Pacientes das ilhas Pico, Faial e São Jorge procuram cada vez mais a Casa do Triângulo
- Detalhes
- Publicado em 06-06-2016
- Escrito por Olivéria Santos
Natural da ilha do Pico, Claudina Oliveira, presidente da Direcção da Casa do Triângulo, Associação Cívica contou ao Diário dos Açores como tem sido a actividade desta associação que acabou de completar, no passado dia 1 de Maio, 19 anos de existência. A Casa do Triângulo tem sido, ao longo destas quase duas décadas de actividade, porto de abrigo aos muitos pacientes e respectivos acompanhantes que necessitam de se deslocar a São Miguel para consultas ou tratamentos.
Como desafios para o futuro, a presidente da direcção pretende aumentar a capacidade do edifício para poder receber mais deslocados das ilhas Faial, Pico e São Jorge e ampliar a sede social.
A Casa do Triângulo completou 19 anos no passado dia 1 de Maio, tendo sido criada com o objectivo de juntar as pessoas das ilhas do triângulo (Pico, Faial e São Jorge) residentes em São Miguel. Conforme conta à nossa reportagem Claudina Oliveira, “o espaço surgiu pela necessidade de existir em São Miguel um lugar onde estas pessoas pudessem estar juntas, reunir-se, conviver, partilhar tradições e dar a conhecê-las às novas gerações, promovendo a cultura destas três ilhas na ilha de São Miguel”. Outro dos objectivos com a criação da Casa do Triângulo consistia em apoiar as pessoas que precisam de se deslocar da sua ilha residência por motivos de saúde, para consultas, tratamentos ou cirurgias em Ponta Delgada.
A estrutura é composta por dois quartos com seis camas e, só o ano passado, albergou perto de 400 pessoas. Uma procura que “tem vindo a crescer significativamente”, conta a presidente da direcção, dando conta que “estas pessoas são encaminhadas pelas Unidades de Saúde da ilha de onde são provenientes”, sendo por isso pessoas de fracos recursos financeiros.
Na Casa do Triângulo os deslocados encontram roupa lavada, atoalhados, uma pequena cozinha, onde podem preparar refeições mais ligeiras, alguns eletrodomésticos como frigorífico, micro-ondas, torradeira e cafeteira eléctrica. A estrutura possui ainda uma pequena sala de estar com acesso à internet. Condições que Claudina Oliveira considera dignas e bastante acolhedoras a todos os que por lá passam.
Para além desta vertente, a Casa do Triângulo desenvolve outras actividades ao longo de todo o ano, como é o caso, por exemplo, do evento que se irá realizar amanhã, 5 de Junho, na Associação Agrícola de São Miguel e que está todo voltado para os costumes e tradições da ilha de São Jorge. Intitulado, «Sopas do Divino Espírito Santo à moda da ilha de São Jorge», este evento é uma das actividades anuais da Casa do Triângulo sendo também rotativo. Este ano é São Jorge, o ano passado foi o Faial e para o ano será o Pico. Um evento que a organização tenta que seja o mais genuíno possível, mostrando os sabores de cada ilha. Para isso, a Casa do Triângulo preparou tudo ao mais ínfimo pormenor, trazendo inclusive os cozinheiros José Isidro e Margarida Goulart da freguesia de Velas, lugar da Beira, da ilha de São Jorge e que irão apresentar uma ementa composta pelas Vésperas do Espírito Santo, que é um pão achatado que se dá no império, queijo de São Jorge, sopas e carne cozida, carne assada, com linguiça de São Jorge, acompanhada de massa sovada, arroz doce, espécies e doce branco e o vinho, “esse vem do Pico”, diz gracejando Claudina Oliveira, que adianta que amanhã vão também estar presentes nas Sopas os foliões cavaleiros, “que é algo bem característico de São Jorge. Eles vêm vestidos a rigor, trazem umas massas típicas, fazem muitas brincadeiras e danças”, refere.
Esse evento vai contar também com Cantigas ao Desafio entre micaelenses e jorgenses, naquilo que Claudina acredita que poderá ser “um bom despique”. Irão participar os cantadores Bruno Oliveira de Norte Pequeno, São Jorge, e Carlos Sousa “Maurício” da Ribeira Grande, São Miguel, acompanhados dos tocadores Jorge Veríssimo de São Jorge, Carlos Câmara e Carlos Galvão de São Miguel. Haverá ainda lugar para a actuação do Grupo da Chamarrita da Casa do Triângulo que vai interpretar a chamarrita de São Jorge e que a presidente da Casa do Triângulo afirma que “irá abrilhantar, ainda mais, a nossa festa”.
À semelhança de anos anteriores a organização espera reunir nesta actividade mais de 400 pessoas.
