“Clientes estão a retrair-se e o mau tempo não ajuda”

Pessoas na rua PDLO comércio tradicional de Ponta Delgada tem “expectativas muito baixas”, neste momento, relativamente às compras de Natal, mas espera que “mais próximo do dia 24 as coisas se alterem”.

António Hermínio Botelho, responsável pela Mesa do Comércio da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada sublinha ao “Diário dos Açores” que se tem sentido, no comércio tradicional, uma retracção por parte dos clientes, “o que terá ainda a ver com a crise”.

A agravar, nestes dias, a fraca procura pelo comércio tradicional, está também o mau tempo.

“Este tempo chuvoso de vários dias seguidos retira qualquer motivação aos clientes para estacionar na cidade e ir à procura dos artigos”, explica António Hermínio Botelho, que mantém esperanças nos próximos dias, à maneira que se aproxima o dia de Natal.

 

Estudo diz que açorianos preferem comércio tradicional

 

Um estudo nacional revelado ontem indica que quase metade dos portugueses pretendem gastar o mesmo que o ano passado nas suas compras de Natal.

 O estudo foi realizado pela More Results, que revela que é no centro do país que os consumidores gastam mais, com 44,4% das pessoas desta região a prever gastos acima dos 1000 euros nas compras de Natal.

O estudo ‘As tendências de compras de Natal dos portugueses’ indica que 49,5% dos portugueses inquiridos pretende gastar em 2017 o mesmo valor gasto nas prendas de Natal em 2016, e 38,8% diz, no entanto, que pretende diminuir os seus gastos face ao ano anterior.

De acordo com o estudo, “na sua maioria, os gastos dos portugueses irão até aos 400 euros. E é no intervalo de consumo entre os 100 euros e os 200 euros que se situa a maior fatia, com 36,3% do total da população inquirida em todo o território nacional. Segue-se 27% a afirmar fazer, em média, os seus gastos em compras de Natal até um máximo de 100 euros. Por sua vez, 26,1% diz pretender gastar entre 200 e 400 euros.” A More Results revela também que 7,5% da população portuguesa prevê gastar entre 400 euros e 600 euros e que apenas 0,8% da população inquirida terá um orçamento de 1000 euros, sendo que a maioria dos inquiridos que pretende gastar este valor são da região centro (44,4%). Importa referir, no entanto, que 52% dos jovens entre os 18 e os 24 anos pretendem gastar até 100 euros, com 11,3% a indicar que este será um valor superior a 2016. O estudo revela também que no que diz respeito a compras de Natal, os portugueses preferem comprar em centros comerciais, seguindo-se o comércio tradicional e de rua e os outlets.  A nível regional, no Norte, no Centro, em Lisboa e Vale do Tejo e na Madeira os consumidores optam pelos centros comerciais, contudo, no Algarve e nos Açores a preferência vai para o comércio tradicional e para as lojas de rua.

António Hermínio diz ao nosso jornal que desconhece este estudo e ressalva que não é isto que se tem verificado, pelo menos nos últimos dias, no comércio tradicional.

“Ainda agora vimos no Black Friday o Parque Atlântico cheio de clientes e as lojas do comércio tradicional no centro da cidade com poucos clientes. Estes estudos por vezes acertam apenas nas intenções das pessoas, mas depois na prática optam por outros caminhos”, afirma o responsável da Câmara do Comércio ao “Diário dos Açores”.

 

30 lojas abertas nas Montras

 

O Dia das Montras, que ocorre amanhã, é um dia especial para o comércio tradicional e António Hermínio Botelho revela que, este ano, 30 lojas vão estar abertas ao público, a maioria a partir da tarde.

“Vamos realizar o tradicional concurso das montras em Ponta Delgada e Vila do Porto e colaboraremos também com a Ribeira Grande e Lagoa, este ano com uma novidade: as pessoas poderão tirar fotos às montras, publicá-las na página do Facebook da Câmara do Comércio e depois as pessoas votam naquela que mais gostarem”, revela ao nosso jornal o responsável da Câmara do Comercio.

Quanto às montras em concurso, neste momento estão inscritas 44, o que corresponde a mais duas do que no ano passado, esperando-se que, até ao final do prazo, muitas mais possam aderir.

António Hermínio Botelho sublinha, sobretudo, a disponibilidade e adesão de cada vez mais comerciantes abrirem as suas lojas no Dia das Montras, dando assim mais uma oportunidade aos inúmeros clientes que se deslocam neste dia a Ponta Delgada.