Santander “lava as mãos” do caso dos seguros de vida e empurra para a Açoreana

santander tottaSobre o caso dos clientes do Santander apanhados de surpresa com o fim dos seus seguros de vida nos créditos à habitação que possuem naquele banco, nos contratos relativos à Açoreana, o Santander enviou ontem ao nosso jornal o seguinte esclarecimento:

“Relativamente à denúncia dos contratos de seguros da Açoreana associados a crédito à habitação, o Banco Santander Totta esclarece ser alheio a esta situação e não interferir na gestão de processos de outras empresas. 

O Banco foi informado pela seguradora Açoreana a 5 de Dezembro sobre a referida denúncia. Perante esta situação, o Banco Santander Totta informou os seus clientes desta situação de forma célere, apresentando desde logo uma proposta competitiva em termos de preço para a realização de um novo seguro de vida associado ao referido crédito à habitação. 

Os clientes podem realizar o seguro de vida, obrigatório para quem tem um crédito à habitação, junto do Santander Totta, tendo, todavia, liberdade de optarem por outras soluções.”

Muitos clientes que têm contacto com o “Diário dos Açores” têm uma versão diferente, colocando as culpas na Açoreana mas também no banco, que não informou a tempo, ao contrário do que afirma o Santander, havendo mesmo clientes que nem tão pouco foram informados, até hoje.

As queixas já seguiram para o regulador de Seguros e muitos outros queixosos estão a constituir advogado para interpor processo judicial, com o argumento de que há ilegalidades neste processo.

O Santander está a informar os clientes para fazerem os seguros na Tranquilidade, mas esta companhia procedeu ao agravamento das apólices a muitos clientes, sobretudo os de mais idade, e até recusou outros que, entretanto, contraíram doenças do foro oncológico ou cardíaco.

Jaime Cabral, um dos lesados, declarou ontem à Antena 1 que informou o Presidente do Governo dos Açores desta situação e está a constituir um grupo de lesados para entregar o caso a um advogado de Lisboa.

Outras fontes disseram ao nosso jornal que já mudaram de seguradora, com melhores vantagens, e agora estão a negociar com outros bancos para transferirem o seu crédito à habitação e a respectiva conta do Santander.

“Um conselho que damos a todos é que, primeiro do que tudo tentem arranjar outra seguradora e, depois do seguro resolvido, façam negociações com a banca local, nomeadamente o Novo Banco dos Açores ou a Caixa Económica da Misericórdia para que, se derem as mesmas condições, transfiram a sua conta do Santander para esses bancos”, afirmam ao nosso jornal três lesados.

Luís Matos, outro lesado, declarou ao nosso colega “Correio dos Açores” que, no seu caso, o agravamento para nova apólice é de 20%, classificando todo este processo de “revoltante” como foi tratado.