Carlos Reis demite-se da Atlanticoline

Atlanticoline“Não comento. Não comento”. Foi assim que o secretário Regional dos Transportes e Turismo, Vítor Fraga, reagiu à pergunta da Antena 1, sobre a saída de Carlos Reis da Atlanticoline.
A primeira informação tinha sido veiculada por Pierre Sousa Lima no grupo “Açores Global” do Facebook, dando como certo que “Carlos Reis apresentou à tutela a sua demissão como presidente do Conselho de Administração da Atlânticoline, SA, alegando questões de natureza pessoal”. Essa informação, de “fontes fidedignas”, assumia que a decisão já tinha sido comunicada pelo próprio a alguns dos seus colaboradores mais próximos.
Pouco depois o Correio dos Açores completava que “o pedido de demissão ocorreu há três semanas, tendo sido pedido por Vítor Fraga, para aguentar até ao final de Fevereiro, pedido a que Carlos Reis anuiu”. E o jornal referia que “Luís Quintanilha, Director Regional dos Transportes, vai ser, a partir do dia 1 de Março, o novo presidente da Atlânticoline. A sucessão para a presidência da Atlânticoline já tinha sido colocada há cerca de um mês ao mais alto nível no Governo dos Açores, mas Luís Quintanilha terá manifestado indisponibilidade para o cargo. Foi pedido para reconsiderar a sua posição e, agora, Quintanilha acabou por aceitar a presidência da Atlanticoline”.
Carlos Reis, licenciado em Organização e Gestão de Empresas, foi reconduzido para presidente do Conselho de Administração para o quadriénio 2014/2017, após eleição em Assembleia Geral, tendo como vogais Luís Morais, que acumula o cargo com o de gerente da Transmaçor–Transportes Marítimos Açorianos, Lda. e César Cruz, licenciado em Pilotagem – ramo navios tanques – pela Escola Náutica Infante D. Henrique. Já Luis Filipe de Medeiros Quintanilha tem 39 anos, é licenciado em Engenharia Aeronáutica pela Universidade da Beira Interior (2001). A sua experiência com empresas ligadas ao mar também não parece grande: de 2002 a 2007 foi Gestor da Concessão Pós-Venda, ramo automóvel; até 2009 foi responsável  pelo sector de Produção de Agregados numa empresa de construção civil; e de 2009 a 2011, quando foi nomeado para o cargo de director regional, esteve na SATA, primeiro como responsável pelo Departamento de Gestão Operacional da SATA Gestão de Aeródromos, SA, depois como Gestor de Segurança da SATA Air Açores, SA e SATA Internacional, SA, e por fim foi Director de Operações Terrestres e Handling da SATA Air Açores, SA.
A Antena 1, que ouviu a recusa de comentar de Vítor Fraga, obteve a confirmação da boca do próprio Carlos Reis, que no entanto recusou gravar quaisquer declarações. Mas a estação garante que “a demissão ficou a dever-se a razões empresariais, nomeadamente por responsabilidades que não estão a ser cumpridas pela tutela”, que é o Governo Regional dos Açores. A Antena 1 refere ainda que “a estratégia definida e o subfinanciamento da operação deste ano estarão na base da decisão; a Atlanticoline terá menos dinheiro que o necessário; Carlos Reis antes de sair vai apresentar o Relatório e Conta de 2014, que diz estar equilibrado e com a dívida baixa”.
O sector do transporte marítimo de passageiros tem sido um dos autênticos fiascos da governação, nomeadamente com os problemas que aconteceram com a construção do Atlântida, que foi recusado, e pelo facto da Região estar há anos a alugar navios com bastante idade da Grécia – situação que se repete este ano. Em 2014, o Orçamento Regional alocava uma verba de quase 24 milhões de euros para o “Apoio ao Transporte Marítimo de Passageiros”. No Plano de 2015 estão previstos 25 milhões para o “Apoio ao Transporte Marítimo de Passageiros”, mais 10 milhões de euros para o “Serviço Público de Transporte Maritimo de Passageiros e Viaturas Inter-ilhas”.
De acordo com os dados estatísticos incluídos como anexo no Plano Integrado dos Transportes, a Atlanticoline terá registado em 2013 a sua 3ª quebra sucessiva de passageiros, com uma redução de 4,3% em relação a 2012. O maior valor atingido pela empresa terá sido no ano de 2010, com um total de 92.995 passageiros, tendo caído 10,3% em 2011, e 12,4% em 2012. No acumulado de 2010 a 2013, a empresa terá perdido praticamente 25% do volume de passageiros. O valor registado em 2013 faz a empresa regressar às médias de 2006.