“Nunca senti que fiz tudo bem, sinto sim que tentei sempre dar o meu melhor”
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- Publicado em 08-08-2016
- Escrito por Olivéria Santos
Recusa-se, para já, a falar de autárquicas, mas diz que se for convidado para um novo mandato à liderança da Câmara Municipal de Vila do Porto, irá pensar no assunto. Carlos Rodrigues, o terceirense que se tornou mariense por opção, em entrevista ao Diário dos Açores faz um balanço ao mandato que termina em 2017, dando conta das obras que a autarquia ainda irá levar a cabo e das que já estão concluídas.
Visivelmente orgulhoso da ilha que escolheu para viver, o Presidente da Câmara de Vila do Porto recorda o que a Ilha do Sol tem para oferecer a todos quantos a vistam, dando conta, por outro lado, de algumas das preocupações actuais dos marienses e da autarquia.
Diário dos Açores - Com a chegada do mês do Agosto, pode dizer-se que chega também a época mais alta para a ilha de Santa Maria. Estamos a poucos dias da realização do Festival Maré de Agosto e das Festas 15 de Agosto de Vila do Porto. Neste momento, como estão os preparativos para as festas da responsabilidade da autarquia?
Carlos Rodrigues - Felizmente que hoje as Festas e os Festivais em Santa Maria não se confinam ao mês de Agosto, além dos eventos religiosos caso do Santo Cristo e das festas em homenagem às Padroeiras das diversas Freguesias e Sede do Concelho também acontecem em simultâneo integrados em cada festa os eventos profanos. Como é do conhecimento de todos, o Feriado do Município acontece no 24 de Junho, feriado esse que teve a sua comemoração integrado nas habituais festas de São João que este ano foram comemoradas em parceria com os serviços de desenvolvimento agrário, Associação Agrícola, Arcoa e Delegação da Câmara de Comércio onde esteve também presente o artesanato, num espaço especificamente preparado para o efeito e que na nossa opinião resultou, pois permitiu aos empresários dos diversos ramos fazerem uma pequena mostra dos seus produtos.
Em Julho aconteceram mais uma vez dois Festivais que, ano após ano, vão ganhando espaço no panorama regional, nacional e até mesmo Internacional refiro-me obviamente ao Maia Folk e o Santa Maria Blues, este último com um espaço físico muito melhorado e agora pertença da Associação graças ao esforço desta, dos seus sócios e dos apoios Governamentais e Municipais. Hoje com a Administração da Antlanticoline a ter uma visão completamente diferente e uma muito maior preocupação em rentabilizar as suas viagens e cooperar em simultâneo com os Festivais, foi possível que estes tivessem uma muito maior afluência de público nomeadamente da vizinha ilha de São Miguel, ainda não perdemos a esperança que a nossa transportadora aérea venha um dia também a ter essa mesma postura.
Quanto ao Agosto obviamente que estamos a falar no ponto mais alto do nosso Verão, com os eventos programados: Festas 15 de Agosto, Rali de Santa Maria e Maré de agosto que trazem à ilha muitos forasteiros, festivaleiros e amantes do desporto automóvel. Contamos ainda, felizmente, com a presença de muitos emigrantes, tivessem as acessibilidades para esses preços mais convidativos e aí sim tenho a certeza que teríamos a presença de mais umas centenas, não me canso de afirmar que precisamos da presença de todos, mas não alteram a minha opinião: o turista que mais valor injecta na nossa economia é, sem dúvida, o emigrante.
DA - Já se vêem muitos forasteiros na ilha do Sol?
CR - Começamos finalmente a notar a presença de forasteiros de outras paragens. Reconhecemos que tem sido um processo lento, já fizemos chegar a quem de direito as nossas preocupações sobre essa matéria e apresentando propostas de soluções que, na nossa opinião, podem ajudar a aumentar esse fluxo que já acontece noutras ilhas.
Pela nossa parte temos feito o que está ao nosso alcance para tentar divulgar o potencial da nossa ilha lá fora. Em 2015/2016 lançamos uma campanha divulgando o «Explore Santa maria: pt». Trata-se de um site onde qualquer pessoa pode consultar tudo o que a ilha tem para oferecer: como chegar, onde ficar, onde comer o que fazer etc. Para essa divulgação foram utilizados diversos meios de comunicação. Estabelecemos também com a Câmara de Comércio protocolos no sentido de apoiar financeiramente a animação local e a deslocação das empresas de animação turística a Feiras no exterior para promoverem a sua oferta e em simultâneo a ilha.
DA - O que Santa Maria tem para oferecer a todos quanto a visitam, seja de Verão, seja no Inverno?
