Crise do desemprego nos Açores começou antes da nacional e ameaça durar muito mais

centro emprego - desempregadosO número de desempregados nos Açores baixou 2,9% no 4º trimestre do ano de 2013, enquanto que a taxa de desemprego baixou para os 17,3%. Trata-se, pelo segundo mês consecutivo, de um valor que se mantém acima da média nacional, que foi de 15,3%.
A taxa de população activa nos Açores também baixou para os 49,1%, enquanto que a do país se manteve nos 51,4%. Nos Açores no 4º trimestre havia 121.011 açorianos activos.
Analisando os dados desde 2005, há uma conclusão óbvia: a crise do desemprego nos Açores começou antes da nacional e ameaça partir muito depois. O governo anterior alegava que a crise teria chegado depois e acabaria antes. Os números revelam exactamente o contrário.
É que para o total do país, o aumento do desemprego pode ser localizado no 1º trimestre de 2009, quando o país entrou nos 9% de taxa, valor que não era atingido desde pelo menos o 4º trimestre de 2005. Nos Açores, o início do crescimento pode ser localizado no 1º trimestre de 2008, quando a Região entrou nos 5% e nunca mais parou de crescer. Ou seja, o aumento sustentado do desemprego começou um ano antes do nacional.

No 1º trimestre de 2011, o país entrou na casa dos 12%, enquanto que os Açores entravam na casa dos 9%. Mas apesar do valor ser inferior ao nacional, a verdade é que o “normal” antes é que as taxas regionais fossem praticamente metade das nacionais. Nesse trimestre, no entanto, a taxa regional atingiu os 80% da nacional, algo que nunca tinha acontecido. E ainda mais flagrante: enquanto que a variação nacional em relação ao 4º trimestre de 2005 era de quase 19%, a dos Açores era de 50%...
No 4º trimestre de 2011, os Açores ultrapassam pela 1ª vez na sua história recente a taxa nacional, (14% para 15,1%), algo que se viria a repetir em vários trimestres. Pior ainda: enquanto que a nível nacional já se fala no fim da crise, a açoriana parece estar para durar. E com uma agravante: os poucos empregos que têm vindo a ser criados são sobretudo suportados pelo Governo (cerca de 5 mil açorianos estão em programas “ocupacionais”, o que não tem qualquer paralelo no país), e a economia parece à beira de um autêntico colapso, sem quaisquer perspectivas de melhoria a curto prazo, enquanto que no país já se anuncia o fim da crise e a retoma económica.

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