Unidos, cada vez mais, contra o cancro

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cancromatriz-1-cor17h30, Largo da Matriz, cidade fria e deserta, não fora pelo forte grupo com cerca de 150 pessoas que se havia juntado para promover a sensibilização sobre o cancro. Muitas com experiências pessoais, familiares e de amigos, ou simplesmente porque o tema lhes tocava solidariamente.
Ao meu lado passa um casal alemão, na casa dos 55 anos de idade. Explico-lhes o que se passa: “estão a manifestar-se para sensibilizar o governo a proteger mais as pessoas com doença terminal e a estudarem o que se passa com o cancro nos Açores”. Perceberam de imediato e concordaram: “na Alemanha é semelhante, embora talvez um pouco melhor; mas lutem, sim, lutem”.
Gabriela Silva, natural das Flores, lembra à RTP-A que para além da gravidade da situação, as ilhas mais pequenas ainda sofrem mais. “Vocês em S. Miguel até têm um pouco de sorte. Este é um 1º gesto, e é preciso mais atitudes por parte dos cidadãos, pelas nas 9 ilhas dos Açores, para todos termos direito à assistência médica final, para que não morram tantos fora, e que não tenhamos de ir tantas vezes ao aeroporto buscar caixões”…
Very Simple Image Gallery:
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Principalmente mulheres, sobretudo de negro, mas também muitos homens, compunham este grupo que parecia extremamente empenhado. Muitos cartazes, de branco em fundo cor-de-rosa, que aparentemente é a cor da luta contra o cancro. “Todos, ricos e pobres, têm direito à vida”; “Melhores apoios para os doentes que se deslocam ao continente”; “O doente oncológico precisa de apoio paliativo no seu domicílio”; “o cuidador do doente oncológico precisa de ajuda e de proteção”; “todos têm direito à proteção na saúde e o dever de a defender e promover”… eram apenas alguns dos slogans presentes.
Todos reunidos na escadaria da Igreja da Matriz, as organizadoras falaram um pouco sobre o que as trazia ali. Sobre a Nana e a Raquel, e sobre a Paula, sempre presente. As palmas recortaram as palavras.
A certa altura, um jogador do Santa Clara oferece uma T-Shirt assinada por todos os jogadores, como forma da equipa mostrar solidariedade para com o evento. Foi leiloada quase de imediato. E no fim, uma recolha de fundos muito participada, que no total deverá ter ultrapassado largamente os 500 euros…
Oficialmente este movimento parece consolidar-se em vários pontos:
Sensibilizar a população sobre a necessidade de existirem equipas multidisciplinares de cuidados paliativos ao domicílio, no sentido de apoiar doentes, desde crianças a idosos, que padecem de doenças graves, incuráveis ou que se encontram em estado terminal;
Proporcionar às famílias destes doentes acompanhamento permanente ao nível de cuidados de primeira necessidade, apoio psicológico e de saúde;
Os doentes deslocados precisam de mais assistência, de alimentação, no alojamento e no acompanhamento.
E que é urgente realizar um estudo sobre as percentagens elevadíssimas de cancro nos açores. Nem mais...
Na edição de anteontem, o Diário dos Açores publicou alguns dos cancros em que a Região apresenta valores de incidência acima dos valores nacionais relativos ao ano de 2006. Hoje publicamos o número de ocorrências de cancros confirmados pelo Centro de Oncologia dos Açores, no período de 1996 a 2011, por concelhos e freguesias. A taxa de incidência é calculada dividindo o número total de ocorrências nesses 15 anos pela população residente no Censos de 2011. Não são contabilizados nestes valores os cancros de pele (melanomas), e embora possam existir casos em que a uma pessoa possa equivaler vários cancros, como média geral deve concluir-se que o número de casos equivale ao número de pessoas afectadas.
E os números assustam...

(Para ver melhor, usar "copiar imagem")

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