CR - A ilha dispõe hoje de um leque muito mais alargado de oferta para a ocupação de quem nos visita, podemos por começar pelo mergulho, passeios de barco, visita às jazidas fósseis visitáveis por mar ou às lindas baías e grutas. Os visitantes podem usufruir de quatro zonas balneares galardoadas com bandeira Azul e de Ouro, duas delas praias com areia branca e fina com a água a temperaturas acima dos 23 graus. Podem também percorrer os cinco trilhos que temos homologados e que levam as pessoas a lugares paradisíacos localizados ao longo dos mesmos. Quem nos visita pode ainda saborear os nossos produtos regionais e típicos da ilha e deliciar-se com os nossos pratos típicos: caldo de nabos, as nossas alheiras, o picado de borrego ou o assado, as nossas sopas do Espírito Santo, que são únicas, as nossas meloas, os nossos biscoitos de orelha etc. Podem também visitar o Museu, o Centro Interpretativo Dalberto Pombo, a nossa Biblioteca, um lugar excelente com uma vista deslumbrante para quem gosta de ler e descansar. Além de tudo o que referi, obviamente que quem nos visita terá ainda muito mais para ocupar o seu tempo, mas não posso deixar de chamar a atenção para a segurança que a ilha oferece e a simpatia com que os marienses recebem quem nos visita.
DA - No passado mês de Julho o Governo Regional esteve em Santa Maria naquela que foi a última visita estatutária do Executivo antes das eleições de Outubro. Que balanço faz a esta visita?
CR - Posso responder em poucas palavras: na minha opinião foi uma visita muito vocacionada para o campo social.
DA - Santa Maria tem sido esquecida pelo Governo Regional?
CR - Acho que Santa Maria não se pode considerar esquecida pelo Executivo Regional, pena é que a maioria das decisões que são tomadas para os investimentos na ilha sejam decididas em circuitos muito fechados, restritos e apresentadas como factos consumados e onde a opinião dos marienses, na maior parte dos casos, não é escutada.
Os marienses estão neste momento muito preocupados com a grande promoção que o Executivo tem vindo a fazer do Aeroporto da Base das Lajes dando asas ao PREIT e envidando todos os esforços para o tornar muito mais competitivo para as escalas técnicas, situação que vai, e muito, prejudicar o nosso aeroporto. Lamento que os eleitos pelo partido do Governo em Santa Maria não apareçam a combater essa e outras situações similares.
DA - O que ainda faz falta em Santa Maria e que não tenha sido atendido pelo Executivo?
CR - Na minha opinião, julgo que os investimentos levados a cabo pelo Executivo e os programados deviam ter mais em conta a criação de emprego.
DA - E no que concerne à autarquia, que balanço faz da sua prestação até ao momento?
CR – O balanço que faço da nossa actuação como Executivo Camarário até ao momento é positivo. Obviamente que passamos todos muitas dificuldades pelas razões que todos conhecem: passamos nós e passaram os Governos. Felizmente que o quadro comunitário que terminou em 2013 foi muito bom e que em conjunto com o empréstimo que na altura fizemos através da Empresa Municipal permitiu-nos fazer investimentos na ordem dos onze milhões de euros. Tivemos uma execução nesse quadro acima dos 100%, além do que investimos na melhoria de muitas acessibilidades e das condições de trabalho dos nossos trabalhadores, quer físicas quer dos meios necessários operacionais, de segurança e higiene. Direccionámos grande parte dos nossos investimentos para infra-estruturas potenciadoras da criação de postos de trabalho.
Lamentavelmente tenho de dizer que, na minha opinião, o actual quadro comunitário PO2020 está longe de satisfazer as necessidades das autarquias principalmente as das ilhas de menor dimensão, além estar com um atraso de dois anos está muito bem desenhado para outras entidades terem acesso que não as autarquias.
Para ainda tornar as coisas mais difíceis, o ProRural que anteriormente permitiu a criação de muitos postos de trabalho e a criação do próprio emprego, permitiu também às Juntas de Freguesia e às Câmaras investimentos de grande mais-valia no meio rural, agora o denominado ProRural mais só a título de exemplo posso referir que na ARDE, Associação a que pertence a nossa Câmara, no primeiro eixo a abrir apareceram 6.300.000 milhões de euros de candidaturas para uma verba disponível de 1.200.000 milhão. Tudo isto agravado com uma burocracia de tal ordem complicada para levar mesmo os possíveis candidatos a desistir que infelizmente vai sendo a realidade que temos assistido. Em resumo, temos de continuar com o rigor que estabelecemos desde a primeira ordem e dar continuidade à canalização de todos os meios ao nosso alcance para a economia local.
DA - Em que situação estão as contas da autarquia?
CR – A nossa situação económica é estável e está controlada. Neste momento a dívida à banca é de apenas 190 mil euros que contamos liquidar este ano. Não temos pagamentos em atraso, sendo que o nosso prazo de pagamento situa-se abaixo dos 15 dias. Agora, como é do conhecimento público, fomos obrigados a encerrar a nossa Empresa Municipal e a internalizar a mesma no Município, processo que vai ter o seu términus em Agosto, e aí o empréstimo de 4.300.000 milhões da Empresa Municipal passará para o Município e será liquidado nos próximos 20 anos, situação que permitirá ao Município manter a estabilidade financeira.
