EMPORDEF não está convencida dos motivos da rejeição dos navios ferry pelos Açores...

O presidente da EMPORDEF -Empresa Portuguesa de Defesa-revelou que pediu ao antigo presidente do governo regional dos Açores e da Assembleia da República para intervir na resolução do caso dos navios Atlântida e Anticiclone segundo avançou a RTP Açores.

Recorde-se que os navios foram rejeitados pelo Governo Regional dos Açores por, alegadamente, não cumprirem os requisitos inicialmente contractualizados.

O presidente do conselho de administração da EMPORDEF, Vicente Ferreira, afirmou, em audição parlamentar na Comissão de Defesa, que pediu, no final do ano passado, ajuda a Mota Amaral para o desbloqueio deste negócio.

A EMPORDEF é a sociedade responsável pela gestão das participações do estado nas indústrias de defesa onde estão englobadas as empresas do sector naval designadamente os Estaleiros Navais de Viana do Castelo.

Segundo a Lusa/RTP A o presidente da EMPORDEF revelou ontem que teve um encontro com o ex-presidente da Assembleia da República e do Governo Regional dos Açores, Mota Amaral, para lhe pedir ajuda na resolução do casodos navios Atlântida e Anticiclone.

Durante uma audição na Comissão Parlamentar de Defesa, Vicente Ferreira disse ter-se encontrado no final do ano passado com Mota Amaral na Assembleia da República para lhe pedir que fizesse junto dos seus "bons ofícios" para desbloquear este negócio.

O ferryboat’ Atlântida está parado há vários anos depois de ter sido rejeitado pela Atlanticoline, empresa do Governo Regional dos Açores, por alegadamente não cumprir os requisitos de velocidade contratualizados inicialmente.

Já o Anticiclone, também rejeitado, estava ainda em fase de início de construção.

EMPORDEF não está convencida dos motivos da rejeição pelos Açores

O presidente da EMPORDEF afirmou, ontem, no Parlamento que a fundamentação existente para a rejeição do navio Atlântida pelos Açores é "confusa" e que não está "convencido" e apelou ao empenhamento dos deputados na resolução deste caso. De acordo com informação avançada pela Lusa/RTP A durante a sua audição na Comissão Parlamentar de Defesa, que se prolongou por mais de três horas, Vicente Ferreira revelou que os documentos que sustentam a decisão do tribunal arbitral para a Atlanticoline - do Governo Regional dos Açoreso, que alegou incumprimento nos parâmetros de velocidade - rejeitar o ‘ferryboat’ Atlântida e Anticiclone, fabricados pelos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), é "muito confusa".

Vicente Ferreira adiantou que os navios - o Atlântida está pronto e parado há mais de dois anos e o Anticiclone não passou do início de construção - estão avaliados no seu conjunto em 71 milhões de euros actualmente e que a não concretização deste é grandemente responsável pela "ruína" dos ENVC e eventualmente, a prazo, da própria EMPORDEF.

Ainda de acordo com a Lusa/RTP A durante a audição do presidente da administração da EMPORDEF, o deputado do PSD Eduardo Teixeira referiu ainda que actualmente os Açores recorrem ao aluguer de ‘ferries’ para transporte de passageiros entre ilhas que tem um custo anual de 22 milhões de euros e que a manutenção do Atlântida, aportado no Alfeite há vários meses, custa anualmente 500 mil euros.

Vicente Ferreira, que revelou ter falado mesmo com Mota Amaral para desbloquear o assunto, diz que no final a questão é política e não empresarial.

"Há que construir uma solução, os estaleiros estão disponíveis, a EMPORDEF está disponível, é preciso fazer uma reformulação, independentemente do que foi a decisão do tribunal (...) Isto está nas mãos dos órgãos de soberania, não vamos deixar apodrecer aquele ‘ferry’ nos nossos portos do continente sabendo que ele é preciso, se foi projetado, encomendado, se se alugam ‘ferries’ semelhantes para cumprir essa missão", afirmou.

O presidente da EMPORDEF adiantou que ao assumir funções, em Agosto de 2011, convocou uma reunião com os advogados que representaram os ENVC no tribunal arbitral com os Açores, mas que nunca ficou totalmente esclarecido.

"A administração da EMPORDEF não está convencida das circunstâncias, nem dos momentos, nem do suporte técnico que levou à decisão, é confuso, os relatórios são confusos, porque, é evidente, estas questões técnicas têm de se basear em certificações, e há entidades internacionais que as fazem", disse.

Vicente Ferreira frisou que foi feito "um levantamento do que tinha sido testado", mas que "os relatórios e aquilo que existe de sustentáculo no estaleiro é relativamente confuso".

"Eu não consigo dar-lhe uma opinião exacta sobre se sim, se não, o que existe de documentação é bastante confuso", reforçou, em resposta ao deputado do PCP António Filipe.

O presidente da EMPORDEF - nomeado já pelo Governo PSD/CDS-PP - deixou ainda um apelo: "Haverá uma maneira financeira também de o fazer alugar e acho que os senhores deputados podiam ter uma contribuição significativa nisso".

Para este responsável, a resolução deste negócio e o consequente encaixe financeiro poderia ser o elemento "charneira" para "desalavancar" os ENVC.

No final, PSD, PS, CDS-PP e PCP convergiram na necessidade de esclarecer todo este processo até às últimas consequências, tendo a bancada social-democrata anunciado que vai chamar para audição o presidente da Atlanticoline, Carlos Reis.