Data marcada para o envio do Resplendor para Lisboa é o dia 4 de Junho, diz o autor da Petição

Senhor-Santo-Cristo-dos-MilagresA pessoa que lançou a petição “Resplendor do Senhor Santo Cristo dos Milagres - Não pode abandonar o santuário”, que neste momento tem cerca de 2 mil assinaturas, irá manter o seu anonimato, mas assume que a data aprazada para envio da peça para Lisboa é o dia 4 de Junho, ou seja, amanhã.
A informação está contida na resposta a uma mensagem que o Diário dos Açores enviou ao criador do post, que figura como “Pedro Teixeira”. Em resposta a uma das perguntas colocadas, refere que “no próprio dia da criação desta petição, foi enviado o link à Diocese de Angra, pelo que os responsáveis da mesma e fundamentalmente o Sr. Bispo terão tido acesso à sua evolução. Mesmo assim, de forma periódica, fiz questão de enviar para os mesmos destinatários actualizações do número de subscritores, algo que pretendo fazer até ao dia 04/06/2014, pelos vistos o dia aprazado para o envio da peça para o Continente”.
Diz que “a minha intenção ao criar a petição foi simplesmente dar um contributo para que de uma forma minimamente organizada se desse voz às inúmeras pessoas que vinham, informalmente, manifestando a sua indignação pelo envio inusitado do Resplendor do S. S. Cristo dos Milagres para, aparentemente, participar numa exposição no museu de Arte Antiga de Lisboa, sem que até então tivessem encontrado uma forma de fazer chegar a sua voz ao Sr. Bispo de Angra”.
À laia de balanço, diz que “a petição, apesar de alguns comentários que poderão ter excedido o âmbito da mesma e poderão mesmo ter sido algo injustos ou inoportunos para com o Sr. Bispo de Angra, considero que cumpriu o objectivo a que se destinava, ou seja, deixar bem claro ao Sr. Bispo e a quem mais possa interessar, que existe um importante conjunto de cidadãos, crentes e não crentes, que defendem que o Resplendor pertence ao Santuário e à imagem venerada”.
Regista ainda que “nenhum movimento contrário àquele que é defendido nesta petição surgiu, o que me apraz registar. De facto, a única voz que publicamente se manifestou contra este movimento e a favor da ideia do envio da peça terá sido o Sr. Padre Duarte Melo, que parece estar, neste caso, a pregar no deserto”. E conclui que “não tenho como objectivo obter qualquer tipo de protagonismo, pelo que opto por manter recato e portanto espero que compreenda que não lhe prestarei mais declarações do que estas que aqui lhe deixo escritas”.

A Petição

A petição online que está a decorrer desde 27 de Maio é uma das mais bem sucedidas petições açorianas, atingindo 700 assinaturas nas primeiras 24 horas, ultrapassando as 1.000 assinaturas em 48 horas e quase 2 mil no espaço de 5 dias.
No sábado foi lançada em simultâneo em papel. Aquando do cordão humano no Campo de São Francisco apareceram as primeiras folhas impressas, sendo recolhidas no local muitas dezenas de assinaturas de pessoas que ainda não tinham assinado a versão online. Desde então que na porta do Santuário (Avenida Roberto Ivens) estão a ser recolhidas assinaturas e, o que será ainda mais significativo, estarão em breve a recolher as folhas repletas de assinaturas das muitas pessoas envolvidas que têm cópias da petição (todos os que pretendem participar nesta angariação poderão simplesmente imprimi-la). Não é exagero projectar que esta petição poderá ultrapassar as 10.000 assinaturas num espaço de tempo muito curto.

O Cordão Humano

A Diocesa de Angra noticia no seu site o cordão humano da seguinte forma:
Realizou-se no último sábado, em Ponta Delgada, um cordão humano que juntou os elementos da Irmandade do Senhor Santo Cristo dos Milagres e algumas centenas de devotos do culto, que silenciosamente se manifestaram contra a saída do Resplendor do Senhor Santo Cristo, autorizada pela Diocese de Angra, alegando que se trata de “um património intocável”.
Segundo noticiou a Diocese de Angra, a presença da jóia na exposição “Esplendor e Glória”, entre Julho e Dezembro, no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, foi permitida pela diocese açoriana, que garante que estão reunidas as condições para a presença do Resplendor nesta exposição que será constituída por mais quatro peças de joalharia portuguesa do período barroco entre 1756 e 1780- a Custódia da Sé Patriarcal de Lisboa, a Custódia do paço da Bemposta, a Venere das Cinco ordens de D. João V e o Resplendor do Senhor dos Passos da Graça.
Contudo, a Irmandade do Senhor Santo Cristo e centenas de fiéis opõem-se à decisão, estando inclusive a circular uma petição ‘on line’, dirigida ao bispo de Angra, D. António de Sousa Braga.
Junto ao Santuário da Esperança, em Ponta Delgada, onde está a imagem do Santo Cristo e onde decorrem anualmente as celebrações religiosas, foi organizado no sábado um cordão humano para que o Resplendor não abandone a ilha de São Miguel.
“Não concordo que saiam daqui as jóias que pertencem ao Senhor Santo Cristo”, afirmou aos jornalistas Cidália Brandão, quando se preparava para integrar o cordão humano.
Cidália Brandão vincou que as jóias do Senhor Santo Cristo “foram oferecidas pelo povo açoriano” em “representação de muitas lágrimas, muitos sacrifícios e orações e muita penitência dos açorianos”, relatou o Portal da Diocese.
Também o Padre Pedro Maria, coadjutor da Igreja Matriz de São Sebastião, em Ponta Delgada,  manifestou a sua “total oposição” à “saída de uma peça que não é de uma pessoa, é de um povo”.
“Isto é uma peça que está ao culto. Isto é uma peça que é nossa. É uma peça que foi feita com aquilo que é nosso”, sublinhou, frisando que a joia acaba por transmitir “a vida de muitas pessoas”.
O provedor da Irmandade do Senhor Santo Cristo dos Milagres, Carlos Faria e Maia, explicou que se trata de “uma manifestação silenciosa sem guerrilhas”.
“Só vamos orar. É só uma manifestação de descontentamento pela eventual saída do Resplendor do Santo Cristo que é um peso da nossa fé incalculável e que não tem sentido nenhum sair daqui”, sustentou.
O provedor sublinhou que a Irmandade “não está em guerra” com o bispo, mas “mantém a sua posição” contra a saída do Resplendor, alegando que não estão reunidas as “condições de segurança” para a ida da peça para Lisboa.
Como contrapartidas da cedência temporária da peça, a Comissão Diocesana dos Bens Culturais da Igreja anunciou, no inicio desta semana em comunicado,  que “será realizada a sua avaliação técnica” e um “estudo científico por especialistas da área” e “executada uma limpeza por técnicos credenciados do Laboratório José de Figueiredo”, medida “urgente e imprescindível à conservação” da jóia.