“Com a força que temos, acredito que vamos chegar ainda mais longe”
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- Publicado em 13-02-2017
- Escrito por Olivéria Santos
A A.J.M. Cordeiro nasceu há 10 anos pelas mãos de António Cordeiro, escolhendo como área de negócio o da Higiene e Limpeza. Uma opção que surgiu fruto da visão do proprietário que concluiu que na ilha de São Miguel, havia uma lacuna de soluções nesta área.
Passados 10 anos de actividade, António Cordeiro revela ser um empresário realizado e orgulhoso do que conquistou até ao momento.
Diário dos Açores - A AJM Cordeiro existe há quanto tempo?
António Cordeiro – A empresa nasceu a 19 de Setembro de 2003 e surge em primeiro lugar porque eu precisava de trabalhar. Como entendia que se tratava de uma área com algumas lacunas no nosso mercado, resolvi aventurar-me. Comecei por reunir marcas que pudesse representar e foi assim que tudo começou com apenas três pessoas. Hoje já somos 14 elementos na AJM Cordeiro.
Qual era na altura o seu objectivo com a criação desta empresa?
AC – A ideia era apresentar ao cliente soluções de higiene e limpeza e embalagens. Também trabalhamos muito com o papel e com todos os químicos. Ao longo dos anos, fomos diversificando a nossa oferta conforme as necessidades do mercado e à medida que o negócio foi crescendo. Começamos com um armazém com 100m2, depois passamos para outro de 200m2, em seguida tivemos um de 250m2 e hoje já temos um armazém de 1200m2.
Isso quer dizer que o seu investimento traduziu-se numa aposta ganha?
AC – Sim, no dia-a-dia fico muito contente ao ver a forma com o meu negócio evoluiu e como fomos recebidos pelo mercado. Actualmente trabalhamos com as principais empresas de São Miguel e isso é, sem dúvida, um grande motivo de orgulho para mim.
No entanto é importante dizer que não consegui isso tudo sozinho. Também se deveu muito ao trabalho da minha esposa e aos excelentes colaboradores que tenho.
Ao longo destes anos actividade, quais foram as dificuldades que teve que ultrapassar?
AC – Sou uma pessoa positiva e não gosto de perder rigorosamente nada. Entendo que para se ter sucesso e para se ultrapassar as dificuldades não é trabalhando apenas oito horas por dia. Fui ultrapassando os obstáculos com muitos sacrifícios, trabalhei muitos Sábados e Domingos e ainda há muitos fins-de-semana que tenho que o fazer. Esta foi sempre a minha postura, indo ao encontro dos ensejos dos nossos clientes e tendo sempre novas soluções. Com a mudança das instalações para a Estrada Regional, em Ponta Delgada, apostamos num outro sector de mercado, que estava com algumas dificuldades, relacionado com loiça para hotelaria e posso garantir que correu e está a funcionar muito bem.
É ainda motivo de orgulho para mim a AJM Cordeiro ser já considerada, mesmo a nível nacional, uma empresa que ombreia com as melhores empresas do ramo em Portugal.
Tendo em conta o incremento do turismo na Região nos últimos tempos, trata-se de uma área que pretendo continuar a apostar.
E os anos da crise também foram difíceis para a AJM Cordeiro?
AC – Sim, bastante. Tivemos que fazer alguns reajustamentos, mas, orgulhosamente, digo que os vencimentos dos nossos colaboradores nunca ficaram por pagar. Aliás, nos primeiros anos eu e a minha esposa chegamos a ser os últimos a receber o vencimento. O que leva uma empresa para a frente não são palmadinhas nas costas, mas sim um vencimento que vá ao encontro do real valor dos nossos colaboradores. Neste aspecto, tenho na minha empresa excelentes funcionários que, se for preciso, são os primeiros a chegar-se à frente quando é necessário trabalhar fora dos dias e horas normais do expediente. Quando se tem uma equipa dessa, só se pode estar satisfeito.
E quais os momentos mais difíceis que a empresa atravessou desde a sua abertura até aos dias de hoje?
AC – Passamos por muitas dificuldades. Uma empresa quando é nova tem que trabalhar para conquistar a confiança do mercado, apesar de eu nunca ter sentido que houvesse desconfiança do nosso serviço. Havia, na altura, determinados aspectos que não conseguíamos chegar, mas ao longo dos anos fomo-nos aperfeiçoando e provando o nosso valor no mercado.
Tudo isso conseguiu-se com muita humildade.
A abertura do espaço aéreo às companhias de baixo custo foi uma mais-valia para o seu negócio?
AC – Sem dúvida! Ainda assim não trabalhamos só com hotelaria, também trabalhamos com áreas hospitalares, ginásios e lares. No que diz respeito ao turismo estamos preparados para responder a todo o canal horeca (hotelaria, restauração e cafetaria) e notamos desde há dois anos um grande crescimento em produtos para hotelaria e creio que a tendência é para crescer mais ainda.
