Mal-parado das famílias passa pela 1ª vez os 4%

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notasOs concelhos de Santa Cruz das Flores e da Ribeira Grande são os que apresentam os maiores rácios de crédito mal-parado das famílias dos Açores, de acordo com os dados do 4º trimestre de 2013 do Banco de Portugal. São os únicos da Região com médias acima dos 5%: Santa Cruz com 5,6% e a Ribeira Grande com 5,5%. Juntamente com a Lagoa (4,7%, Praia da Vitória (4,3%) e Ponta Delgada (4,2%), compõem o conjunto de concelhos que estão acima da média regional, que está nos 4,1% – um valor que nunca tinha sido atingido no passado.   
Trata-se de um aumento de 20,6% em relação aos 3,4% de incumprimento que se verificava há um ano atrás, o que mostra bem a degradação que se sente na economia regional – e essa degradação é também perceptível através da comparação com o todo nacional. É que, apesar da média regional ser ainda inferior aos 4,5% registados no país, o aumento nacional foi de apenas 9% neste período. E enquanto que os 4,1% dos Açores representam neste momento 91% da média nacional, há um ano atrás representavam apenas 83%.
Essa degradação percebe-se igualmente na variação das taxas de incumprimento ao nível concelhio. Há 8 concelhos onde o aumento da taxa de incumprimento foi superior à média regional, com Santa Cruz das Flores à cabeça, com uma variação de 55,6%, seguindo-se o Corvo (47,4%), a Calheta (41,7%), as Velas (39,1%), a Ribeira Grande (37,5%), Santa Cruz da Graciosa (35,7%), Vila do Porto (28,6%) e a Madalena (26,9%).
Em média, cada açoriano deve cerca de 13.660 euros, enquanto que a média nacional é de cerca de 13 mil euros. Os maiores valores estão em Ponta Delgada, com uma média de 16.889 euros por cidadão, seguindo-se a Horta (15.210), Angra (15.092) e a Praia da Vitória (13.811). Estes concelhos são os únicos com médias acima da regional e o facto de serem todas cidades, deverá reflectir o valor do imobiliário respectivo.
Comparando o peso dos empréstimos com o peso populacional, há também variações significativas. Ponta Delgada, com um peso nos empréstimos de 34,4% e um peso populacional de 27,84%, tem mais 23,6% do que o seu peso populacional.
A ilha de S. Miguel, que tem 55,9% da população regional, é responsável por 56,8% do total de empréstimos, o que ascende a cerca de 1.922 milhões de euros.
O mal-parado nos Açores atinge um total de 138,5 milhões de euros, com a ilha de S. Miguel a ser responsável por 62%.