Cada passageiro transportado custou 96,5 euros à Atlanticoline em 2012

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AtlanticolineA Atlanticoline gerou em 2012 cerca de 2,8 milhões de euros de receita, o que representou cerca de 22,6% dos custos que a empresa teve no ano. Entre 2011 e 2012, esse défice piorou: as despesas aumentaram 1,07% para 12,355 milhões de euros, enquanto que as receitas baixaram 8,27% para 2,792 milhões de euros. Objectivamente, o total de receitas da empresa não chegou para cobrir os custos com o combustível, que em 2012 aumentaram para 3 milhões de euros...
Os “fornecimentos de serviços externos” constituem o grande culpado deste estado de coisas. Em 2012 essa rúbrica representou 10,2 milhões de euros, o que representa 82,6% desses serviços. O fretamento dos navios, com 6,16 milhões de euros, representam 60% dessa rúbrica e praticamente o dobro do que é gasto em combustível. Só o fretamento, é mais caro do que todas as despesas de funcionamento mais os gastos com pessoal...
Por cada bilhete comprado na Atlanticoline, que em 2012 custaram por passageiro cerca de 15,4 euros,  houve outros 104,8 euros que tiveram de entrar na empresa para compensar o seu custo. Desses, 8,27 euros foram obtidos através de outros gastos a bordo dos navios. Mas os restantes 96,6 euros tiveram de ser obtidos através do recurso à banca e de subsídios do Governo.
O passivo da Açorline atingiu em 2012 os 9 milhões de euros, que tiveram de ser cobertos por 9 milhões de euros de “subsídios à exploração”. Refira-se que a SATA Air Açores, nas rotas inter-ilhas, recebe cerca de 19 milhões de euros do Plano de Investimentos, só que em 2012 movimentou 343 mil passageiros. Ou seja, para quase o dobro em subsídio, movimentou quase o triplo de passageiros.
Entre 2010 e 2012, o Governo Regional atribuiu à Atlanticoline um total de 29,7 milhões de euros de subsídios à exploração...
O resultado é que a empresa terminou o ano, com um lucro de 96 mil euros. A administração da empresa alega, no entanto, no seu Relatório e Contas, que o Governo Regional não transferiu a totalidade desse subsídio e que por essa razão teve de recorrer a um empréstimo bancário de 2 milhões de euros e de gastar o ‘plafond’ de duas contas caucionadas, num total de 3 milhões, para fazer face a todas as despesas.
Segundo a Lusa, a Atlânticoline tem  a receber dos Estaleiros Navais de Viana dos Castelo, uma indemnização de 7 milhões de euros, relativa à devolução do navio “Atlântida”, adquirido pela Região, mas recusado mais tarde por não cumprir todos os requisitos do caderno de encargos.
O passivo da empresa pública tem vindo, por isso, sempre a aumentar, e já vai em quase 10 milhões de euros, cerca do dobro do que tinha registado dois anos antes (5,4 milhões de euros em 2010).
A operação marítima da Atânticoline é assegurada por dois navios (“Express Santorini” e “Hellenic Wind”), ambos fretados ao armador grego Hellenic Seaways, um dos quais opera entre as ilhas do Grupo Central (Faial, Pico, São Jorge, Terceira e Graciosa), e o outro entre o Grupo Central e o Grupo Oriental (São Miguel e Santa Maria).
A empresa possui ainda uma pequena embarcação de transporte de passageiros “Ariel”, que assegura ligações regulares entre as ilhas do Grupo Ocidental (Flores e Corvo).
Em 2012 foram realizadas 1240 viagens, percorrendo um total de 37 mil milhas. Em média, o Helenic Wind é o que mais combustível consome, com uma média de 114,7 euros por milha, enquanto que o Express Santorini representa 97,5 euros por milha (e o Ariel 4,2 euros por milha.
O Hellenic Wind representou um total de 1,6 milhão de euros e o Express 1,4 milhão de euros em combustível.