SERCLA “dá toda a garantia de isenção e de credibilidade” na classificação do leite cru, apesar de laboratórios não serem certificados

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luis neto viveirosO Secretário Regional da Agricultura e Ambiente afirmou hoje que o funcionamento do Serviço de Classificação do Leite (SERCLA, na dependência do IAMA), “dá toda a garantia de isenção e de credibilidade”, salientando que a aplicação da Diretiva Comunitária e da Portaria que regulam a classificação de leite cru não obriga à certificação ou acreditação dos laboratórios.
“Não é obrigatório por lei”, garantiu Luís Neto Viveiros, em declarações aos jornalistas, frisando que “as técnicas que utilizam são aprovadas pela Federação Internacional de Laticínios (IDF/FIL), o que nos dá toda a garantia de isenção e de credibilidade“.
A total fiabilidade dos resultados do SERCLA é assegurada “através da comparação de resultados entre laboratórios, um procedimento de controlo dos resultados analíticos que foi decidido na Comissão Técnica de Acompanhamento da Classificação do Leite à Produção, em que têm assento representantes dos produtores e das indústrias de laticínios”.
O Secretário Regional precisou que, “por uma questão de credibilidade de todo o sistema e de defesa dos interesses, tanto dos produtores como das próprias indústrias”, o SERCLA envia mensalmente amostras ‘cegas’ para os laboratórios de indústrias de laticínios que se associaram, para efeitos de controlo.
Luís Neto Viveiros frisou que “depois, são confrontados os resultados obtidos pelas diferentes indústrias e pelo próprio SERCLA”, revelando que, desde a implementação deste procedimento, “nunca houve divergências significativas”, verificando-se “rigor” e a aceitação por todas as partes “de que este sistema é credível”.
“Estamos perfeitamente serenos porque aquilo que se tem feito e aquilo que se continuará a fazer permite e dá garantias de isenção e dá garantias também, a quem vende e a quem compra o leite, de que esse negócio é feito com base em resultados credíveis”, afirmou o Secretário Regional.
A questão foi levantada numa reportagem da Antena 1 Açores, que refere que “fontes da industria reconhecem que estavam distraídas”. A falta de certificação foi detectada quando, no âmbito de um processo de contencioso com alguns lavradores, devido à qualidade do leite, quando foram pedidos os resultados das análises para fazerem parte do processo judicial, foi detectado que os laboratórios não estão certificados.
O SERCLA tem 2 laboratórios, 1 em S. Miguel e outro na Terceira, responsáveis pela quase totalidade dessas análises, das quais dependem em grande parte os rendimentos dos produtores. O SERCLA funciona há cerca de 35 anos com essa incumbência.
A Antena 1 refere que uma das consequências é que as referidas análises poderão não ser aceites em Tribunal.
Entrevistado pela Antena 1, Jorge Rita, presidente da Federação Agrícola dos Açores, manifestou-se admirado com a situação e disse que “tem de ser feita homologação rapidamente desses laboratórios, pois a qualidade do leite açoriano não pode deixar qualquer tipo de dúvida”