GNR admite que há fortes indícios de lutas ilegais com cães nos Açores

cãesAinda não foi possível identificar as pessoas envolvidas, mas há fortes indícios de existirem lutas ilegais de cães nos Açores, especialmente, nos concelhos de Ponta Delgada e Ribeira Grande.
José Santos, responsável pelo SEPNA – Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente – na região, diz, em declarações ao nosso jornal, que já recebeu “algumas denúncias de lutas ilegais de animais, mas sem identificarem as pessoas envolvidas que promovem estas ilegalidades, pelo que até à presente data não nos foi possível detectar essas situações”, sublinhando, no entanto, que a GNR está atenta a este tipo de acções ilegais e a efectuar as diligências necessárias para identificar os seus autores.  Particularmente na ilha de São Miguel, essas lutas, segundo as informações recebidas pelo SEPNA, ocorrem essencialmente nos concelhos de Ponta Delgada e Ribeira Grande.
O sargento avança ainda que se “presume” que essas lutas são feitas com cães de várias raças porque já recolheram “cães de raça indeterminada que tinham feridas que se supõe terem sido provocadas por uma situação de luta”. 
Situações de cães com este tipo de ferimento acontecem também, frequentemente, no canil de Ponta Delgada.
Maria Couto, responsável pelo canil, refere que recebe cães abandonados com feridas que sugerem terem participado nessas lutas e diz, também, que “todas raças são procuradas para essas actividades, desde Cães de Fila a Rottweilers, …”, embora os Pit Bull seja a raça preferida para as lutas entre cães em todo o mundo, até porque são apontados como tendo sido criados para este fim. Maria Couto revelou-nos ainda que tem havido roubos de animais no canil de Ponta Delgada, mas “é impossível determinar se o roubo foi feito com essa finalidade”.
A actual situação económica pode ter incentivado ainda mais essas actividades clandestinas, já que essas lutas atraem apostadores, mas o mero “divertimento” pode estar por detrás desses actos contra o bem-estar animal.  Precisamente nesse sentido, o sargento José Santos explica que as lutas entre animais são “tipificadas como crime” e “quem promover ou participar com animais em lutas entre estes é punido com pena de prisão até um ano ou com multa”.
Segundo os relatos conhecidos a nível nacional, depois das apostas – que são uma forma de ganhar dinheiro e de rentabilizar os investimentos na criação e tratamento dos animais – , os cães avançam para a luta, sempre comandados unicamente pela voz do dono.
A vitória é, normalmente, atribuída ao lutador que der a primeira dentada no adversário. Isso deve-se ao facto de um cão que seja ferrado perder, praticamente, 50% das suas capacidades e ficar física e psicologicamente derrotado.
No entanto, nem sempre o combate pára por aí. Há casos em que o combate prossegue até à morte de um dos lutadores. Para isso, basta que os donos continuem a incitar os animais.
Força, agilidade e rapidez, a par da obediência ao dono, constituem as características fundamentais para um bom cão de combate.  É preciso ainda “ensinar” o animal a morder, devendo ser incitado a procurar o pescoço e evitar as zonas do tronco e dorso do adversário, sob pena de lhe provocar danos irreparáveis.
Além disso, um golpe na traqueia pode ser mortal, com a agravante de não estar assegurado um apoio veterinário rápido, que minimize os efeitos das lesões.
Com vista a sensibilizar as pessoas ao bem-estar animal, a GNR nos Açores já efectuou, desde 2007, 140 acções nesse sentido, das quais 73 foram realizadas este ano.

Cães de raças perigosas obrigados a andar com açaimo na via pública

Os cães de raças consideradas potencialmente perigosas na legislação portuguesa são obrigados a circular com açaimo na via pública e uma trela curta, até um metro de comprimento. As raças definidas como potencialmente perigosas são Cão de Fila brasileiro, Dogue argentino, Pit bull terrier, Rottweiller, Staffordshire terrier Americano, Staffordshire bull terrier e Tosa inu.
Estes cães necessitam ainda de estar num alojamento apropriado e receber treino obrigatório com vista à socialização e obediência do cão. A reprodução ou venda de cães desta raça também é proibida.
A legislação portuguesa determina ainda que o proprietário de um cão de uma raça potencialmente perigosa precisa de ter mais de 16 anos, possuir uma licença especial anualmente na Junta de Freguesia, apresentar o boletim sanitário do animal, colocar um chip no cão, registar o animal, entregar um termo de responsabilidade, garantir um seguro de responsabilidade civil, apresentar um registo criminal sem condenações por crimes contra a vida e promover a esterilização do cão.
Apesar de todos os esforços da GNR, a maioria dos cães de raças consideradas potencialmente perigosas em Portugal ainda está ilegal nos Açores.

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