“Aumento do prémio à vaca leiteira não chega para colmatar a crise da lavoura”

Jorge RitaJorge Rita ao nosso jornal, sobre reforço de 45 euros por cada animal

O Governo Regional dos Açores, no âmbito das medidas determinadas na Região para apoio aos produtores de leite, anunciou ontem a antecipação este mês de 70% do pagamento do prémio à vaca leiteira, que é reforçado em 45 euros por cada animal nas ilhas de S. Miguel e Terceira.
Ambas as ilhas representam 87,2% do efectivo leiteiro do arquipélago, num esforço financeiro suplementar de cerca de 3,3 milhões de euros.
 Esta resolução do Conselho de Governo, que aprova o reforço do prémio à vaca leiteira para as ilhas de S. Miguel e Terceira, equiparando o valor desta ajuda, que é de 190 euros, ao das restantes ilhas, foi ontem publicada em Jornal Oficial e permite a entrada imediata de cerca de 8,5 milhões de euros no sector leiteiro regional.
 Esta resolução integra um conjunto de medidas determinadas pelo Executivo Regional que representam um esforço financeiro regional de cerca de cinco milhões de euros, a que se somam cerca de sete milhões de euros de reforço de investimento público previsto na Anteproposta de Plano para 2016.
 O Governo dos Açores decidiu ainda manter em 190 euros o valor deste prémio no próximo ano em toda a Região.
Contactado pelo nosso jornal, Jorge Rita, Presidente da Associação Agrícola de S. Miguel, reagiu à notícia afirmando que esta medida “ não chega para colmatar a crise que se vive na lavoura”.
Segundo o dirigente, “esta foi uma das várias reivindicações que apresentamos ao governo, mas há outras, também importantes, que esperamos ver aprovadas”.
Para Jorge Rita, esta medida agora anunciada “ vem reforçar a protecção à nossa lavoura, atendendo aos problemas que o sector está a enfrentar, mas é insuficiente face à grave situação em que vivem muitos produtores”.
“Vamos voltar a debater as nossas propostas esta Sexta-feira, em Ponta Delgada, num encontro entre a produção e o Sr. Secretário Regional da Agricultura”, revela Jorge Rita ao nosso jornal, adiantando que também serão debatidos aspectos relacionados com o próximo Plano Regional e os investimentos previstos para a agricultura.
Recorde-se que Vasco Cordeiro anunciou que o sector leiteiro receberá em 2016 um reforço de 11,8 milhões de euros (abaixo dos 20 milhões pedidos pela federação regional), entre os cerca de sete milhões de investimentos que “ocorreriam em circunstâncias normais” - como a construção dos matadouros do Faial e da Graciosa e o parque de exposições da Terceira - e os perto de cinco milhões para medidas específicas de apoio nesta altura de crise.
Jorge Rita tem defendido um reforço de 40% a 45% das verbas para o sector no Orçamento da região do próximo ano, o que se traduz num acréscimo de 20 milhões de euros.
“Queremos um aumento de 40% a 45% nas verbas do Plano e Orçamento para 2016, com a justificação das baixas que o sector atravessa, derivado às quebras substanciais do preço do leite”, afirma o responsável pelos lavradores.
Jorge Rita preconizou a criação de uma linha de crédito semelhante à SAFIAGRI, um sistema de apoio financeiro à agricultura, que promova uma ajuda aos custos financeiros que as explorações têm neste momento e que vão aumentar de “forma substancial”, face à redução de receitas.
“Todas as medidas que têm sido anunciadas pelo Governo da República e pela União Europeia são importantes, mas estão muito aquém daquilo que são as expectativas dos produtores regionais e não só”, declarou então Jorge Rita na reunião dos parceiros sociais.
Jorge Rita afirma que a lavoura dos Açores vai aguardar por mais algumas soluções nacionais e pela adopção das propostas sugeridas ao Governo dos Açores, uma vez que se vai assistir a uma descapitalização do sector, por via da redução do preço do leite. Os prejuízos, apontou, são de 30 milhões de euros.

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