Rui San-Bento arrasa Secretário Luís Cabral e a política de Saúde..

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Luis Cabral 1O médico Rui San-Bento, Director de Oncologia no Hospital de Ponta Delgada, arrasou a política de saúde na região e confrontou o Secretário Regional com inúmeros problemas no sector.
Num debate sobre saúde, quinta-feira à noite, na televisão regional, com a presença do Secretário Regional, Luis Cabral, o ex-Director Clínico do Hospital do Divino Espírito Santo, Rui San-Bento, afirmou que nunca mais se ouviu falar do Plano Regional de Saúde e que não há planeamento na região nesta área.
“Nunca mais se ouviu falar da reestruturação do Serviço Regional de Saúde”, disse o médico, acusando a tutela de resolver os assuntos à medida que eles vão surgindo na comunicação social, como é o caso da cardiologia em Angra do Heroísmo.
E deu o exemplo da sua área: “Não sei o que se passa na área da oncologia, não sei se ainda existe a Comissão de Oncologia....”.
Afirmou ainda que “se as listas de espera aumentam em vez de diminuir, alguma coisa tem de ser reflectida”.
Rui San-Bento, médico há 40 anos, responsável pela Oncologia no maior hospital dos Açores, revelou-se “preocupado, enquanto utente e com o avançar da idade....”.
O clínico foi ainda mais duro com a política do sector, quando recordou a sua condição de apoiante pelo estado social defendido pelo PS, “mas o que vemos hoje é um desnorte total”, acrescentando que “estão a dar cabo do estado social na saúde”.
A propósito dos cortes nos reembolsos, Rui San-Bento olhou para o Secretário e confrontou-o: “O Sr. faz a mínima ideia do que é um doente precisar de uma cabeleira postiça, uma mamária postiça, como é possível cortar nisso? Eu não consigo perceber  como se cortam estas coisas”.
Perante o silêncio do Secretário Regional e a visível incomodidade, Rui San-Bento disse ainda: “O Sr. Secretário Regional da Saúde diz que a privada é alternativa para muita gente; Não é verdade. Os doentes vão à privada porque a pública não responde”.
O clínico foi ainda mais arrasador, a propósito da contratação de médicos de fora, dizendo ser “preocupante” que o Hospital de Ponta Delgada tenha gasto no ano passado 2 milhões de euros a contratar médicos de fora para os serviços de urgência.
“Médicos que vêm cá e recebem balúrdios, levam o dinheiro consigo e nem gastam cá. Isto é planeamento?”, disparou.
O médico Luis Maurício, outro participante no debate, em representação do PSD, denunciou a fraca comparticipação aos doentes, sobretudo nas deslocações entre ilhas, “enquanto que se pagam 3.400 euros por semana aos especialistas que vão à Horta”.
Foi ainda manifestada a preocupação pelo facto de faltarem na região 63 médicos de família e mais de 60% dos que existem já terem mais de 55 anos de idade, quase na reforma.
Artur Lima, líder do CDS, outro participante, afirmou que os açorianos estão a pagar 8 milhões de euros em taxas moderadoras e mostrou folhetos da autoria do governo regional, onde diz que contêm afirmações sobre facilidades de acesso à saúde na região que são “mentiras e falsidades”.
Segundo o deputado popular, “o principal responsável por este descalabro não é o Secretário Regional da Saúde, é Vasco Cordeiro, que mantém este Secretário e dá cobertura a isto tudo”.
O Secretário Regional da Saúde, Luis Cabral, tentou responder às inúmeras questões e pôs ênfase na questão dos cortes dos reembolsos, dizendo que “há indícios fortes de fraude em algumas áreas, depois de várias inspecções que estão a decorrer”.
Há burlas nos reembolsos?
Luis Cabral responde que “não posso estar a especular sobre isso”, avançando que a Inspecção Regional da Saúde faz inspecções regulares às instituições.
De qualquer modo, sempre adiantou que deverão seguir para o foro judicial processos “no valor de milhões de euros em indícios na fisioterapia”.