Açores são a região da Macaronésia com pior tratamento das águas residuais

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praia sujaOs resultados do projecto CARMAC–Melhoria da Qualidade das Águas Balneares e Costeiras da Macaronésia, que contou com a participação do Governo Regional, já se encontram disponíveis na Internet. Segundo nota de imprensa emitida pelo Gabinete de Apoio à Comunicação Social (GaCS), o relatório deste projecto, que decorreu entre 2009 e 2013, pode ser encontrado no endereço electrónico http://proyectocarmac.org.
A nota refere que no âmbito deste projecto, a principal actividade desenvolvida nos Açores consistiu na elaboração dos Perfis das Águas Balneares nas ilhas de São Miguel e Terceira, tendo em vista o desenvolvimento de ferramentas de gestão para a aplicação e cumprimento conjunto da Directiva 2006/7/CE, respeitante à qualidade das águas balneares. A elaboração daqueles perfis, que contemplou a caracterização das zonas balneares identificadas e o levantamento das fontes de poluição que podem prejudicar a qualidade das águas e areias, foi desenvolvida através de uma empresa regional, em colaboração com a Universidade dos Açores.
“Este trabalho serviu posteriormente de suporte para um relatório produzido por especialistas da Direcção Regional do Ambiente e do Instituto Tecnológico de Canárias, mas também para a elaboração dos restantes perfis das águas balneares regionais”.
O que não é revelado é que uma das conclusões deste projecto é que os Açores são a região da Macaronésia que se encontra “pior, com os menores índices de tratamento das águas residuais, com menos de 30% da população servida”. Já para a Madeira “o nível de cobertura é bastante elevado, e no caso das Canárias existe capacidade instalada para tratar 62% da carga poluente”.
O estudo, intitulado “Propostas de optimização de saneamento urbano e recomendações para o tratamento das águas residuais não disseminados e estabelecimentos hoteleiros de litoral”, foi da responsabilidade de Martel Gilberto Rodríguez e Miguel Angel Marquez Marfim.
E propõe que “os futuros esforços para melhorar esta situação devem incidir sobre o caso dos Açores, prioritariamente  no saneamento e purificação dos aglomerados habitacionais costeiros de São Miguel e Terceira, que podem afectar as áreas balneares”.
O estudo conclui igualmente que “no diagnóstico e tratamento de saneamento na Madeira, Açores e Canárias, embora o dimensionamento seja diferente entre as ilhas, foram encontradas algumas dificuldades comuns, tais como a topografia acentuada, pequenos aglomerados dispersos e longe dos centros urbanos, os elevados custos de operação e manutenção de estações de tratamento de água em pequena escala e a necessidade de valorizar e gerir os subprodutos (lodo)”.
O estudo conclui que as propostas para melhorar a situação do saneamento e depuração das águas na Macaronésia “convergem de maneira mais clara nos aspectos administrativos, financeiros e sociais, ao invés de aspectos técnicos” e destaca duas linhas orientadoras: “necessidade de coordenação institucional para a racionalização dos procedimentos administrativos”, que “seria, em primeiro lugar, a criação de grupos de trabalho com representantes das instituições envolvidas no sasaneamento, tratamento, disposição e reutilização, e partilha de informação”; e a “programação e priorização das infra-estruturas, devido à situação de escassos recursos económicos e financeiros e dada a importância destas instalações para garantir a qualidade das águas balneares”.
É igualmente proposta a realização de campanhas de informação sobre saneamento, tratamento e reutilização, para aumentar a consciencialização sobre os riscos de saúde pública e para o ambiente, a economia e o turismo”. Outras recomendações passam pela “criação nas novas urbanizações de redes separadas para a captação e utilização de águas pluviais dos telhados; desenvolvimento de novos sistemas de reutilização das águas pluviais nos edifícios, e aplicação de um novo código de boas práticas e usos permitidos ao nível da hotelaria, com vista à implementação de tecnologias de tratamento das águas”.

Lixo também é contaminação...

Naturalmente que as pessoas têm noção que as águas balneares açorianas são de boa qualidade, até porque estão sujeitas a substituição diária e pelo facto das ilhas se situarem no meio do oceano atlântico. Os próprios dados das análises revelam que a qualidade, ao nível microbiano, oscila entre o aceitável e o muito bom. No entanto, outros estudos realizados nas Canárias (mas não realizados ainda nos Açores) detectaram resíduos de produtos farmacêuticos que passaram pelo saneamento e tratamento existente.
Por outro lado, o aspecto turístico é fundamental e o estudo reconhece essa importância de igual modo para os 3 arquipélagos. E o facto é que foram detectados detritos, como “plásticos, embalagens, madeira, cortiça, cigarros e vidros” em zonas balneares, dentro e fora da água. O que, não sendo nocivo para os utilizadores em termos de saúde pública, é claramente uma desvalorização da componente turística.
É lembrado igualmente que   “a circulação de embarcações permite a ocorrência de resíduos sobre a superfície das águas balneares” e que “as águas residuais domésticas existentes na áreas balneares constituem um foco de poluição, embora com reduzida probabilidade de afetar as zonas balneares”.