Sinaga suspende laboração de beterraba e concentra-se a negociar o passivo

sinagaO Governo dos Açores vai suspender a actividade da açucareira Sinaga, que possui um passivo de 26 milhões de euros, segundo declarou ontem o responsável pela pasta da Agricultura do Executivo açoriano.

“A solução de suspensão da actividade, como a própria palavra indica, é transitória, havendo que aguardar e perceber o que vai acontecer no futuro, em termos de preços do açúcar, não sendo possível fazer previsões a médio e a longo prazo”, declarou João Ponte aos jornalistas, no final de um encontro com os trabalhadores da Sinaga.

O Governo Regional dos Açores anunciou em Fevereiro de 2010 a aquisição, por 800 mil euros, de 51 por cento do capital da açucareira Sinaga, que é a única empresa transformadora de beterraba existente em Portugal.

O Secretário Regional da Agricultura e Florestas considerou que a administração da indústria açucareira “tem agora que se concentrar” na negociação do seu passivo com banca, fornecedores e Estado, que considerou ser preocupante.

João Ponte acrescentou que a Sinaga deve ainda apostar na rentabilização dos seus activos, bem como das suas instalações, fábrica do álcool, no concelho da Lagoa, e terrenos que possui, visando gerar liquidez para que “seja possível, no futuro, garantir a sua sustentabilidade”.

“Mesmo nos anos em que houve boas condições para a produção de beterraba, os resultados de exploração foram negativos, não fazendo sentido manter e prolongar esta situação de atividade de transformação. Seria caminhar para o abismo”, sustentou.

João Ponte afirmou ser importante a unidade industrial concentrar-se, agora, na comercialização do açúcar, sendo a refinação “vista em função das condições do mercado”.

O governante referiu que 26 trabalhadores vão manter-se na Sinaga nesta nova fase da sua existência e os 48 restantes transitam, com os seus direitos salvaguardados, para a administração pública regional.

João Ponte admitiu a possibilidade dos operários que o desejarem, pela idade avançada, avaliarem com a administração da empresa situações como o recurso a reformas antecipadas.

Isaura Amaral, do Sindicato das Indústrias Transformadoras, declarou, por seu turno, temer que esta “seja uma suspensão definitiva”, destacando que “os sindicatos lutaram durante imensos anos para que isso não acontecesse”.

A sindicalista acredita que há condições para viabilizar a Sinaga, como atestado por um estudo desenvolvido pelo Governo Regional, em 2009, tendo acrescentando que “houve má gestão da empresa para chegar ao ponto a que chegou”.

 

Solução era uma nova fábrica em 2016

 

Em Junho de 2016 o então Secretário da Agricultura e Ambiente dos Açores, Neto de Viveiros, disse que estava a ser avaliada a construção de uma nova fábrica de produção de açúcar da empresa pública Sinaga.

Considerando não haver “outro caminho que não dotar a empresa de uma estrutura mais leve” à realidade dos Açores, o responsável defendeu o aproveitamento de fundos comunitários para que “a beterraba possa continuar, que os postos de trabalho fiquem garantidos, que possam também ser criados alguns negócios alternativos que contribuam para a rentabilidade da empresa”.

Neto Viveiros adiantou que o Executivo açoriano fez a aquisição da Sinaga há cerca de seis anos, quando a unidade estava “perfeitamente descapitalizada”, mas rejeitou classificar este processo como falhado. O governante apontou a diversificação de negócios da Sinaga, no turismo ou imobiliário, como forma de ultrapassar os actuais constrangimentos financeiros.

A este propósito referiu que os terrenos da actual fábrica, com cerca de 55 mil metros quadrados, têm “imensas possibilidades”, até na área da museologia.