Fortes quebras na produção de queijo e leite, mas aumento do preço ao produtor

leite 2A produção de queijo nos Açores este ano, nos 3 primeiros trimestres, foi a mais baixa dos últimos 3 anos. Foram produzidas apenas 21,3 mil toneladas, o que representa uma quebra de 8,5% em relação às 23,3 mil toneladas processadas no ano passado. É uma diferença significativa, especialmente tendo em conta que o queijo é o produto que representa a maior mais valia na produção de lacticínios.
Aliás, não é a única redução a registar, até porque a entrega de leite nas fábricas também caiu fortemente, na casa dos 7,7%, ficando-se pelos 413 milhões de litros. Não é, no entanto, o pior valor desde 2005, embora registe uma redução na tendência de aumento dos últimos anos, e corta uma série de subidas sucessivas que se verificava desde 2010.
O tratamento de leite para consumo sofreu uma redução de 15,2% em relação ao ano passado, e apresenta o volume mais baixo desde pelo menos 2005. Foram tratados apenas 11,2 mil toneladas de leite, o que é uma quebra abrupta de 2 mil toneladas, mas o facto é que marca o 4º ano de uma clara tendência de redução. A maior quebra regista-se ao nível do leite magro, com -31,1%, sendo que este é o leite mais produzido pela Região (o leite gordo, que é o 2º em volume, apresenta uma quebra de 8,2%). Apenas o leite meio gordo registou uma subida, de 25%, embora seja o leite menos laborado. Há ainda a registar uma quebra de 11,5% na produção de Manteiga, e de 3,6% na produção de iogurtes.
Mas o resultado não poderia ser mais interessante: o anúncio do aumento do preço do leite ao produtor em S. Miguel, primeiro pela Unileite e depois pela Insulac. A Bel ainda nada anunciou, mas segundo a Antena 1, o anúncio da Unileite foi feito em Assembleia Geral: entre 1,8 e 2 cêntimos por litro, beneficiando a qualidade. Segundo Gil Oliveira, presidente da cooperativa, “o nosso leite é bom, mas queremos melhorar”. Alegadamente, 90% dos fornecedores da cooperativa serão abrangidos por este aumento do preço a pagar à produção.
Já Jorge Costa Leite, da Insulac, também assume que a decisão da Unileite vai fazê-lo “decidir alguns ajustes e acompanhar”, mas refere que a Unileite apenas o faz porque “em alguns casos estava a pagar menos que as restantes indústrias”. No entanto, deixa alguma luz: “isto só é possível porque o mercado está favorável, pois os stocks baixaram significativamente nos últimos anos a nível mundial, uma vez que as campanhas não foram boas devido a questões climatéricas”.