Esta é apenas uma das muitas actividades que a Casa do Triângulo organiza ao longo do ano. Para além dos jantares típicos, com o objectivo de angariar fundos para a Associação, são ainda levados a cabo eventos como lançamentos de livros, exposições, ou o Verdelho de Honra que se realiza por altura do aniversário da Associação. Claudina Oliveria diz que “é um mimo que oferecemos aos sócios (cerca de 200) e acaba por ser um mais um momento cultural, com apontamentos musicais ou de poesia. Este ano tivemos a apresentação do vídeo da digressão do grupo da chamarrita aos Estados Unidos da América”. Esta é aliás outra das vertentes da Casa do Triângulo: promover a chamarrita das três ilhas. “Já estamos a bailar a chamarrita de São Jorge e do Pico e um pouco a do Faial”, sendo que esta última “está ainda bem ensaiada porque não temos tido mandador dessa ilha”, frisa.
Com este objectivo, a Casa do Triângulo abre as suas portas, a toda a comunidade, duas vezes por semana para bailar e ensinar a chamarrita a todos os interessados. Trata-se de uma actividade gratuita para sócios e não sócios, e que tem reunido o agrado de muitas pessoas, oriundas não só das ilhas do triângulo, como também de Portugal Continental e das outras ilhas que aparecem na sede da associação com “o desejo de aprenderem a dançar a chamarrita”.
Claudina Oliveira conta que a Casa do Triângulo tem sido muito procurada, chegando, “ultimamente a sede a ser pequena demais” para o que promovem. Por isso mesmo, revela, os próximos desta direcção passam por “aumentar a capacidade dos nossos quartos. Há dias em que não temos quartos suficientes para a procura. Também não temos quartos no rés-do-chão o que limita quando recebemos pessoas com problemas motores, ou pessoas que fazem cirurgias à coluna. Precisamos de um espaço que responda a esse problema”, adverte, adiantando que o outro desafio “passa também por aumentar a nossa sede social, para dar uma melhor resposta aos nossos eventos quer na área cultural, social e também ao apoio que damos aos nossos doentes deslocados”.
Trabalho compensa
Há cinco anos nos comandos da presidência da Casa do Triângulo, Claudina Oliveira assume que este é um cargo que muito lhe apraz, revelando que tenta divulgar as tradições e costumes das ilhas do Faial, Pico e São Jorge e “trabalhar nos eventos para angariar fundos para manter a associação e a parte social, que nos toca bastante”. Esta responsável comenta que, a avaliar pelos testemunhos que são deixados por todos quantos passam na Casa do Triângulo, que esta associação “é uma mais-valia e é importante, sendo já uma referência para essas pessoas quando necessitam de se deslocar a São Miguel, porque sabem que têm pessoas que vão tentar cuidar delas e recebê-las bem”, diz, revelando que “as mensagens que nos deixam, tocam-nos bastante e deixam-nos cada vez mais motivados para continuarmos este nosso trabalho”, garante.
Do ponto de vista financeiro, Claudina Oliveira confessa que a associação encontra-se numa situação estável e “muito saudável do ponto de vista financeiro”. Como diz, “temos um número significativo de sócios que ajudam a suportar as despesas do dia-a-dia, e os nossos eventos têm sempre muita adesão”. “A nossa dificuldade, ao longo dos anos, deveu-se às obras de ampliação da sede porque se tratou de um investimento bastante avultado, mas felizmente, com a ajuda do Governo Regional, foi possível superar algumas destas despesas e hoje, depois de muito trabalho, conseguiu-se ultrapassar todos os obstáculos e estamos numa situação financeira confortável”, assegura a presidente da Casa do Triângulo.
More articles from this author
- “O Concelho da Povoação enfrenta ainda uma situação financeira difícil”
- Café Royal em Ponta Delgada celebra hoje 90º aniversário
- “Nós cristãos temos uma maravilha dentro de nós que é a fé”
- “É uma vergonha o que o Governo Regional está a fazer connosco”
- “Manter um casamento é como manter um jardim: para ele estar bonito e florido é preciso saber cuidar das flores”
- Formação Profissional é “desadequada no arquipélago dos Açores”
- Processo para construção de nova cadeia de Ponta Delgada arranca este ano
- Grupo de três motards marienses parte em aventura de duas rodas no início de Maio
- PSP desmantela “uma das maiores redes de tráfico de droga” a operar nos Açores
- “Pelo meu filho eu faço tudo... Foi e é por ele que continuo a lutar”
- “A ilha de São Miguel está cada vez mais linda e maravilhosa”, diz Alfredo Alves
- Casal de emigrantes ofereceu capa com que o Senhor Santo Cristo sairá à rua este ano
- Núcleo dos Açores da Liga Contra o Cancro confirma demissão depois de cancelamento de tourada
- Freguesia de São Roque será próxima aposta com abertura de novo espaço para eventos
