Empresários preocupados com falta de recursos qualificados para trabalhar no turismo

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turistas1A Comissão Especializada do Turismo, da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, esteve reunida nos últimos dias e analisou os últimos números relativos à actividade turística, elogiando o desempenho e a evolução dos mesmos.

Analisou, igualmente, o incremento já verificado no tráfego aéreo, no primeiro trimestre de 2017 e considerou que “é indispensável que a SATA Air Açores dê cabal resposta à procura dos reencaminhamentos na época alta, pois este é um elemento fundamental para o sucesso do modelo de transportes e potenciador de um aumento do turismo em todas as ilhas”.

Foi analisada também a evolução do mercado norte-americano (EUA e Canadá), “que tem vindo a registar um peso acrescido no volume das dormidas, sendo o segundo mercado emissor a seguir à Alemanha. O potencial do mercado norte-americano exige que se construam mais alternativas de transporte para aquele continente”. 

A Comissão considerou “indispensável” que haja um acompanhamento e monitorização das actividades de transporte aéreo para os Açores, de forma a “poder-se actuar preventivamente sobre situações que podem ter impacto significativo para o sector do turismo. É neste contexto, que se considera indispensável que sejam recriadas as condições para que a EasyJet possa voltar, a prazo, a considerar operar a rota dos Açores e não haja surpresas negativas como foi o cancelamento no inverno da rota Londres Ponta Delgada, por parte da Ryanair”.

A Comissão “identificou, mais uma vez, a falta de recursos humanos especializados no mercado para várias funções como um factor crítico de travagem do desenvolvimento da qualidade da oferta regional. Há, claramente, um défice de novos profissionais qualificados, bem como a necessidade urgente de requalificar os que já estão ao serviço das empresas, com especial relevo na área da restauração”.

“O trabalho que as escolas de formação vêm desenvolvendo, sendo importante, não resolve os graves problemas com que as várias actividades do sector se estão a confrontar. É necessário também outro tipo de formação, que atenda mais as necessidades mais imediatas e concretas das empresas”, alerta a Câmara do Comércio.

“A generalidade das empresas não tem, só por si, capacidade técnica e financeira para suportarem os custos com a formação necessária dos seus trabalhadores, nem com os que vão admitindo. Trata-se de uma área onde a intervenção pública, dada a natureza da formação, é indispensável”, acrescenta.

A Comissão considerou, por isso, que “é urgente e imperioso que o poder público volte a apoiar a formação dos profissionais do sector, em valores compagináveis com o contributo que este está a dar à economia dos Açores”.

A Comissão evidenciou, “mais uma vez, a preocupação com o crescimento exponencial, que se tem vindo a registar ao nível da oferta na área do rent-a-car. Esta circunstância pode vir a ser destrutiva de algumas iniciativas e de sustentabilidade, situação que carece da atenção das entidades públicas responsáveis pelo sector”.

A Comissão anuncia ainda que decidiu promover, a curto prazo, reuniões alargadas a parceiros públicos e privados, com o objectivo de analisar e reflectir sobre aspectos relevantes para o sector, numa perspectiva de desenvolver e consensualizar acções e estratégias.