Neste momento que produtos tem para oferecer a quem o procura?
AC – Somos capazes de montar um hotel desde o mobiliário até às máquinas. O que não comercializamos, e não está nos planos, é frio industrial, mas, de resto, tudo o que seja para ligar a uma ficha nós temos.
Também trabalhamos muito com embalagens e diversos artigos de pastelaria. Aliás, muitos dos produtos que se encontram em algumas superfícies comerciais e retalhistas são fornecidos pela AJM Cordeiro.
Pode dizer-se que a evolução da AJM Cordeiro fez-se de forma gradual e sustentável?
AC – Sim. Quando comecei o negócio recorri a um empréstimo, tive que vender um carro para poder adquirir outros dois para a empresa que serviam o vendedor, neste caso, era eu, e outro para a distribuição.
Sou uma pessoa humilde, e creio que essa característica também foi importante para o sucesso do meu negócio. Para além da humildade, prezo muito todo o atendimento que fazemos ao cliente, seja ao telefone ou presencial, que tem de ser um atendimento o mais personalizado possível. Até porque costumo dizer que um erro com simpatia consegue resolver-se, mas um erro com arrogância nunca se poderá resolver.
Isso foi o que também aprendi nos tempos em que trabalhei noutras empresas, sendo um desses exemplos a empresa Maviripa, que hoje é minha cliente.
Até aos dias de hoje quais foram as maiores apostas?
AC – Ao nível comercial, uma das apostas passou por termos grandes representações, algo que temos conseguido, inclusive com empresas que vêm à nossa procura e não o contrário.
Posso dizer a propósito que há muitas marcas em São Miguel em que sou o único representante.
O que prevê em termos de crescimento?
AC – Um crescimento à volta dos dois dígitos.
Há novos projectos para levar a cabo?
AC – Há um projecto que está numa fase embrionária, e que deve estar quase a concretizar-se, mas como o segredo é a alma do negócio, não vou revelar, para já, do que se trata.
Qual o vosso posicionamento no mercado?
AC – Trabalhamos praticamente em toda a ilha de São Miguel, temos um distribuidor na ilha do Pico e vendemos mercadoria para todas as ilhas dos Açores. O facto de termos presença online com um sítio na internet também nos facilita. Ainda recentemente ganhamos um concurso para Coimbra.
Quando decidiu apostar no armazém em que se encontra actualmente, teve também como objectivo chegar a mais clientes?
AC – Nós somos conhecidos por trabalharmos mais directamente com os empresários, e essa sempre foi uma das nossas vertentes comerciais, sem estarmos abertos ao público, até porque também não tínhamos as instalações mais apropriadas para este efeito. No entanto, com a abertura do novo espaço físico, já pudemos ter a possibilidade de abrir a loja ao público em geral, o que, foi outra aposta ganha.
É claro que também cometemos erros, quem não os comete? Mas lutamos é por ter cada vez menos erros, e isso é que é importante.
E no que diz respeito à publicidade, foi algo em que apostaram?
AC – Só há pouco tempo é que comecei a fazer algumas publicidades. Devo dizer que sou fã de uma boa publicidade, no entanto a melhor publicidade é a que vai de boca-a-boca. Neste aspecto temos sido bastante falados e isso reflecte-se no nosso crescimento que tem sido sempre de dois dígitos.
Quais as perspectivas para 2017?
AC – Continuar a crescer e manter esta fasquia dos dois dígitos. É para isso que trabalhamos. A nossa postura passa por darmos a conhecer e concentrarmo-nos apenas no que é nosso. Não perdemos tempo a falar da concorrência. Temos que deixar de lado um dos hábitos que é muito português que é falar na vida dos outros. Isso não é para nós, eu não o faço e não gosto que o façam também. Fazemos simplesmente o nosso trabalho.
Como vê a sua empresa daqui por uns anos?
AC – Com a força que temos, acredito que vamos chegar ainda mais longe, principalmente porque gosto muito de trabalhar. Ainda temos muito para crescer em São Miguel.
Não vejo necessidade de nos estabelecermos fisicamente para outras ilhas, pelo menos por enquanto.
O que espera enquanto empresário?
AC - Que não me falte o que preciso para viver, que também não falte aos meus funcionários e que eles estejam satisfeitos. Posso dizer a este respeito que os meus colaboradores já tiveram propostas de outras empresas, mas eles cá continuam. Somos uma empresa com uma equipa que se dá muito bem e que é frontal uns com os outros quando tem que ser.
Sente-se um empresário realizado?
AC – Sim, bastante. Tenho uma bonita família, excelentes colaboradores e colegas de trabalho. Estou muito orgulhoso do que consegui até aos dias de hoje.
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