“O novo porto é para servir São Miguel, não é para substituir o da Praia da Vitória”

Mário FortunaO Presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Mário Fortuna, disse ontem ao nosso jornal que Álamo Meneses “não percebeu o que é que a Câmara de Comércio de Ponta Delgada está a pedir em relação ao porto de Ponta Delgada”.
Mário Fortuna responde, assim, às declarações do autarca de Angra, proferidas no Conselho de Ilha da Terceira e publicadas ontem neste jornal, citando o “Diário Insular”.
Álamo Meneses disse naquele Conselho que a construção de um novo porto em Ponta Delgada era “inadmissível”, enquanto não fossem aproveitadas as potencialidades do porto da Praia da Vitória.
“Se o Presidente da Câmara de Angra tivesse lido as conclusões do Fórum sobre este assunto, subscritas também pela Câmara do Comércio de Angra e da Horta, ficaria a saber o que é que pretendemos”, declarou Mário Fortuna.
Segundo o Presidente da Câmara de Comércio de Ponta Delgada, “o novo porto é para servir a ilha de S. Miguel, não é para substituir o porto da Praia da Vitória, que não resolve o problema de S. Miguel”.
Para este empresário, as declarações de Álamo Meneses “não abonam em nada a discussão sobre estas matérias, a não ser que não queiram que se faça nada em S. Miguel enquanto a Terceira não tiver procura”.

Verbas do turismo: “Álamo sabe coisas que os açorianos não sabem”

Álamo Meneses também considerou, na referida reunião, que a distribuição de verbas da Associação de Turismo dos Açores pelas diferentes ilhas é “uma inaceitável catástrofe”.
Sendo a Câmara de Comércio parceira da ATA, perguntamos igualmente a Mário Fortuna que distribuição é esta de que fala o Presidente da Câmara de Angra.
“Era bom que soubéssemos o que é que ele sabe e que os açorianos não sabem. Nós desconhecemos. O Presidente da Câmara de Angra deve ter informação que mais ninguém não tem. Convinha que ele esclarecesse”, responde o líder dos empresários de S. Miguel.

Os problemas nos três principais portos

Recorde-se que o Fórum das três Câmaras do Comércio dos Açores, reunido no mês passado na Horta, concluiu ter identificado “três constrangimentos estruturais que requerem atenção imediata para o planeamento da sua resolução. São eles: a estrutura portuária de granéis de Ponta Delgada; a adaptação do Porto da Praia da Vitória para funções de apoio à navegação e logística internacional; a melhoria da operacionalização/ampliação do aeroporto da Horta. Considerou ainda que estes projectos devem ser enquadrados não só nos planos regionais como numa estratégia nacional, no âmbito dos projectos de interesse comum previstos na Lei de Finanças Regionais (LFRA), com acesso a fundos europeus específicos”.


Sem prioridade para o Governo Regional

Há muito tempo que a Câmara de Comércio de Ponta Delgada, pela voz de Mário Fortuna, vem defendendo a ampliação ou a construção de um novo porto para Ponta Delgada, a pensar nos constrangimentos dos granéis mas também no futuro, em relação ao abastecimento de gás.
Vasco Cordeiro, Presidente do Governo, já declarou que este problema não estava nas prioridades do seu executivo.   

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