Inscritos nas listas para cirurgia atingem o maior valor de sempre

Hospital PdlO número de pessoas inscritas nas listas de espera para cirurgía nos açores atingiu no mês de Outubro de 2013 um total de 3.328, o que é o maior valor de sempre. No espaço de um ano, o número de casos aumentou 44%, com um total de mais 994 casos, que é também o maior aumento em termos nominais de que há memória.
A situação no Hospital de Ponta Delgada parece estar a deteriorar-se mais que nos restantes hospitais, uma vez que o seu número já atingiu os 2.340 casos, que representam 72,3% do total regional. Segue-se o Hospital da Horta, com 461 casos, e 14,2% do total, e o de Angra do Heroísmo com 437 casos, representando 13,5% dos casos.
O Hospital da Horta é também o que revela maiores atrasos, com casos de inscrição de 2004. Fora esses dois casos, existem 25 casos com inscrições de 2008 – portanto, esperas de cerca de 5 anos. Na Terceira há apenas 1 caso de 2008, e em Ponta Delgada 7. A esse nível a Horta está pior.
Mesmo a publicação destas listas, que está regulamentada em legislação própria, não parece estar a ser cumprida.  No site da Direcção Regional de Saúde, onde há dados desde Abril de 2010, faltam 7 meses do ano de 2012 que nunca foram repostos.
Haverá a possibilidade de serem atingidos no próximo ano um total de 10 mil utentes em lista de espera, como anunciou um partido político? Tendo em conta os valores existentes, tudo indica que não. No entanto, os 3.238 casos actuais constituem um valor quase impressionante, tendo em conta o seu historial: em 2010 quando os números começaram a disparar, o Governo fez um investimento que reduziu as listas de espera em cerca de 30%, a que não foi alheia a pressão pública. Desde Abril de 2011 que os números não param de crescer.
Mas a resposta oficial parece ter ido no sentido de colocar em causa estes números.

Sistema informático “para gerir listas de espera”

O secretário Regional da Saúde disse sexta-feira que os Açores implementam “até final de março” o sistema informático nacional de gestão de listas de espera, que permitirá “de forma mais fidedigna” fazer comparações e conhecer a realidade.
“O que estamos a trabalhar nesse momento é na adaptação a nível regional daquilo que é o programa de gestão de listas de espera utilizado a nível nacional. Já temos um funcionário do Serviço Regional de Saúde a fazer formação nessa área”, afirmou à Lusa Luís Cabral, acrescentando que espera “até final de março ter já implementado na região esse sistema”.
O presidente do PSD/Açores propôs, na quinta-feira, a criação de um registo integrado de listas de espera para cirurgia na região para uma otimização de recursos, alertando que no final do ano haverá dez mil açorianos a aguardar uma operação.
Segundo os dados actuais, os Açores terão cerca de 2% do total de casos do país
Segundo a Lusa, “o governante açoriano com a pasta da Saúde agradeceu a proposta social-democrata, mas lembrou que tal iniciativa já havia sido anunciada pelo executivo regional na semana passada, no sentido de proceder a uma maior sistematização, controlo e rigor na informação dessas listas de espera”.
“Os números que nós temos em cima da mesa são inferiores. Temos noção muito clara da forma como devemos contabilizar as listas de espera. O deputado Duarte Freitas e as contas que faz são com base no número de todos os doentes a partir do dia um que entra na lista de espera. Existem tempos minimamente aceitáveis para cirurgias e esses tempos devem ser considerados”, sustentou.
Luís Cabral explicou que o número de doentes em lista de espera para cirurgias nos três hospitais da região, que são publicados “regularmente” no portal do Governo Regional na internet, referem-se apenas a doentes que aguardam há 18 meses, um critério que admite possa vir a ser revisto, diminuindo para seis ou três meses. O governante precisou que os números oficiais de doentes em lista de espera, nos hospitais de Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta, rondam os seis mil e que a tutela tem trabalhado “de várias formas” para baixar esses números.
Segundo disse, a aplicação do sistema informático de gestão das listas de espera permitirá aos próprios doentes consultarem e saberem qual o seu lugar na lista.