Marinha está nos Açores para dar segurança, ajudar os locais e não só...

ContraAlmirante-Antnio-CalA Marinha Portuguesa encontra-se há décadas nos Açores para prestar segurança aos Açorianos nas mais variadas vertentes. Desde a presença de uma corveta permanente, que tantas vidas tem salvo em alto mar, até à Polícia Marítima que, quer em terra ou no mar, fiscalizam os barcos de pesca que actuam fora da sua área, assim como embarcações suspeitas. Também o Instituto de Socorros a Náufragos, o Comando da Zona Marítima dos Açores (CZMA), as capitanias, os dezanove faróis existentes no Arquipélago, são apenas algumas das áreas que o
Contra-Almirante António Calado, todos os dias, tem que lidar e dar resposta às mais diversas solicitações. E apesar da redução de pessoal efectivo de meio milhar de elementos que terão que abandonar a Armada Portuguesa até 2014, que o Governo já impôs, António Calado não fica preocupado, até como o próprio diz, “os Açores não serão afectados nós estamos preparados para trabalhar em qualquer situação, e com os meios disponíveis”.
“A Marinha está nos Açores para ajudar tudo e todos, nomeadamente os açorianos para quem deixo uma palavra de apreço dado o reconhecimento que têm demonstrado pela nossa actividade”, referiu o Contra-Almirante António Maria Mendes Calado.
Com pouco tempo de presença nos Açores, António Calado tem sobre a sua alçada variados postos de grande responsabilidade, nomeadamente e no que diz respeito em matéria operacional, tem a segurança marítima, vigilância e fiscalização dos espaços marítimos, exercício da autoridade Estado, presença naval junto das populações e apoio humanitário em caso de catástrofe. O responsável máximo da Marinha nos Açores tem ainda a seu cargo o Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo (MRCC), o Departamento Marítimo dos Açores (DMA) e os Comandos Locais e Regional da Policia Marítima (CRPMA). Aliás, de referir que todas as ilhas contam com policia marítima e até o Corvo tem um elemento desta força policial.
E com tanta responsabilidade, o Contra-Almirante apenas conta com 346 elementos em todas as ilhas, sendo que sensivelmente dez por cento deste efectivo estão colocados nos dezanove faróis existentes nas nove ilhas. Só em S. Miguel existem cinco faróis, localizados na Ferraria, Cintrão, Arnel, Ponta Garça e Santa Clara. Apesar da escassez de elementos, o nosso interlocutor referiu à nossa reportagem, que o efectivo não é, de facto, numeroso, “mas nós na Marinha aprendemos a saber lidar o melhor possível com os meios que temos aos nosso alcance. E é isso que temos vindo a fazer, desde que estou nos Açores, e ao longo da minha vida de militar. Rentabilizar os meios é o nosso objectivo e tudo tem vindo a funcionar no seu melhor...”, porque segundo o Contra-Almirante António Calado, a sua equipa que está concentrada, na sua maioria, em Ponta Delgada, é um conjunto motivado, preparado e formado com elevada qualidade. “E é assim que eles desenvolvem o seu trabalho de forma eficiente e eficaz e os oficiais que trabalham comigo, aqui no Comando Zona, e não só, são leais à farda que envergam, o que acaba por me colocar num papel potenciador desta equipa. O motivador de mecanismos de trabalho eficiente, eficaz e potenciador dos meios para que cada um consiga cumprir a missão nos Açores de forma tranquila”.
Mas o mar é o grande objectivo destes militares que conjugam esforços para que nada falhe. Nas duas salas de comunicações existentes no CZMA toda a atenção é pouca. Entre oficiais, sargentos e outros militares com patentes inferiores, ninguém é menor no seu trabalho, já que os olhos estão sempre em atenção redobrada para os alertas que podem surgir, a qualquer momento, de pedidos de socorro de embarcações. A este propósito, António Calado classifica a área que cobrem de “gigantesca”. E com algum orgulho apontou para o número de salvamentos efectuados apenas a embarcações de mar, onde desde 1994, foram resgatadas 1854 pessoas. Aliás estes números estão em constante alteração, porque é contínuo os pedidos de apoio de embarcações à Marinha para ajuda e salvamento. De registar que para além da zona limite do CMZA, a Marinha Portuguesa tem sido solicitada pelos EUA,  a participar em salvamentos, e não foram tão poucos quanto isso. E tudo isto pode ser constatado num grande mapa, onde cada salvamento, está registado com um ponto de referência.

