgada e disse-nos que é muito provável que seja ele”.
Recorde-se que João Guilherme Machado, de 31 anos, natural e residente em Santo António, foi visto pela última vez a correr num terreno junto ao cemitério daquela freguesia, desamparado. João Guilherme trabalhou durante mais de 10 anos na Novicol–Cooperativa Agropecuária Agricultores Santo António e Santa Bárbara, mas foi despedido há cerca de sete meses e, enquanto desempregado, fazia alguns trabalhos de camponês.
No dia 30 de Maio estava, precisamente, a podar uma vinha naquela freguesia atrás de uma habitação, quando às 11h00 pediu um copo de água à dona da casa por “estar a sentir-se mal-disposto”. Após beber a água, a senhora nunca mais o viu.
Por volta do meio-dia foi visto “às corridas” num terreno perto do cemitério de Santo António, localizado junto ao parque de merendas e zona balnear do Rosário.
Questionado sobre o que suspeita ter acontecido ao seu irmão, André Machado acredita que se ele não terminou o trabalho na vinha foi porque “deve ter-lhe dado algum princípio de derrame cerebral, pois em Fevereiro do ano passado já lhe tinha dado um”. Como foi visto pela última vez junto ao cemitério [que fica relativamente perto do mar], “se calhar, por causa da transpiração foi lavar a cara e caiu para a água quando lhe deu, então, um derrame cerebral”.
O irmão do desaparecido refere ainda que ele sabia nadar desde pequeno, embora não fosse muita vez para o mar.
João Guilherme, solteiro e sem filhos, pertence a uma família de nove irmãos, contando com ele próprio–cinco rapazes e quatro raparigas–, tendo os pais já falecido.
Foi também possível apurar o facto de o desaparecido não sofrer de epilepsia, como anteriormente havíamos noticiado no nosso jornal.
Tentámos ainda obter junto da Polícia Judiciária mais pormenores sobre o corpo que foi encontrado na Povoação, mas tal não foi possível até ao fecho da nossa edição.