- “Sinto-me um homem realizado na profissão que tenho”
- Lomba da Maia mantém viva a tradição da apanha do linho na freguesia
- Cristina Cordeiro recupera para livro obra do arquitecto Manuel António de Vasconcelos
- “Nunca senti que fiz tudo bem, sinto sim que tentei sempre dar o meu melhor”
- Utilvet com novas apostas ligadas ao Turismo
- Joaquim Coutinho confiante que a edição deste ano “vai ser novamente um enorme sucesso”
- Neste negócio “não há semanas iguais, e a fruta é quase como uma bolsa de valores”
- “Ser guia turístico não é apenas mostrar paisagens a quem nos visita”
- “Para mim o Natal significa o presépio. Se não houver presépio não é Natal”
- 42 noruegueses rumaram a São Miguel numa “viagem às cegas”
- “Em dia de São Martinho, vai à adega e prova o teu vinho”
- O Papa Francisco “tem um olhar de uma bondade extrema e um sorriso lindo”
- “É preciso que seja encontrado o rumo da Cruz Vermelha Portuguesa” em São Miguel
- “Vamos reinvestir nas nossas instalações e fazer novas modernizações”
- “Estou como São Tomé, só acredito vendo”
- “Com a força que temos, acredito que vamos chegar ainda mais longe”
- “Na altura vendíamos um bife de vaca por 80 escudos”
- “O jornal Diário dos Açores já faz parte da minha vida por isso não o deixo”
- Da redacção às mãos do leitor
- Lagoa Cidade Presépio desde 1862
- “O Natal aqui é preparado com muita alegria”
- Especialistas querem firmar os Açores como destino turístico de jardins
- Empresário português na Holanda oferece viagem surpresa aos Açores aos funcionários
- “Sinto-me como um apóstolo ligando a comunidade de Fall River ao Senhor Santo Cristo dos Milagres”
- Restaurante José do Rego expande e vai abrir mais um espaço este ano
- Comissão de Trabalhadores da Sata Internacional pede esclarecimentos à tutela
- “A estética está sempre a evoluir e a Compacto Elegante está atenta a essa evolução”
- “Ainda continuamos no mundo das desigualdades” que “prevalecem no nosso meio”
- Cheque Veterinário apresentado hoje em Ponta Delgada
- Plano A, a única papelaria certificada dos Açores e PME Excelência 2015
- “O meu receio era mesmo o facto de ser uma mulher no mundo dos homens”
- “Desejo que a marca Q’ É Nosso seja uma marca regional”
- “Queremos consolidar ainda mais a nossa posição no mercado” micaelense
- Jovens açorianos querem ser os protagonistas da Igreja Diocesana
- Maria Elvira Machado de Melo lança a suas memórias aos 91 anos
- Porto de Abrigo considera “inaceitável” proposta para desmantelamento da frota nos Açores
- A São Miguel Tours “foi uma oportunidade que a vida me deu e que eu soube aproveitar na altura certa”
- Seria “inconcebível imaginar um mês de Agosto em Santa Maria sem a realização da Maré”
- Há já 800 pedidos de ajuda de produtores para compensar os prejuízos pela seca
- “Não me lembro de fazer outra coisa que não seja no ramo da ourivesaria”
- Universidade dos Açores arranca ano lectivo com menos 26 alunos colocados na 1ª fase
- Tribunal Judicial da Comarca dos Açores reforça quadro de pessoal e reduz processos
- “No mês de Junho já tinha cumprido aquele que era o nosso objectivo de vendas para o primeiro ano”
- “As nossas principais apostas são a flor natural e plantas em vaso”
- Maior festival de vinhos dos Açores arranca hoje e quer bater todos os recordes
- “Um cliente não é só um cliente: é um convidado nosso”
- Nova aposta passa por desenvolver team building para empresas locais
- Pedro Raposo da Taberna Açor: “Os restaurantes têm que acompanhar e dar respostas às necessidades dos clientes”
- “Quis levar um pouco da beleza do Nordeste para o Restaurante Poço Azul”
- Tutor de utente do Instituto das Irmãs Hospitaleiras descontente com aumento “selvagem” das diárias
- Movimento de Romeiros de São Miguel realiza sessão de recolha de sangue
- Na padaria Flora “quero marcar a diferença e fazer diferente nos Açores”
- Academia das Expressões pretende avançar com o ensino especializado da área artística
- Associação de Alojamento Local olha com preocupação proposta de revisão do POTRAA
- Terapias de Medicina Tradicional Chinesa e Japonesa ganham força em São Miguel
- “A principal função da reabilitação não é curar, mas sim melhorar a qualidade de vida das pessoas”
- Uma em cada duas pessoas que actualmente vive com diabetes não é diagnosticada
- Sindicato dos Professores antevê um arranque de ano lectivo tranquilo mas com ressalvas
- Melhor forma de prevenir a gripe passa pela vacinação
- “Um monte de frescura junto ao Monte Santo de Água de Pau”
- “Precisamos da leitura de jornais para conhecermos o mundo à nossa volta”
- Criado nos Açores programa de apoio para cuidadores informais de pessoas com depressão e bipolaridade
- Administrador Executivo dos CTT reconhece que é preciso alterar processo de reembolsos
