“Vamos reinvestir nas nossas instalações e fazer novas modernizações”
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- Publicado em 30-01-2017
- Escrito por Olivéria Santos
A Moniz de Sá, localizada em Ponta Delgada, é uma empresa que se dedica ao comércio de automóveis novos e usados desde 1971. Actualmente, a empresa dispõe de dois stands de venda e uma unidade de serviços de pós venda, composta por um stand de peças e uma oficina equipada com avançados meios tecnológicos de diagnóstico e reparação.
A empresa começou na freguesia de Porto Formoso, pelas mãos de José Moniz de Sá, em 1968, dedicando-se na altura ao ramo da distribuição. Em 1970, a Moniz de Sá passa a ser gerida por Artur da Câmara Moniz e actualmente é propriedade das irmãs Sandra e Filomena Moniz, que assumiram a presidência depois do falecimento do pai.
Com 48 anos de existência, a empresa mantém firme os seus propósitos, tendo sempre por meta prosseguir com o crescimento ao nível empresarial.
Diário dos Açores - Conte-nos a história da Moniz de Sá. Como começou a empresa?
Sandra Moniz – A empresa começa com o meu avô, José Moniz de Sá, em 1968 na freguesia de Porto Formoso e tudo começa com distribuição de bebidas, de pevides e outros aperitivos. Essa distribuição, inicialmente, era feita em carroças, e só depois se passou para os camiões.
Entretanto, em 1970, depois do meu avô falecer, a empresa passa para os filhos e quatro anos depois o meu pai, Artur da Câmara Moniz, comprou a totalidade da Moniz de Sá, passando a gerir a empresa. Nessa altura ele manteve a parte da distribuição, mas como ele tinha experiência em camiões, ele passa a ser o representante da Scania, o que se mantém até aos dias de hoje.
Podemos dizer que a incursão da empresa no ramo automóvel tem um pouco a sua origem neste passo dado pelo meu pai.
Na década de 80, o meu pai decidiu mudar a empresa para Ponta Delgada. Depois de uma análise ao mercado, a Moniz de Sá passa a ser também representante da Suzuki, sendo a nossa primeira marca de ligeiros. Ou seja, deixamos de representar só pesados e começamos a entrar no negócio de comercialização de ligeiros. Com o passar dos anos, começamos a olhar para novas parcerias e adquirimos a marca Kia, que naquela altura não era muito conhecida, e posteriormente a Seat. Durante muitos anos mantivemos a área da distribuição e do comércio automóvel.
Até quando a empresa manteve estes dois ramos de negócio?
SM – O mercado automóvel estava em franco crescimento e chegamos a uma fase em que a empresa estava dedicada quase na sua totalidade apenas ao ramo automóvel. Entretanto, percebemos que, de facto, nós não éramos distribuidores e que precisávamos de nos focar no nosso core business que passou então a ser apenas a comercialização de viaturas.
Uma das vossas preocupações, desde cedo, foram as questões da qualidade, certo?
SM – Fomos uma das primeiras empresas do ramo automóvel a requerer certificados de qualidade. Entre 2000 e 2004, procedemos a vários investimentos de modo a podermos ser certificados, sendo que no que concerne ao após venda estamos certificados desde 2004. Tratou-se de um processo que permitiu à empresa dar um salto qualitativo e evoluir muito com todas estas decisões que foram tomadas ao longo destes anos.
Entretanto, em 2009, o seu pai faleceu… Como ficou a empresa?
SM – Depois da morte do meu pai, a Moniz de Sá ganha uma nova história, porque a empresa passa por uma nova fase.
No início a empresa ficou com as três filhas, mas acabamos por fazer o que o meu pai também fez com a empresa do meu avô e, em 2014, finalizamos a reestruturação do grupo e eu e a minha irmã, Filomena Moniz, adquirimos à minha outra irmã a parte dela. Assim, a empresa passou a ser gerida por duas senhoras (risos) que estão à frente do ramo automóvel e que não é algo muito vulgar em Portugal.
Começamos a pensar como poderíamos fazer crescer a empresa e, em 2014, adquirimos a representação de mais uma marca, a Isuzu, que veio colmatar uma lacuna existente na ilha. Já tínhamos assegurada a parte do lazer com as outras marcas, já tínhamos os pesados, com a Scania, e a Isuzu vem preencher a área das carrinhas e das viaturas ligeiras pesadas, ou seja, o carro até às 11 toneladas.
Hoje possuímos uma gama completa de produtos de mobilidade.
E há novos projectos?
SM – Sim, temos planos a pensar na nossa empresa como uma empresa de mobilidade. A gestão da Moniz de Sá sempre foi muito cuidadosa, e o mais importante para nós é a sustentabilidade. Queremos crescer, mas de forma sustentável. Ou seja, não queremos ter dores de crescimento. Temos vindo a crescer aos poucos e quando olhamos para a nossa história, reparamos que temos fases em que o crescimento foi mais acelerado, outras em que nem tanto, mas com momentos de consolidação.
São 48 anos de existência, já reformamos colaboradores que toda a sua vida só trabalharam connosco, é uma grande história.
Posso dizer que a Moniz de Sá tem sido uma empresa resiliente que já vai na terceira geração.
A curto prazo que projectos têm em mente?
SM – Vamos reinvestir nas nossas instalações e fazer novas modernizações. Vamos levar a cabo um facelift no que diz respeito ao visual da empresa. Tínhamos a possibilidade de representar outras marcas, mas optamos por investir nas que já temos e aumentar a penetração no mercado. Vamos estar atentos ao crescimento do turismo na Região, e temos já estabelecidas parcerias com alguns agentes económicos.
Como somos o centro de colisão de representantes oficiais de várias marcas, algumas delas premium, pretendemos aumentar o nosso centro de colisão.
