Mulheres abandonam trabalho doméstico e substituem os homens no mercado de trabalho

viladoportograndeA resposta à crise nos Açores é clara: um número crescente de mulheres que antes assumiam o papel de “domésticas”, está a entrar no mercado de trabalho em força.
No 2º trimestre de 2011, segundo dados do Serviço Regional de Estatítica, o número de “domésticos” nos Açores baixou 5,3% em relação ao 1º trimestre, ao mesmo tempo que o número de mulheres inactivas baixou 1,27%. Trata-se de menos 1.276 “domésticos” e menos 1.897 mulheres dadas como inactivas.
Quando se compara com o 2º trimestre de 2010, a imagem é ainda mais clara: uma redução de 19,1% no número de “domésticos” e de 2,44% no número de mulheres inactivas. Em números absolutos, são menos 5.373 “domésticos” e menos 4.278 mulheres inactivas. São variações enormes!
Entre os anos de 2007 e 2008 já tinha havido uma alteração estrutural importante, quando os “domésticos” baixaram da barreira dos 30 mil, com a consequente diminuição das mulheres inactivas. Neste momento podemos estar a assistir a uma segunda etapa dessa evolução.
De certo modo, em termos económicos as mulheres constituem uma espécie de reserva que pode ter uma grande influência na geração de riqueza nos Açores. Aparentemente é já isso que elas estão a fazer com este abandono do papel de doméstica.
É uma realidade que o peso das mulheres no mercado de trabalho continua deficitário, quando comparado com as médias nacionais. No país, 48% das mulheres são activas, enquanto que nos Açores, mesmo com as movimentações dos primeiros dois trimestres deste ano, o seu peso não passa dos 41,9%. Isso significa que para que a Região atinja a média nacional, mais cerca de 7.550 mulheres terão de entrar no mercado de trabalho, o que aumentará a taxa de população activa para 52,3% – exactamente a taxa nacional.
Mas esse aumento da riqueza por via do incremento da actividade feminina é, por enquanto, meramente teórico. Aliás, o que os dados do SREA revelam é uma tendência oposta: a substituição da mão de obra masculina pela feminina, mas sem aumento do total de empregados.
É que apesar de uma ligeira recuperação da população empregada no 2º trimestre, para 109.404 trabalhadores, esse aumento deveu-se a 47% de homens e 53% de mulheres. Comparando com o 2º trimestre de 2010, esta tendência torna-se mais clara: 4,56% dos homens perderam  empregos (menos cerca de 300 mil postos de trabalho), enquanto que houve um aumento de 4,3% nas mulheres (mais 1.911 empregos).