Executivo quer mais protecção para os recursos pesqueiros dos bancos submarinos

O Governo dos Açores pretende aproveitar a reforma da Política Comum de Pescas para assegurar maior protecção aos recursos pesqueiros dos bancos submarinos, que não estão suficientemente protegidos com a zona de limitação de pesca de 100 milhas.

"Queremos substituir a zona de protecção das 100 milhas por uma que abranja os bancos e montes submarinos, onde se registou um aumento muito elevado do esforço de pesca", afirmou Marcelo Pamplona, subsecretário regional das Pescas, recordando que há vários montes submarinos no Mar dos Açores que estão fora do limite das 100 milhas.

Para Marcelo Pamplona, que falava numa conferência de imprensa em Ponta Delgada, a proposta que vai ser apresentada à Comissão Europeia, em articulação com o governo português, "é sustentável e vai ao encontro da protecção dos montes submarinos".

"A Zona Económica Exclusiva dos Açores tem habitats marinhos muito especiais e sensíveis, associados às fontes hidrotermais de grande profundidade, aos prados de corais de águas frias e aos montes submarinos, que, apesar de reconhecidos internacionalmente, ainda não foram devidamente tidos em conta na política comum de pescas", frisou.

Nesse sentido, o Governo dos Açores pretende aproveitar as negociações para a reforma da Política Comum de Pescas, que estará em vigor de 01 de janeiro de 2013 até 31 de dezembro de 2022, para propor uma "nova abordagem direccionada para a protecção dos mananciais pesqueiros existentes nos montes submarinos".

Marcelo Pamplona alertou que a zona entre as 100 e as 200 milhas está aberta à pesca com palangres de grande intensidade, o que pode "colocar em causa a conservação dos recursos".