Ou seja não queremos fazer coisas novas, mas sim fazer crescer onde já estamos e olhar para parcerias que possam trazer sinergias com o nosso negócio.
Trata-se portanto de uma empresa familiar que tem sabido estar no mercado ao longo deste quase meio século de existência?
SM – As empresas familiares têm muitas vantagens, mas também têm as suas fragilidades e uma dessas fragilidades é precisamente a passagem de uma geração para outra. No entanto, o facto de sermos resilientes tem ajudado este processo. Ou seja, a empresa acaba por passar para as mãos de quem tem muita paixão pelo negócio e de quem olha para a Moniz de Sá não como um agente económico, mas como uma família. Temos na empresa mais de 25 funcionários, conhecemo-nos a todos mas, mais do que isso, conhecemos as histórias uns dos outros e estamos aqui para nos ajudar uns aos outros. Eu sei que posso contar com os meus funcionários sempre que precisar e acredito que eles também pensam o mesmo quando precisam da empresa.
Devo dizer que o que me deixa muito orgulhosa foi o facto de nos anos da crise, que coincidiu com o falecimento do meu pai e com a nossa passagem para a empresa, a Moniz de Sá nunca se atrasou nos vencimentos. E isso deixa-nos muito orgulhosas.
A Sandra e Filomena caem na empresa de paraquedas, ou já estavam a par do negócio?
SM – Teve tudo a ver com a educação. A minha irmã Filomena começou a trabalhar na empresa aos 16 anos. No meu caso, como eu tinha uma veia para os estudos, fui para a universidade, andei a viajar pelo mundo mas, aos 12 anos, costumava ir para a empresa. No Natal já era hábito vir ajudar a fazer o balanço e andava a contar parafusos e porcas. No Verão, descansávamos uma semana, mas na outra estávamos na empresa e, naquela altura, a minha função era passar requisições.
Sempre vivemos o negócio em família e o meu pai sempre deixou para nós um sentido de responsabilidade. Sempre ouvi o meu pai dizer que no final do mês tinha a seu cargo não o número de funcionários, mas sim um número de famílias. E, tanto eu como a minha irmã, fomos crescendo com estes valores. Para além disso, também temos em comum uma veia comercial que foi herdada do meu pai.
A minha irmã acabou ter a vantagem de ter acompanhado o meu pai ao longo de muitos anos o que fez com que tivesse aprendido muito. A minha vantagem foi ter viajado para fora de Portugal o que fez com que me apercebesse da nossa riqueza arquipelágica. Trabalhava numa bolsa de valores de Istambul, mas acabei por voltar para os Açores e para a família por vontade própria.
Não diria que foi por obrigação que prosseguimos com o negócio do meu pai, mas sim por uma questão de responsabilidade.
Um passo que não me arrependo, ou a minha irmã, de o termos tomado.
Ao longo destes 48 anos quais foram os momentos mais difíceis da Moniz de Sá?
SM – Daquilo que eu tenho memória, um dos piores momentos foi quando o meu pai teve um grande acidente. Eu tinha 12 anos e lembro-me que havia o costume de se trabalhar aos Sábados até às 13h00, sendo que depois, o meu pai levava os funcionários para irem almoçar todos juntos. Num destes dias, o meu pai sofreu um acidente e quem ia na mesma viatura eram precisamente os responsáveis de todas as nossas áreas de negócio, nomeadamente o contabilista, o responsável pelo stand e o responsável da oficina. O acidente foi muito grande, tendo deixado o meu pai em coma. Tratou-se de uma altura muito difícil na nossa empresa, no entanto, vendo por outra perspectiva foi também um dos momentos em que a empresa se refez e reconstrui-se. Isto porque a estrutura actual da Moniz de Sá deve-se muito àquele momento marcante, mas que conseguimos ultrapassar.
Desde esta altura houve a necessidade da empresa se organizar de outra forma e do meu pai delegar competências e responsabilidades. Mas a verdade é que o meu pai foi o grande impulsionador da Moniz de Sá.
Outro momento marcante foi o falecimento do meu pai. O meu pai faleceu no espaço de dois meses. Nós tínhamos planos, a ideia era o meu pai reformar-se, passar a empresa para as filhas, tudo com calma, mas de um momento para o outro, tudo mudou.
Foi uma altura muito crítica para a empresa. Olhando para trás, vejo que foi mais uma fase que nos fez crescer enquanto equipa e que, acredito, que daqui a uns anos falaremos disso como sendo mais um momento na fase de evolução e da nova estratégia da Moniz de Sá.
Tirando estes dois aspectos, os anos de crise também não foram fáceis, havendo mesmo a necessidade de, em 2011, despedir alguns colaboradores. E isso marcou-me muito.
Como está hoje a empresa organizada?
SM – A empresa tem dois pólos físicos, estando dividida da mesma forma. Em 2009, na última semana de vida do meu pai, ele ainda chegou a inaugurar as nossas novas instalações em São Gonçalo. Toda a área comercial está concentrada nesta zona, é gerida pela Filomena que é Directora Comercial do Grupo Moniz de Sá. A secção do pós venda é da minha responsabilidade, bem como a gestão financeira. Quanto à gestão da empresa é feita por nós as duas.
Certamente tem muito orgulho no legado da sua família…
SM – Sim, eu e a minha irmã temos muito orgulho do que o que o nosso pai nos deixou. Gostava eu que daqui a uns anos os meus filhos pudessem falar de mim, como eu falo do meu pai e que eu possa, em termos de legado, deixar aos meus filhos o mesmo, principalmente no que diz respeito aos valores e não só aos bens materiais.
Acredita que a empresa vai chegar à quarta geração?
SM – Sim. Não com todos, mas alguns já mostram interesse.
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