Bom relacionamento com
a Força Aérea

O relacionamento entre a Marinha e a Força Aérea, segundo o nosso interlocutor, tem sido das melhores, pois só assim “conseguimos em cooperação excelentes resultados”. António Calado referiu que o reforço dos meios aéreos na Base n. 4, dos novos aviões e dos helicópteros H101, vieram trazer outra dinâmica na busca e salvamento.
Porque como se sabe, as corvetas da Marinha, apesar de rondarem os quarenta anos de vida, deslocam-se em mar, com as limitações de velocidade. A título de exemplo, a Marinha nos Açores cobre uma aérea de mar 18 vezes superior ao território do Continente. Ora, um salvamento em mar pode levar entre 2 a 3 dias se a corveta estiver num extremo (ao largo de Santa Maria) e necessitar de atravessar toda a sua área de cobertura. Neste caso, e como os helicópteros H101 não têm capacidade para percorrer toda esta distância, parte primeiro a corveta e no seu regresso, o meio aéreo vai ao seu encontro para acelerar o salvamento. E assim se tem salvo muitos tripulantes de embarcações. Mas, se por acaso for necessário reforçar os meios, por exemplo por catástrofe natural, como aconteceu recentemente na Madeira, “a Marinha está preparada para actuar, rapidamente, como aconteceu. Esperemos que uma situação destas nunca aconteça por cá”.

Rádio Naval da Horta
vai ser desmantelada

O último rádio naval disperso pelo Arquipélago é o que se situa na Horta, mas que vai ser desmantelado, fixando-se todas as comunicações no Comando, em Ponta Delgada. Este desmantelamento, segundo o Contra-Almirante, não vai trazer qualquer situação de perigo para a Marinha e seus efectivos, uma vez que todas as comunicações ficam centradas num só local. Está previsto o desmantelamento dentro de um a dois anos. A este propósito, António Calado referiu que o desmantelamento da antena na Horta está relacionado com a modernização dos meios de comunicação nos Açores.
De referir que os dois grandes centros de comunicações são no Alfeite (Lisboa) e nos Açores. Mas a preocupação com as comunicações é constante e daí que António Calado referiu que “estamos a modernizar em todas as ilhas a rede de VHF, para que cada vez mais, as comunicações entre mar e terra sejam as melhores”.

Polícia Marítima com
actividade intensa

O corpo da polícia marítima nos Açores conta com sete dezenas de elementos, distribuídos pelas nove ilhas, e fazem o policiamento de curta distância que pode ir até às 50 a 60 milhas. E só no ano de 2010, a actividade fiscalizadora da policia marítima teve 693 intervenções, sendo que detectou 171 infracções. Mas esta força policial também intervém noutras situações, tais como o salvamento. A titulo de exemplo, na Ilha de Santa Maria não existe o Instituto de Socorros a Náufragos (INS), estando a polícia marítima qualificada para fazer o salvamento.

“Uma palavra de apreço aos
Nadadores Salvadores”

Perante vários milhões de visitas às praias do Continente e não só, António Calado não deixou passar em branco o trabalho dos quatro mil nadadores salvadores. Para eles, enviou uma palavra de apreço pelo excelente trabalho que têm desenvolvido, já que este é também um organismo tutelado pela Marinha. “Este ano apenas tivemos onze mortes.
São menos que nos anos anteriores e isso deve-se por força de uma grande capacidade dos nadadores salvadores. Claro que não deveria acontecer nenhuma, mas por vezes o não cumprimento das regras leva a este tipo de acidente”.