DA - No que diz respeito a obras da autarquia, o que está programado para avançar?
CR – Em termos de obras até ao final deste mandato lançamos agora concurso público para a empreitada da recuperação dos estragos na Estrada Praia Fonte do Jordão causados pelos temporais de 2012 no valor de 580.000 euros. Vamos em breve também lançar concurso público para a requalificação da Praça do Município, obra que orçará cerca de 1 000.000 euros. Estamos a concluir o projecto para a requalificação da rede de águas, drenagem e construção de pedovia e ciclovia do aeroporto. Temos orçamentado ainda a remodelação da iluminação pública de Vila do Porto, alterando para leds. Dentro ainda das mais relevantes obras temos projectado a captação e melhoramento da rede de águas de Santo Espírito.
DA - A situação dos Planos de Pormenor da Praia formosa e Anjos terão sido uma das situações mais difíceis de gerir?
CR – A situação dos Planos de Pormenor da Praia e Anjos foi, sem dúvida, uma situação não muito fácil de gerir. Em primeiro lugar porque estamos a falar de um processo que até hoje, que eu saiba, nunca ninguém teve a coragem de levar à discussão pública e ouvir a opinião das pessoas como nós fizemos; em segundo porque estávamos perante uma situação completamente nova para a maioria das pessoas e, por último, o aproveitamento político que alguns tiraram da situação, aliando-se a outros que já estando servidos não queriam que outros tivessem também direito um dia a construir. Foi difícil sim, mas estão concluídos e julgo que à medida que fomos sempre falando com as pessoas temos dois Planos bastantes consensuais.
DA - Até ao fim do seu mandado qual é para si o projecto que considera a “menina dos seus olhos?”
CR – De todos os projectos que fizemos e dos que ainda vamos fazer não tenho dúvidas em afirmar que a construção do Centro Administrativo, dando excelentes condições de trabalho à maioria dos nossos trabalhadores e disponibilizando um espaço apelativo e moderno aos nossos utentes, foi a menina dos meus olhos, a recuperação da Praça do Município será o complemento.
DA - Qual a relação do Executivo camarário com a oposição?
CR – A nossa relação com a oposição é normal, somos todas pessoas de bem, podemos não partilhar das mesmas ideias mas entendemo-nos sempre e já aceitamos muitas propostas feitas pela oposição.
DA - Quem são os seus maiores adversários em Santa Maria? Serão os de foro político, ou fora deste círculo?
CR - Em relação à questão que me coloca, sem melindrar ninguém, julgo que os que vêm de fora vêem mais facilmente as nossas coisas boas do que alguns que moram cá.
DA - Para o ano termina o seu mandado, isto depois de estar no poder em Vila do Porto, fruto de duas vitórias expressivas. Já está a pensar como vai ser em 2017? Irá avançar com uma nova candidatura?
CR - Ainda é muito cedo para pensar nisso. Ao contrário do que muitos pensam, é um cargo com um desgaste enorme, temos de estar disponíveis 24 horas por dia, porque as pessoas contam connosco sempre que entendam que temos a solução para os problema deles. No entanto é muito gratificante sentir que podemos ser úteis e ajudar as pessoas, às vezes com uma simples conversa. Quando chegar lá, se for convidado e me sentir com forças, decidirei.
DA - O que fica dos seus mandatos que lhe deixam verdadeiramente orgulhoso do seu papel de presidente da Câmara?
CR – O que realmente me orgulha mais é o facto de sentir que a maior parte das pessoas gosta de mim.
Sinto-me muito acarinhado pela maioria dos marienses, falo com toda a gente não trato as pessoas pelas cores partidárias, quando acabam as campanhas para mim somos todos marienses.
DA - A seu ver quais são as suas maiores virtudes enquanto autarca? Considera que possui alguma característica que é valorizada pelos marienses e que será sempre recordada?
CR – Acho que a minha maior virtude será talvez a minha humildade e a disponibilidade que sempre tenho para ouvir as pessoas.
DA - Sente-se um presidente com dever cumprido?
CR – Nunca senti que fiz tudo bem, sinto sim que tentei sempre dar o meu melhor. Não sou infalível. Se voltasse atrás, talvez alterasse algumas decisões que tomei, mas de um modo geral sinto que até agora cumpri o meu dever.
DA - Para si o que representa Santa Maria e os marienses?
CR - Santa Maria é a minha ilha de opção, foi aqui que casei, foi aqui que nasceu a minha filha, foi aqui que fiz um pouco de tudo: lutei para ter uma vida estável, mas também sinto que dei o meu contributo gratuitamente a muitas associações, eventos e organizações. Também aí sinto que cumpri o meu dever de cidadania, quanto aos marienses são os meus amigos.
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