PSD/Açores propõe verba para estudo sobre as causas de cancro na Região

Doente - cama hospitalO Grupo Parlamentar do PSD/Açores vai propor a introdução no Plano Anual da Região para 2018 de uma verba de 200 mil euros para que seja feito um estudo sobre as causas de cancro na Região, anunciou Luís Maurício durante o debate do Plano e Orçamento dos Açores para o próximo ano.   

Segundo o deputado do PSD/Açores, “há incidências de determinados tipos de cancro nos Açores que são superiores a outros espaços nacionais, razão pela qual entendemos que é chegado o momento de estudar as causas desta incidência, para além daquelas que todos nós conhecemos como fatores de risco”.

Os últimos dados conhecidos sobre a incidência e a prevalência de cancro nos Açores foram publicados em 2015 e são referentes a 2011. Ou seja, salienta o parlamentar social democrata açoriano, “nos últimos seis anos não temos dados sobre a incidência e a prevalência do cancro na Região quando se sabe, até pelo relacionamento com profissionais da área, que algo de estranho se passa nos Açores”.

Sobre o aumento de investimento de 10% previsto para o sector da Saúde no Plano da Região para o próximo ano, Luís Maurício diz tratar-se de “um aumento de investimento sobre o mesmo”, lembrando que, a exemplo do que se passa com outros sectores, são anunciados investimentos que já foram orçamentados em anos anteriores e nunca executados o que, frisa, leva a que o documento “se descredibilize a si próprio”.

O deputado referiu a título de exemplo a verba para a aquisição do equipamento de gastroenterologia para o Hospital de Ponta Delgada, já orçamentada, mas nunca executada; a empreitada de construção do bloco c do Hospital da Horta ou ainda para o equipamento de ressonância magnética para o Hospital de Ponta Delgada para o qual foram inscritas verbas em 2015, em 2016 e, depois do esquecimento em 2017, volta a ter nova dotação no Plano para o próximo ano.

Luís Maurício responsabilizou o Executivo açoriano pelo aumento nos últimos anos do número de utentes que aguardam por uma cirurgia, lembrando que o PSD/Açores vem propondo desde há seis anos verbas para a produção cirúrgica adicional fora do tempo normal de trabalho, verbas chumbadas pelo PS.

“Quero saúda-lo, senhor Secretário Regional da Saúde, por vir dar razão ao PSD/Açores. Mas tarde demais. Se os governos do Partido Socialista tivessem aceite as sugestões que o PSD/Açores fez ao longo dos anos, inscrevendo verbas sucessivas em Planos para que se fizesse produção cirúrgica adicional, o senhor não teria 11.307 açorianos inscritos para uma cirurgia nos três hospitais da Região”, defendeu, lamentando que só dois anos depois do PSD/Açores propor, em 2014, a produção cirúrgica adicional é que o Governo começou a implementar essa medida. 

O deputado clarificou, porém, que mais importante que o número de utentes é o tempo dessa espera, frisando que “não é admissível que por uma teimosia socialista, desde 2013, hajam açorianos à espera de serem operados há quatro e há cinco anos nesta Região. Isso devia-nos envergonhar a todos”.

Face à dimensão do problema, o PSD/Açores vai propor “uma verba equilibrada” para que em 2018 estejam disponíveis 1,5 milhões de euros para a produção cirúrgica adicional, disse, clarificando que “não é por mais verba que vamos operar mais porque há um ponto a partir do qual não é possível operar mais”.

O PSD/Açores vai também propor uma verba para que sejam reabertas as salas de pequena cirurgia dos centros de saúde da Ribeira Grande e de Ponta Delgada, encerradas pelo Governo, e uma outra de 200 mil euros para o PROPECIR, programa proposto pelo PSD/Açores de produção adicional em pequena cirurgia.

Isto porque do conjunto de utentes que aguardam por uma cirurgia nos Açores, 1532 estão inscritos para a pequena cirurgia, sendo que 1235 dos quais estão inscritos no Hospital de Ponta Delgada, explicou.

Neste quadro, Luís Maurício alerta para a existência de um “novo problema” que resulta precisamente de um “erro político” que foi a decisão do Governo de encerrar as salas de pequena cirurgia dos centros de Saúde da Ribeira Grande e de Ponta Delgada.

Luís Maurício desafiou ainda o Secretário Regional da Saúde a assumir que a falta de enfermeiros e de assistentes operacionais na Região está a comprometer o serviço que é prestado ao nível dos cuidados continuados, exemplificando com o caso do centro de saúde da Ribeira Grande onde as 25 camas contratualizadas estão reduzidas a 18 ou o de Vila Franca onde as 20 camas estão reduzidas a oito.

“Tudo isto porque não há enfermeiros em número suficiente. Porque há um enfermeiro que da meia-noite às 8 horas da manhã é responsável, ele só, por 18 doentes. Isso não é admissível. Quando é que o senhor está disponível para reforçar de uma forma séria o número de enfermeiros e de assistentes operacionais afectos às Unidades de Saúde da Região?”, questionou o deputado do PSD/Açores.