“Nem todas as instituições terão condições para responder ao desafio”

eduardo medeiros“O acolhimento de refugiados é um fenómeno novo na nossa Região, que requer disponibilidade, experiência, esforço de integração e orçamento para cobrir as despesas com o acolhimento”, é assim que Eduardo Medeiros, Provedor da Santa casa da Misericórdia de Nordeste, reage ao nosso jornal depois de confrontado com a notícia de que o Governo Regional se prepara para reunir com instituições dos Açores para analisar a vinda de refugiados.
“Julgo que nem todas as Instituições terão condições para responder àquele desafio”, acrescenta Eduardo Medeiros.
“No caso da Santa Casa da Misericórdia de Nordeste isto só seria possível com a garantia de apoio financeiro por parte do Governo ou de outra entidade”, explica o responsável por aquela instituição, concluindo que “a dificuldade não estará no espaço nem no esforço de acolhimento e integração mas sim no esforço orçamental que tal medida impõe”.
Esta é apenas uma das reacções que conseguimos durante a tarde de ontem, depois do governo ter anunciado que vai reunir com as instituições.

Reunião com Governo na Segunda-feira

“O Governo dos Açores decidiu convidar uma série de entidades públicas e particulares da região para uma reunião de coordenação e auscultação que visa, desde logo, em primeira linha, aferir as potencialidades em termos de acolhimento aqui no arquipélago”, declarou à agência Lusa Rodrigo Oliveira.
Da parte do Executivo regional irão estar presentes representantes dos departamentos ligados à solidariedade social, às comunidades, à educação e à saúde, tendo sido convidadas entidades como o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), que coordena o grupo de trabalho criado a nível nacional para a acompanhar a questão dos refugiados.
Rodrigo Oliveira referiu que estarão ainda presentes a Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores, a par de instituições representativas da sociedade civil ligadas à emigração (como a Associação de Imigrantes dos Açores), a União de Misericórdias, a Cáritas Diocesana dos Açores e outras instituições particulares de solidariedade social.
O titular da pasta das Relações Externas afirmou que se pretende um “primeiro encontro exploratório e de exploração” para apurar disponibilidades em termos de um trabalho conjunto e de serviços e infraestruturas existentes.

Região com disponibilidade para colaborar

“O Governo dos Açores têm naturalmente acompanhado, com apreensão, a situação dos refugiados na Europa e, no passado dia 07 de Setembro, em reunião do Conselho do Governo, manifestou não apenas a sua preocupação, mas também a sua solidariedade em relação aos territórios e regiões mais afectadas, bem como face ao número de refugiados que crescentemente, e todos os dias, pretendem vir para a União Europeia ”, declarou o governante.
O responsável recordou que o Governo dos Açores já manifestou ao Executivo da República a disponibilidade de colaborar na solução que for encontrada a nível nacional.
Não é ainda definitivo o número de refugiados que o país vai receber, face a “alguns atrasos” nas decisões da UE, mas Rodrigo Oliveira lembrou que, num primeiro momento, se decidiu sobre 40 mil pessoas localizadas na Grécia e na Itália, dos quais Portugal receberá cerca de 1.500.
“Trabalha-se agora, no âmbito da UE, para um segundo contingente de 120 mil refugiados”, recordou.

Açores disponibilizam 75 mil euros para Alto Comissariado

A 9 de Setembro, em Santa Cruz da Graciosa, a porta-voz do Conselho do Governo dos Açores, a Secretária Regional Adjunta da Presidência para os Assuntos Parlamentares dos Açores, afirmou que o Executivo está disponível para acolher refugiados, no quadro da resposta nacional.
Na altura, o Governo dos Açores deliberou disponibilizar 75 mil euros ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, contribuindo assim para o “desenvolvimento de acções de proximidade e que permitam um alojamento, alimentação e cuidados de saúde básicos aos refugiados”.

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