Feiras Comunitárias da Ribeira Grande querem criar laços novos na comunidade

Feira Comunitária RGO mercado municipal da Ribeira Grande, Açores, recebe no fim de semana mais uma “feira comunitária”, iniciativa de um grupo de cidadãos que querem assim criar um espaço de socialização e para repensar modos de vida.
Na Feira Comunitária da Ribeira Grande só são permitidos artigos de produção industrial se forem em segunda mão. Os protagonistas são os produtos caseiros e artesanais, fruto de “saberes quase ancestrais que se foram perdendo”, como sabonetes feitos em casa com restos de óleo, explicou à Lusa Cassilda Pascoal, da organização.
Há ainda as produções locais, sobretudo hortícolas. Ao lado das bancas de compra, venda e/ou troca, vão-se desenrolando actividades culturais, pedagógicas e recreativas, como concertos com artistas locais, iniciativas promovidas por centros de ciência da ilha de São Miguel ou pelo centro de interpretação do priolo ou ‘workshops’ de artes circenses.
A ideia, explicou, surgiu em conversa com amigos, todos eles naturais e residentes na Ribeira Grande, que se lembravam bem de que quando cresceram cumprimentavam todas as pessoas “de uma ponta à outra da freguesia” e hoje nem conhecem quem vive na casa do lado.
“Sentimos falta dessa solidariedade e sentido comunitário”, disse, acrescentando que a ideia foi criar um “local de socialização” e “contribuir para repensar a forma de consumo” actual, havendo no projecto preocupações também económicas e ambientais. Neste caso, o objectivo é também ajudar a consciencializar para a importância de dinamizar a economia local.
A primeira Feira Comunitária da Ribeira Grande realizou-se em Dezembro de 2012, na escola primária da freguesia. A segunda edição foi em Junho, já no mercado municipal. Ontem e hoje encontra-se a decorrer a quarta feira, estando as edições agora marcadas para os últimos fins de semana de cada mês.
“A ideia é que sejam sempre grupos de cidadãos a organizarem as coisas entre si e com os recursos que têm”, explicou Cassilda Pascoal, revelando que a câmara deixa no mercado os materiais que cada feira precisa, “mas não monta, é tudo organizado pelos cidadãos que estão a participar” ou por pessoas que estão de passagem e lhes é pedida ajuda.
Cassilda Pascoal diz que se têm “criado laços muito fortes”, cumprindo assim aquele que é o objectivo fundamental do projecto.
“As pessoas acabam por trocar experiências e conhecimentos e por contactar fora da feira, para depois trocarem alguma coisa. Para já, tem correspondido às nossas expectativas. Era isso mesmo que nós queríamos, reforçar os laços entre as pessoas, que fosse um sítio de partilha de experiências e, acima de tudo, para repensar a maneira como temos vivido nas últimas décadas”, sublinhou.
Hoje, a feira está aberta ao público entre as 15h00 e as 20h00.