“Controlo de vegetação invasora seria inviável sem a utilização de produtos químicos”, diz Centro Ambiental do Priolo

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centro prioloA propósito da Petição para que os municípios e freguesias deixem de usar herbicidas, foi sugerido numa discussão no grupo “Açores Global”, no Facebook, que o hábito é tão grande que até o projecto do Centro Ambiental do Priolo “LIFE+ Laurissilva Sustentável” os usaria. Um dos membros do grupo de discussão enviou um pedido de informação ao Centro Ambiental do Priolo e obteve como resposta a seguinte missiva:
“Os trabalhos de controlo de vegetação invasora que são realizados seriam inviáveis sem a utilização de produtos químicos. A densidade e expansão destas espécies é tal que seria impossível apenas com trabalho manual. São no entanto utilizados produtos específicos e sempre os menos agressivos para o ambiente, são testados para as espécies em causa e avaliados os seus efeitos. São aplicados por pessoas com experiência reduzindo ainda mais o seu impacto, sendo a aplicação pontual (planta a planta) reduzindo as escorrências e o impacto no meio envolvente. O impacto da remoção de espécies invasoras por meios apenas manuais em alguns casos seria enorme com a necessidade de remover raízes a grande profundidade, por exemplo. Em algumas situações específicas o controlo é totalmente manual (linhas de água, turfeiras, etc)”.
Esta posição pode parecer surpreendente para muitas pessoas, especialmente para os defensores do ambiente, mas na realidade os relatórios de progresso do projecto não o escondem e sugerem mesmo o envolvimento das autoridades oficiais da Região, nomeadamente os Recursos Florestais.
Na avaliação da eficácia dos métodos de controlo de Gunnera tinctoria no que são chamados “habitats prioritários do projeto”, é dito que foram retiradas mais de 30 toneladas da planta e que “os resultados desta intervenção, assim como os resultados obtidos pela Direcção Regional dos Recursos Florestais (DRRF) nos testes de aplicação de herbicida, farão parte do Guia prático de erradicação de exóticas”. O guia “encontra-se em elaboração” na altura da publicação do relatório, em 2012.
É referido que nas bermas do caminho florestal dos Graminhais e ao longo do trilho pedestre que vem da Povoação, “foi aplicado no verão de 2011, com base na informação fornecida pela DRRF, o herbicida com o composto activo triclopir (GURU) a uma concentração de 15% para controlo de Gigante”.
Ao nível dos fetos-arbóreos Dicksonia antartica e Sphaeropteris cooperi, é dito “verificar-se que, com base na informação que foi recolhida, os Açores são dos primeiros lugares no mundo em que estas espécies são dadas como invasoras, pelo que não existem de momento protocolos estabelecidos de controlo ou erradicação. Numa primeira fase pensou-se que o simples corte do “tronco” poderia ser suficiente para a eliminação da planta, contudo verificou-se que a quase totalidade dos fetos-arbóreos rebrotou, pelo está a ser levado um teste com os três compostos activos que se têm mostrado mais eficazes: triclopir (GURU), o glifosato (Roundup Ultra) e o metasulforão de metilo (Ally). Estes testes foram iniciados em julho de 2011 e devem prolongar-se por um ano”.
É também referido que “a remoção manual das hortênsias é difícil dada a grande capacidade de rebrotar a partir de fragmentos da planta, sendo conhecida pela sua resistência aos herbicidas, pelo que foi levado a cabo no verão de 2011 um teste que consistiu na poda total das plantas no final da primavera, de forma a provocar stress na planta, e passado um mês (quando as plantas apresentaram as folhas e os caules novos) foi realizada uma aplicação foliar de herbicida. Os herbicidas que foram testados nas parcelas de monitorização foram o triclopir (GURU), o glifosato (Roundup Ultra) e o metasulforão de metilo (Ally). Durante os primeiros 3 meses foram monitorizadas as parcelas, e embora não se verificar uma erradicação completa o herbicida que apresentou maior sucesso foi o GURU”. E que “relativamente a Rubus sp., foi realizada remoção manual, sendo que em áreas onde não existe o risco de contaminação do lençol de água ou de plantas nativas foi realizada a aplicação foliar de herbicida com o composto activo triclopir (Guru)”.

O herbicida triclopir foi o que registou mais sucesso numa série de testes de eliminação de infestantes, mas segundo diversa literatura científica este herbicida é corrosivo para a vista, pode provocar alergias na pele, em testes laboratoriais provocou aumento de casos de cancro de mama, danos nos rins e perturbações a nível da reprodução. Diz ainda que é tóxico para os peixes e que inibe as rãs de fugirem dos seus predadores. A sua ingestão por parte das aves reduz a sobrevivência das suas crias. O triclopir contamina poços, ribeiras e rios e foi detetada água contaminada próximo de áreas onde o triclopir foi aplicado na agricultura, na floresta, em campos de golfe e em jardins e parques urbanos.
Curiosamente, tem um grande efeito nas aves. Segundo o Journal of Pesticide Reform (winter 2000 • vol. 20, no. 4) “o Triclopir diminui a sobrevivência de filhotes recém-nascidos. Em testes com patos-reais, patinhos chocados de ovos postos por patas que tinham ingerido triclopir registaram uma sobrevida que era entre 15 e 20 por cento mais baixa do que a taxa de sobrevivência de patinhos de não afectados (efeitos na concentração em alimentos de 200 partes por milhão-ppm ) .